A importância da inteligência emocional para as crianças
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A importância da inteligência emocional para as crianças

Bianca de Paula

22 de maio de 2019 | 15h15

 

Você sabe o que é Inteligência Emocional? A definição mais certeira e aceita no meio acadêmico é a do psicólogo Daniel Goldman, que define como – “a capacidade de reconhecer os nossos próprios sentimentos, bem como os alheios, de motivar-nos e de saber manejar as nossas emoções”.
É claro que as crianças devem aprender novos conteúdos, habilidades, e adquirir cada vez mais novos conhecimentos, mas não se pode deixar de lado o desenvolvimento de sua inteligência emocional. Saber compreender suas próprias emoções e as emoções dos outros, lidar com elas e ser capaz de controlar e adequar suas emoções às diferentes situações que se apresentam na vida, é fundamental para um desenvolvimento pleno e saudável dos pequenos.

Crianças que são inteligentes emocionalmente possuem um melhor conhecimento de si próprias, o que se reflete em uma melhor auto estima e melhoria nas relações interpessoais. Tudo isso impacta diretamente na maneira de encarar situações e desafios, resolver conflitos, e leva a um melhor rendimento social, pessoal e escolar.

As emoções se desenvolvem durante todo o ciclo da vida, e claro, não é possível sentir toda a gama de emoções possíveis em tão tenra idade. Porém, muitos estudos concluíram que é possível começar a educar as crianças a trabalhar as emoções a partir dos 2 anos de idade – e claro que essa educação tem impacto durante toda a vida do indivíduo.

O processo de aprendizado das emoções não difere em nada no processo de aprendizado de conteúdos escolares ou outras habilidades. Na primeira infância, o principal modelo e “guia” para as crianças são seus pais, uma vez que nessa fase, elas aprendem por observação.
Ainda bem novas elas são capazes de estabelecer vínculos afetivos, oferecer e experimentar carinho, afeto, e também são capazes de identificar novos sentimentos e reações – por exemplo quando desobedecem os pais, ou quebram algum brinquedo, são capazes de perceber que os pais ficam sérios, bravos, tristes, e tendem a imitar essas reações quando algo não as agrada.

 

 

E como ensinar Inteligência Emocional para as Crianças?
Dê o exemplo e desenvolva uma comunicação clara

Desde o início da vida é importante que os pais, tutores e professores ensinem as crianças a pensar e se expressar sobre o que estão sentindo. Esse processo de reflexão é fundamental para que elas possam compreender melhor seus sentimentos e assim, sejam capazes de detectar essas mesmas emoções em outras pessoas, desenvolvendo empatia.
Além disso, não basta ensiná-las apenas a pensar sobre isso, mas é necessário darmos ferramentas para que consigam controlar, canalizar e lidar com suas emoções – e se a criança for capaz de pensar sobre isso, agir em cima de suas emoções será muito mais fácil e menos doloroso.

Claro que todo esse processo de aprendizagem deverá estar baseado na comunicação clara dos pais com as crianças – demonstrando tudo mais por meio de ações do que com discursos complicados. Para crianças pequenas, o ideal é sempre utilizar uma linguagem mais simples e mensagens mais curtas, de fácil compreensão. E o discurso deverá ser apoiado por ações de exemplo.
Não adianta, por exemplo, explicar à criança que não é legal gritar com as pessoas quando elas fazem algo que não gostamos, e em seguida gritar com outro motorista no trânsito – a ação sempre terá mais força do que o discurso em termos de exemplo a ser seguido. Ou seja, a inteligência emocional dos pequenos depende, muito, da inteligência emocional dos pais e adultos que convivem com a criança.

Ajude no desenvolvimento do vocabulário específico

Dar nomes às coisas facilita muito o raciocínio e a compreensão. Por isso, conforme as crianças forem ficando mais velhas e com o vocabulário mais desenvolvido, é hora de “lapidar” a racionalização das emoções.
Por exemplo, alguém de cara fechada, para uma criança pequena, será sempre alguém triste ou bravo provavelmente. Porém, é importante ajudá-las a identificar emoções mais específicas, e nomeá-las é muito benéfico no processo de aprendizagem.
Trabalhar a distinção entre, por exemplo – triste, bravo, decepcionado, enfadado (todas emoções expressas por semblantes mais fechados e sisudos) – é importante para que a criança possa entender como lidar com cada uma delas.

