Cinema de vanguarda para uma educação criativa e inovadora
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Cinema de vanguarda para uma educação criativa e inovadora

Colégio Anália Franco

11 de agosto de 2021 | 18h34

Mostra de Cinema de Vanguarda (Colégio Jardim Anália Franco-SP)

As narrativas são parte da humanidade desde quando se pode investigar. O ser humano primitivo já contava suas histórias nas paredes das cavernas. O narrar sempre foi nossa forma de manter o registro de quem somos, o que vivemos, o que aprendemos ou como nos fortalecemos para desafios vindouros. Muito depois das narrativas rupestres, a humanidade passou a contar histórias em rodas de conversa, em poemas acompanhados por liras e, por fim, em livros, que se popularizaram depois da criação da imprensa por Gutemberg. Mas a verdade é que não paramos por aí.

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O livro é uma das formas mais interessantes de se passar narrativas adiante, mas está longe de ser a única. O cinema e as produções audiovisuais de forma geral estão consolidados como uma mídia acessível e cada vez mais popular entre crianças, jovens e adultos. É claro que os filmes e séries não substituem os livros, mas é importante que a escola não ignore essas mídias. Ao contrário: mostrar ao estudante que tudo o que ele faz, mesmo fora do ambiente escolar (on-line ou off-line), é parte do seu processo de crescimento e aprendizado.

Pensando nisso, este ano desenvolvemos no Colégio Jardim Anália Franco, com apoio do material didático Unoi, a eletiva “Cinema de vanguarda” com os estudantes do Ensino Médio. Nessa eletiva aprimoramos um olhar crítico para o cinema e seus componentes, ampliamos o repertório de filmes dos estudantes e estudamos as vanguardas artísticas europeias visando a produção de curtas-metragens autorais.

 

Teoria e técnicas audiovisuais em ação (Colégio Jardim Anália Franco-SP)

A partir da escolha de filmes de grandes diretores e diretoras nacionais e estrangeiros selecionados para serem vistos pelos estudantes em casa, a eletiva se propôs a, num primeiro momento, contar a história do cinema, sua relação com o desenvolvimento tecnológico e com os diversos momentos históricos pelos quais passamos. Aqui também nos era relevante situar os filmes em debates estéticos e sociais: estéticos para que pudéssemos iniciar nosso estudo de linguagem cinematográfica (roteiro, edição, trilha sonora e som, imagem) e sociais tendo em mente a importância do uso de um repertório amplo em avaliações e exames como o Enem.

Se “a vida imita a arte”, propomos o melhor que a arte pode oferecer aos nossos jovens!

Após essa primeira fase, a sala foi dividida em “grupos de especialistas” segundo o interesse dos próprios estudantes. Dessa forma, um grupo estudou roteiro, um segundo estudou imagem, um terceiro grupo estudou som e um último, edição. Depois que os especialistas debateram e aprenderam juntos, as equipes de trabalho se formaram. Cada equipe deveria ter um ou dois especialistas de cada área. No grupo de trabalho, cada especialista ensinou o que aprendeu aos colegas.

Por fim, ainda em grupos de trabalho, começamos a pensar no nosso filme. Sim, cada um desses grupos precisou desenvolver um argumento e, posteriormente, um roteiro que seria filmado até o fim do semestre. Mas ainda faltava um tema importante: as vanguardas. Através de pesquisas de imagem e de aula expositiva, os estudantes conheceram as principais vanguardas surgidas no Período Entre Guerras europeu e como incluí-las no filme que estavam desenvolvendo. Cada grupo revisitou seu roteiro e, guiado pelo roteirista – responsável por essa etapa do trabalho – repensaram o script, incluindo elementos do surrealismo ou de qual vanguarda quisessem.

Um cronograma de produção foi criado pelas equipes, com a data, as cenas e o local das filmagens. Diante do nosso contexto de isolamento social, essas filmagens poderiam ser remotas, mas precisavam ser agendadas e acompanhadas (mesmo que on-line) por mais de um integrante da equipe. Isso potencializou o senso de responsabilidade de todos sobre aquilo que era criado coletivamente, formando, em nossos estudantes, o senso de integridade – um de nossos pilares no Anália.

Filmes de vanguarda: referências para estudo cinematográfico (Colégio Jardim Anália Franco-SP)

Na volta das férias, em agosto, teremos uma mostra de filmes de vanguarda. Socializar essa experiência e premiar os estudantes por encararem o desafio (inclusive tecnológico, porque precisaram sonorizar o filme e editá-lo em ferramentas digitais) será um momento especial de acolhimento para o semestre que se inicia. Tais abordagens vão ao encontro dos dois outros pilares do colégio: a “investigação” que estava presente no desenvolvimento dos estudos de vanguarda com a elaboração do roteiro do filme e a “interatividade” que transcorreu na manipulação de conceitos e técnicas tanto para a comunicação em grupo, como para a produção dos filmes. Dessa maneira, formamos no cotidiano escolar, com auxílio de metodologias ativas e com a implementação didática de tecnologias na educação, estudantes íntegros, interativos e investigativos.

O narrar sempre foi nossa forma de manter o registro de quem somos, o que vivemos, o que aprendemos ou como nos fortalecemos para desafios vindouros.

Entendemos, portanto, que o cinema trabalhado na escola promove a criatividade e potencializa a formação integral de estudantes frente aos desafios da vida contemporânea. Quando combinado com a questão das vanguardas artísticas, o cinema promove a revolução estética e contribui para a análise social  transformadora do olhar sensível do ser humano sobre ele mesmo e em relação ao mundo em que vive, potencializando a formação acadêmica, socioemocional e empreendedora de nossos estudantes. Se “a vida imita a arte”, propomos o melhor que a arte pode oferecer aos nossos jovens!

Raquel Toledo
Mestre em Literatura e Cultura Russa (Universidade de São Paulo)
Licenciatura em Letras (Universidade de São Paulo)
Pesquisadora, crítica literária e tradutora.
Docente do Colégio Jardim Anália Franco

 

www.colegioanaliafranco.com.br

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