Dia do Livro Didático: o que celebramos?
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Dia do Livro Didático: o que celebramos?

Colégio Anália Franco

27 de fevereiro de 2021 | 11h41

Recursos pedagógicos integrados para uma aprendizagem significativa (Colégio Jardim Anália Franco-SP)

27/02, dia do livro didático. E você se pergunta: por que devemos celebrar o livro didático? Se você ainda entende que o livro didático engessa a prática pedagógica, que uniformiza as intervenções do professor, que não permite personalização do ensino e da aprendizagem, que dita o ritmo do trabalho, que deve ter todas as páginas preenchidas e que atividade realizada é conteúdo aprendido, bem… Está na hora de atualizar conceitos e conhecer uma proposta inovadora de material didático.

Passamos por um ano muito difícil para o mundo e, particularmente, para a Educação. Professores se viram no meio de um furacão, tendo que refazer seus planejamentos, ressignificar seus espaços, descobrir novas ferramentas e transformar suas práticas. Não foi fácil, mas comprovou algo que nós, educadores, já sabíamos: o professor é insubstituível! Ele é essencial no processo ensino-aprendizagem. Mesmo com as milhares de ferramentas digitais que aprendemos a usar, mesmo com os tantos recursos que nos foram disponibilizados pelas escolas (infelizmente não por todas…) coube a nós, professores, garantir o desenvolvimento dos estudantes. E por quê? Porque uma ferramenta sozinha, seja ela qual for, não faz com que uma boa aula aconteça. Os instrumentos pedagógicos são tão bons quanto o uso que os professores dão a eles, para potencializar uma aprendizagem tecnológica e significativa.

 

Os instrumentos pedagógicos são tão bons quanto o uso que os professores dão a eles, para potencializar uma aprendizagem tecnológica e significativa.

 

Assim é, também, com o livro didático. Sozinho, ele é só um livro, um mapa. Quem escolhe o destino e traça os caminhos é o professor. Um exemplo disso é o que o ocorre na parceria entre o Projeto UNO Educação e o Colégio Jardim Anália Franco, que abre um universo de possibilidades para estudantes e professores. O livro é apenas parte de uma experiência educacional mais ampla, que une livro físico, livro digital, atividades interativas, salas multimídia, salas virtuais, fórum, biblioteca digital, simulador de testes, aplicativos para consumo de conteúdo off-line, entre outros recursos que são atualizados e dispostos em nosso portal. Como disse, um universo de possibilidades.

“Ah, então o livro apenas não é suficiente?” – já ouço você dizer. E a resposta é simples: não, não é. De fato, um livro, apenas, não é e nem pode ser suficiente. Mas ele é e pode ser muito importante. Dependendo de quê? Do uso que damos a ele. Lembra? Os instrumentos são tão bons…

Neste caso, um bom uso do livro didático é tê-lo como parte do repertório construído pelo professor. Isso significa que, mesmo não tendo todos os recursos que disponibilizamos em nosso Projeto e que o Colégio Jardim Anália Franco utiliza tão bem, o livro didático ainda pode ser um grande aliado. Um olhar mais apurado para ele, fará com que o professor consiga traçar desafios possíveis a todos os estudantes e personalizar as experiências educacionais.

É como um médico que prescreve um medicamento. Todos os pacientes comprarão a mesma caixa de remédios. Mas um tomará 6 cápsulas, 2 vezes ao dia; o outro precisará de mais tempo e deverá tomar 1 cápsula ao dia, por 10 dias; um outro, ainda, fará um tratamento mais intensivo, tomando 3 cápsulas em apenas 1 dia.

 

Atuação docente no laboratório com recursos diversificados (Colégio Jardim Anália Franco-SP).

 

Cabe, então, ao “Dr. Professor” fazer o diagnóstico e intervir da melhor forma. E cabe às escolas terem clareza disso e comunicarem às famílias, que muitas vezes se incomodam em ver algumas páginas em branco no livro, ao fim do ano letivo. É preciso romper com a ideia de que um livro completo é sinônimo de efetividade, de que a página preenchida é garantia de aprendizado. Mas é preciso, também, explicar porque não é bem assim e assegurar às famílias que a aprendizagem aconteceu e foi contemplada de outra forma.

 

 

É preciso romper com a ideia de que um livro completo é sinônimo de efetividade, de que a página preenchida é garantia de aprendizado

 

 

Isso não significa que o livro não foi utilizado ou que é desnecessário, mas que ele é um dos recursos que o professor usou. E isso é bom. Usar o texto do livro como disparador para um debate; realizar a experiência proposta no livro em pequenos grupos; deixar no mural da classe um registro coletivo das respostas da atividade; usar o quadro branco da sala virtual para registrar hipóteses de resolução de um problema; aproveitar a parlenda do livro para uma brincadeira tradicional. São muitas as estratégias inspiradas no material que está à disposição do professor e que saem do papel para virarem vivências, como nos propõem as metodologias ativas e a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), ao declarar seu compromisso com a educação integral:

 … (a BNCC) propõe a superação da fragmentação radicalmente disciplinar do conhecimento, o estímulo à sua aplicação na vida real, a importância do contexto para dar sentido ao que se aprende e o protagonismo do estudante em sua aprendizagem e na construção de seu projeto de vida.

 

Lá vem mais uma pergunta: “Então o livro traz o conteúdo, apenas. O resto é com o professor?”. É a partir deste questionamento que damos o primeiro passo de todo este processo – escolher o material que a escola irá adotar. Há uma diversidade enorme no mercado e a escola precisa decidir por aquela que será sua melhor parceria e a que conversa de forma mais alinhada com seu propósito pedagógico.

 

Tecnologias em sala de aula e ensino híbrido na rotina escolar (Colégio Jardim Anália Franco-SP)

 

Mais uma vez o exemplo “UNO-Anália” é bem-vindo. Nós disponibilizamos Guias de Planejamento com os objetivos e as habilidades desenvolvidas em cada unidade, a escola usa este documento para construir seu currículo e os professores para planejarem suas aulas. Nós proporcionamos dicas de encaminhamento, orientações e embasamento das etapas propostas no livro, a escola disponibiliza ferramentas e os professores ampliam seu repertório de estratégias. Nós olhamos para a realidade da comunidade escolar, a escola traz suas demandas e os professores se engajam em boas práticas. Nós oferecemos formação continuada, a escola estabelece tempo para isso em sua rotina e os professores participam com envolvimento e aplicação das práticas pedagógicas. A adoção de um material didático em uma escola deve resultar em uma efetiva parceria de intencionalidades que, ao se encontrarem, potencializam a transformação na vida dos estudantes para que sejam íntegros, interativos e investigativos frente aos desafios do mundo global, tal como acontece no Anália em parceria com o Projeto UNO Educação.

É isso: o livro é parte de um projeto pedagógico. Uma parte tão importante quanto todas as outras. Então, vamos celebrar: 27/02, dia do livro didático!

 

NATHALIE BAHARLIA

Nathalie Baharlia é coach pedagógica do Projeto UNO Educação. Atua nas escolas parceiras atendendo às demandas da gestão, investindo na formação de professores e participando de encontros com estudantes e famílias. Cursou psicologia, pedagogia e MBA em gestão escolar. Atua há mais de 20 anos na Educação Básica e tem experiência em escolas de currículo brasileiro e bilíngue. Tem vivência em cursos internacionais, como Reggio Emília e trabalho com formação de professores das redes pública e privada.

Saiba mais:
www.colegioanaliafranco.com.br
www.unoeducacao.com

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