Educação e Solidariedade: a escola deve ser o coração de um bairro!
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Educação e Solidariedade: a escola deve ser o coração de um bairro!

Colégio Anália Franco

02 de junho de 2020 | 10h18

Projeto Pedagógico que alia formação e e vivências (Colégio Jardim Anália Franco)

Pandemia. Ficar em casa. Isolamento social. Essas expressões que revelam muito mais do que o debate entre os argumentos econômicos e políticos em relação à crise de saúde que atinge o Brasil e o mundo na atualidade. Revela também a capacidade que o ser humano tem de “aprender a ser” em realidades que necessitam de corações protagonistas em favor da vida!

Quando se diz que educação deve ser prioridade em um país não é à toa. Pela educação que se realiza o processo formativo do ser humano desde cedo. Aprender a se socializar, a reconhecer o espaço do outro, a ceder quando é necessário, a se posicionar com ética frente às situações diversas que se apresentam aos indivíduos, argumentar, interagir, sentir a si mesmo e ao outro, perguntar, responder, enfim, compartilhar a vida em suas diversas formas.

Amar é um ato que se aprende!

Aprender a se humanizar não é um ato isolado. Necessita de prática e isso ocorre no encontro com o outro. E é na escola que essa realidade pode ser sistematizada com intencionalidade, com estrutura adequada e uma proposta que vivencie conhecimentos diversos, experiencie a arte, aprenda a olhar a si e o mundo e se motive na coragem de agir sobre a realidade. E, nesse item, é que a escola pode oferecer muito mais do que “espaço físico” para este processo de aprendizado, pois é por meio dela que se vivencia o amor em atos que semeiam esperança e criam uma rede colaborativa em prol da vida, pois amar é um ato que se aprende!

Um exemplo disso é o que ocorre no Colégio Jardim Anália Franco, escola privada localizada na zona leste de São Paulo, na região dos bairros Tatuapé e Carrão. Com uma proposta pedagógica que alia tecnologia, inovação e formação acadêmica de excelência, a instituição possui dentre seus projetos, um que chama a atenção: o Projeto do Grupo Social que une pessoas voluntárias e incentiva a solidariedade. É um projeto que gera um grande abraço entre pessoas que desejam “fazer o bem sem olhar a quem!”

Ação social

Ação voluntária para além dos muros da escola – Colégio Jardim Anália Franco

 

Ações pedagógicas, o protagonismo do aluno e a prática da solidariedade são imprescindíveis para que uma escola seja como o coração de um bairro (Andrea Cestari)


O colégio que possui 40 anos de história no bairro, tem esse projeto que integra alunos, famílias, mantenedoras, professores e demais funcionários da instituição interessados em doar um pouco de si em prol do outro. As práticas sociais já realizadas como as campanhas de páscoa, arrecadação de alimentos, agasalhos, brinquedos, kits de higiene, livros, lacres, tampinhas e óleo usado fazem parte de ações estratégicas com intuito de ajudar quem mais precisa fora da escola. Além disso, outras práticas pedagógicas como contação de histórias, música, brincadeiras e palestras compõem parte do resultado maravilhoso desse projeto de forma a possibilitar uma mensagem educativa diversificada para um universo ainda maior de pessoas. Já, dentro da escola, estas ações sociais contribuem para a formação humana de crianças e jovens que estudam no colégio. Para a mantenedora da instituição Andrea Calbo Cestari “Possibilitar a união entre as ações pedagógicas diversificadas, o protagonismo do aluno e a prática da solidariedade é fator imprescindível para que uma escola seja como o coração de um bairro e ajude a pulsar a vida no mundo em que vivemos. E, no Anália, realmente é assim que acontece!”, afirmou.

Ação social

Campanhas de solidariedade: doações e vivências – Colégio Jardim Anália Franco


Para que tudo isso pudesse ocorrer atendendo à proposta de ajudar e educar, a parceria com a comunidade escolar é imprescindível. Além das famílias, desde o início do projeto, vários outros parceiros se aliaram às ações pedagógicas da instituição como a Cruz Vermelha, diversas Ongs (Organizações Não Governamentais) e Oscips (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) que atuam, especialmente, com creches, reciclagem e casas de acolhimento a crianças e idosos, somando esforços ao colégio na ajuda de quem mais precisa e, por estas ações, educar fazendo o bem.

No período de afastamento social devido à Covid-19, um projeto externo denominado “Marmitex do Bem”, idealizado por um grupo de empresários do bairro Jardim Anália Franco, chamou à atenção pela grandiosidade do gesto de produção e doação de marmitas para moradores em situação de vulnerabilidade social que moram nas ruas de São Paulo. Sabendo desta ação, o colégio passou a contribuir cedendo seu espaço físico como cozinha, refeitório e outras dependências para que houvesse a potencialização dos resultados de solidariedade. Nesse período pandêmico, todas terças e quintas-feiras, o grupo composto por empresários, funcionários e voluntários se reúne no colégio para montar mais de 500 marmitas por dia de atuação e, em seguida, entregá-las em regiões diversas da cidade, gratuitamente.

Ação social – Marmitex do Bem e Colégio Jardim Anália Franco em tempos de pandemia

Fazer o bem, faz bem!

Nesse processo de ajudar a quem precisa, diversas famílias do colégio também contribuem com as ações solidárias e, com o ato, auxiliam na formação integral de seus filhos. Dentre elas, a família Sauandaj Magueta se sensibilizou com a ação: “Ajudar ao próximo, ser solidário, é um ato de amor … além de saciarmos nossa “chama interna do bem”, somos nutridos por um sentimento de fazer parte de uma sociedade mais justa e igualitária”, afirmou a família.

Comunidade escolar atuante nas ações sociais do colégio (Colégio Jardim Anália Franco)

 

São ações pequenas para quem as executam e um afago, alívio, conforto para quem as recebem. Diante da fome e da carência do outro próximo de si, o ser humano se percebe pequeno para realizar grandes feitos, mas compreende que, em conjunto, muitas ações podem ser viabilizadas em benefício de uma sociedade. Em tempos em que a fome persiste em existir, é pela solidariedade, que a humanidade do ser humano permanece firme, mantendo a vida e fazendo um pouco de muito que ainda há para ser feito.

E, pelas ações pedagógicas, a educação pode contribuir, ainda mais, como no Colégio Jardim Anália Franco, formando alunos investigativos, interativos e íntegros, analisando as causas da miséria e as formas possíveis de solução deste problema, atuando de forma colaborativa na realidade em que a pessoa está inserida e aprendendo a ser coerente com os princípios da cidadania, práticas da alteridade e sentimento de empatia. Se sozinho a resolução dos problemas sociais parece impossível, em conjunto, a solução está mais próxima de ser encontrada. É, também, responsabilidade das escolas ensinar a todos como a vida pulsa. Com isso, as escolas ensinam e, ao mesmo tempo, aprendem que elas são como o coração de um bairro, responsável por fazer com que a vida não pare! Desta forma, podemos afirmar que os atos solidários não são ações isoladas de uma escola. Ao contrário, são práticas de uma comunidade, de um bairro, que tem em seu coração uma escola viva pronta para ensinar e aprender sempre!

Sérgio da Costa Bortolim
Mestre em Políticas Sociais
Diretor do Colégio Jardim Anália Franco

 

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