A multidisciplinaridade no ensino híbrido
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A multidisciplinaridade no ensino híbrido

Bianca de Paula

02 de abril de 2019 | 11h58

Já há alguns anos, a multidisciplinaridade se tornou um paradigma importante na forma como se ensina nas escolas. Trata-se de uma visão não compartimentalizada dos saberes, que reflete os desafios da vida real. Surge da constatação de que, quando se trata de um problema, diversas áreas do saber devem ser empenhadas para a sua resolução.
Devido a limitações práticas como a rigidez dos currículos escolares e dos materiais didáticos, e à falta de desenvolvimento de formas de comunicação e colaboração mais eficientes entre professores e entre professores e alunos, talvez a abordagem multidisciplinar não tenha tido um impacto tão profundo quanto se esperava quando começou a ser proposta.
Contudo, houve mudanças na forma como as matérias escolares são vistas, mas se observa que a abordagem multidisciplinar estava um pouco à frente do seu tempo.
A maioria das mudanças na vida cotidiana e na forma como as pessoas trabalham e resolvem seus problemas hoje em dia, se relacionam necessariamente com o uso de ferramentas digitais.

Aluna durante o projeto multidisciplinar

A difusão total de meios de comunicação mais ágeis, dos aparelhos eletrônicos e da tecnologia educacional permitem, finalmente um ampliamento das possibilidades de aplicar uma abordagem multidisciplinar na escolas.
Na Escola Interação, um projeto de língua portuguesa elaborado pela professora Cláudia Bonilha exemplifica bem essa dinâmica.
Trabalhando com o clássico Dom Quixote, os alunos desenvolveram releituras da obra em forma de histórias em quadrinhos, usando ferramentas digitais de design, em colaboração com o professor de artes e se inspirando na obra em sua língua original, com o professor de espanhol.

Aluno utilizando ferramentas de design

Segundo a professora, algumas habilidades trabalhadas no projeto incluem desenvolver a competência leitora, desenvolver a sensibilidade estética e a imaginação – parte englobada pelo estudo das artes – e desenvolver a criatividade e o senso crítico, além de conhecer ou reconhecer os clássicos da literatura universal e brasileira.

Alunos durante o projeto

Para finalizar e mostrar que o estudo não precisa se limitar à sala de aula, a professora adiciona – “também realizarão uma saída como estudo do Meio – uma exposição de HQ, onde terão a oportunidade de conhecer de pertinho o universo mágico das HQs de várias épocas”.
Projetos assim são uma oportunidade de criar um trabalho final significativo para o aluno, uma obra criativa com cuja autoria os alunos se identificam, de aplicar múltiplas áreas do saber com autonomia e com vistas a realizar um trabalho e a resolver problemas. Além disso, esse tipo de projeto envolve trabalho em equipe e colaboração. Os alunos não só exploram múltiplas habilidades, mas contam com uma oportunidade de descobrir quais são as áreas em eles e os colegas se destacam ou têm dificuldades.

Alunos durante o projeto

O processo, portanto, funciona da mesma maneira que muitas profissões, cada vez mais abundantes, ligadas, de alguma forma, à criação de conteúdo e serviços digitais e que demandam o uso de várias competências distintas e trabalho em equipe.

 

Texto elaborado pelo Coordenador Carlos Eduardo de Paula

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