Incentive a autonomia

De nada adianta ensinar os pequenos sobre Inteligência Emocional e não deixá-los praticar, afinal, como todo aprendizado, lidar com as emoções também requer prática e treino.
O ideal é oferecermos ferramentas e suporte aos pequenos para que consigam solucionar sozinhos seus problemas, porém frequentemente os pais se dedicam demasiadamente a ajudar, e acabam por tentar solucionar as situações dos pequenos (mesmo sem necessidade) por conta própria.
Essa prática além de sobrecarregar os pais, não é nem um pouco benéfica para a criança, que perde a oportunidade de pensar, compreender e desenvolver uma solução com as ferramentas que lhe foram dadas – é como se ensinássemos a criança a fazer contas de cabeça ou no papel, e na hora da prova oferecêssemos uma calculadora.
A antecipação das necessidade emocionais dos pequenos – tentando evitar que sofram ou sintam algo negativo – acaba enviando a eles a mensagem que de que não confiam neles, ou que não são capazes de aplicar o que aprenderam.
É importante motivar as crianças a resolverem sozinhas seus problemas – claro, pedindo ajuda sempre que necessário – para que possam aprender a tomar decisões, aprender a compreender seus sentimentos e as situações, e sejam capazes de atuar da melhor maneira possível.
Seja um porto seguro para os pequenos, mas saiba o limite entre oferecer suporte e resolver tudo sem eles. Principalmente nos fracassos, é importante oferecer apoio e motivação e ajudá-los a identificar qual poderia ter sido uma melhor solução ou decisão.

Atenção ao tempo dedicado aos pequenos

O que mais difere os seres humanos de quaisquer outros seres vivos é a capacidade de sentir e expressar diferentes tipos de emoções.
Por isso, é importante que os pais dediquem tempo, não apenas a suprir as necessidades físicas e materiais das crianças, mas principalmente, dediquem tempo às suas necessidade emocionais.
Conversar sobre como estão as coisas na escola, sobre os amigos, e abordar a questão dos sentimentos de maneira clara e aberta, é uma ótima maneira de ajudá-los. Outra prática benéfica é abrir um canal de comunicação quando a criança estiver experimentando um sentimento negativo.
Por exemplo, crianças menores costumam fazer birras justamente por não terem ferramentas para lidar com suas frustrações de outra maneira. Assim, é recomendado esperar a criança se acalmar e conversar com ela sobre o que está sentindo e oferecer alternativas para lidar com isso.
Com crianças mais velhas ou pré-adolescentes, que já passaram do período das birras, a comunicação e a empatia são fundamentais. Assim, ajude-a a se expressar, caso não consiga, e ajude-a a entender o que está sentindo, e como é possível lidar com isso de maneira que não a prejudique ou prejudique outras pessoas.

 

 

A Inteligência Emocional também influencia na escola!

Crianças com Inteligência Emocional possuem mais auto confiança em suas capacidades e habilidades – pessoais e intelectuais – pois sabe que é capaz de se comunicar com mais clareza, entender o que ela e os demais sentem, e assim, fica mais à vontade e motivada a conhecer e experimentar coisas novas.
Para um bom rendimento escolar, é necessário que o aluno esteja disposto e motivado a aprender (e também aprender a aprender), com a confiança de que é capaz de controlar sua conduta, suas decisões, e com a confiança de que tudo bem errar – afinal, os professores estão na escola para guiá-los no caminho do conhecimento. Confiar que os outros podem ajudá-lo em seu desenvolvimento é também fundamental para o sucesso não apenas na escola, mas em toda a vida.
Além disso, a escola é um ambiente que proporciona uma gama incrível de possibilidades de relações interpessoais, e saber desenvolvê-las e cultivá-las é uma parte muito importante para garantir o bem-estar e até mesmo a proteção da criança (que terá mais tranquilidade sobre o que fazer em casos de bullying ou notas baixas, por exemplo).
E com Inteligência Emocional, o aluno saberá ainda melhor quais seus limites e suas potencialidades, confiando mais em si mesmo e se propondo a se aventurar por novos desafios.

Aqui na Escola Interação, trabalhar a Inteligência Emocional de nossos alunos é muito importante. Por isso, tudo o que fazemos é baseado na Disciplina Positiva e tem por objetivo ajudar nossos pequenos a desenvolver habilidades emocionais em rodas de conversa e assembleias de classe, por exemplo.
Entendemos que essas ações contribuem para a formação integral do aluno enquanto, não apenas estudante, mas como indivíduo.

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