O destino da segurança

Colégio Humboldt

04 Setembro 2018 | 10h50

Embora o sentido da vida seja muito questionado, é possível encontrar em todo ser humano uma forte inclinação a manter-se vivo. Essa tendência involuntária e até inconsciente em perpetuar a própria existência é o princípio fundamental da segurança. Afinal estar seguro significa o mesmo que estar vivo. Nessa perspectiva, identifica-se, nas sociedades, a tentativa cada vez mais marcante de padronizar mecanismos que salientam esse valor, visando não somente à manutenção da sociedade, mas também ao desenvolvimento dos elementos nela inseridos.

 

Partindo desse pensamento, localiza-se a segurança em todos os âmbitos sociais, uma vez que ela se reproduz por meio de procedimentos e normas consideradas padrões. Não à toa, a preservação desse direito consta no preâmbulo da Constituição da República Federativa do Brasil como uma das funções do Estado Democrático, além de ser considerada, conforme consta no artigo 144, uma responsabilidade de todos. Fato que é significativo levando em conta o regime democrático brasileiro.

 

Apesar disso, evidentemente, esse caráter não se restringe somente à democracia. Até mesmo em modelos absolutistas, como o formulado por Thomas Hobbes, filósofo inglês do século XVII, a concepção desse princípio existe. Para ele, essa questão era chamada de lei da natureza, em que é estabelecida a proibição de tudo que possa destruir a vida, privar o direito de preservá-la ou omitir contribuições para esse fim, assegurando, por conseguinte, a convivência segura dentro da sociedade.

 

Assim, é notório que a própria governança abarca em seu cerne a conservação da vida e das instituições sociais. Em uma esfera global, o conceito de segurança fundamenta-se por meio da criação de organizações internacionais, tendo como objetivo unir países em torno de interesses comuns para a solução de problemas de uma área específica. Dessa forma, surgem diversas associações que, embora não têm a segurança em si como tema central, difundem-na implicitamente, uma vez que criam medidas padronizadas para que a segurança seja alcançada.

 

Tomando como exemplo a Organização Mundial do Comércio (OMC), cuja finalidade é regular o comércio internacional, pode-se inferir que, embora não faça parte da principal temática dessa organização, a segurança pode ser encontrada quando, para intermediar as relações comerciais, criam-se medidas que orientam uma conduta que visa à preservação das atividades do comércio entre os membros da OMC. O que reitera a ideia de uniformização de procedimentos de segurança, pois ao mesmo tempo em que essas organizações possuem legitimidade com as medidas que propõem, elas promovem também a adesão delas, servindo, portanto, como parâmetro para todos os países.

 

Dessa forma, a universalidade da segurança é reafirmada quando analisa-se como ela se encontra nas mais diversas áreas de uma sociedade. Transcendendo os indivíduos e sendo concebida corporativa, nacional e internacionalmente, é possível apreender a busca pela preservação dos entes em qualquer contexto, sendo essa, talvez, uma característica da vida em si. Isto é, o instinto em assegurar a própria existência pelo máximo tempo possível, tendo a consciência de que, mesmo com as condutas de segurança, a própria existência está destinada a dado momento a não mais se perpetuar.

Giuliana Mbairaktaris

Estudante de administração pela Formação Profissional DUAL e de filosofia na Universidade de São Paulo.

Texto elaborado com orientação da professora Daniella Barbosa Buttler, docente da Formação Profissional DUAL.