Tecnologia na educação: Fria e desumana?
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Tecnologia na educação: Fria e desumana?

Bianca de Paula

15 de outubro de 2019 | 15h31

Na sociedade de consumo em que vivemos hoje, bombardeados por Instagram, Facebook, aplicativos que prometem resolver todos os problemas da vida quotidiana e “fórmulas infalíveis” de simplicidade quase mágica dos famigerados coaches, é natural que nos questionemos – devemos levar a tecnologia para dentro da sala de aula?

O escritor Nassim Taleb, crítico ferrenho do culto inconsequente e irrefreado do moderno, oferece uma concessão e um contraponto.

Ao falar sobre arquitetura, explica que, ao longo dos séculos, ainda que a construção tenha sido um grande avanço tecnológico, vivemos dentro de casas com janelas pequenas, consequência de limitações materiais – seja por ausência ou custo elevado dos materiais, seja pelas necessidades térmicas que as residências implicam – o que aliena o ser humano do contato com a natureza.
Fecha-se o ser humano dentro de suas limitações “Euclidianas” e perde-se aquilo por que aspira naturalmente, o contato com a estética “fractal” oferecida pelas árvores e paisagens naturais.

Avançando mais a tecnologia, hoje há casas com janelas de vidro que vão do chão ao teto e permitem contemplar a natureza sem perder-se o conforto da casa.

Façamos uma analogia com a educação. Por séculos, a educação baseou-se no diálogo, em uma relação humana e pessoal entre discípulos e mestres. Sócrates acreditava e defendia a individualidade na educação, na responsabilidade individual de cada discípulo e dos mestres em relação a eles, fundamentando tudo com o diálogo.

A escola, como a conhecemos hoje, é invenção relativamente recente, do século 19, fruto da necessidade de padronização e massificação do ensino, dadas as limitações materiais da transmissão do conhecimento.

Com isso, permitiu-se o acesso de uma grande parte da população a uma forma de educação, o que antes era privilégio das elites, mas perdeu-se a individualidade e as relações pessoais dentro do espaço educacional.

Observando-se os princípios adequados, as tecnologias educacionais que surgem atualmente podem recriar essa humanidade perdida, ao invés de matá-la de vez.

Com seu auxílio, podemos minimizar o peso da burocracia, das formalidades e da padronização (ainda necessários) para aproveitar melhor o tempo e os recursos dos alunos, professores e escola. Assim, é possível dedicar-se ao diálogo e às relações humanas e individualizadas que caracterizam uma educação profunda e transformadora.

A tecnologia é uma ferramenta, pode ser usada para oprimir ou libertar. Cabe a todos os envolvidos com educação refletir e instruir-se sobre a tecnologia, de modo a resistir à massificação e à superficialidade, criar um paradigma mais humano e individual.

Que a tecnologia não nos encerre em moradas estreitas e limitadas, ainda que pareçam cômodas, mas que permita-nos construir amplas janelas com vistas para a natureza, a realidade e o conhecimento.

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