Orientação sexual: debate e informação para quebrar tabus

Orientação sexual: debate e informação para quebrar tabus

Do Colégio

09 Maio 2016 | 11h04

Há temas que ainda são considerados um “tabu” nas conversas entre pais e filhos, como as drogas e suas consequências, o uso do álcool e do cigarro. Mas o tema sexo continua sendo um dos assuntos de abordagem mais difícil para a maioria das famílias. Mesmo com todo o acesso à informação que se tem atualmente, situação absolutamente diversa do tempo de nossos avós e bisavós, ainda há questões desconhecidas para os jovens. Foi justamente o que os professores do Colégio Horizontes Uirapuru observaram a partir de vivências em sala de aula, e que levaram o colégio a agir.

Alunos do Ensino Fundamental e até mesmo do Ensino Médio, ao apresentaram suas dúvidas, ficavam com as faces rosadas de vergonha ou mostravam desconhecimento sobre assuntos fundamentais colocados em aulas de várias disciplinas: controle de natalidade — em Geografia; anatomia do sistema reprodutor humano — em Biologia; identidade de gênero, tema abordado em conversas de Sociologia e tantos outros.

A partir dessa percepção, o Horizontes Uirapuru decidiu implantar, há cerca de um ano, aulas contínuas de Orientação Sexual. “Desmistificar o desenvolvimento sexual na adolescência surgiu como motivação inicial para trabalhar a questão da sexualidade na sala de aula. Informamos e promovemos a reflexão sobre as escolhas que o jovem pode fazer em relação às suas descobertas e transformações sexuais biológicas e sociais”, comenta a professora Raquel Simão, responsável pelo projeto de Orientação Sexual no Horizontes.

Esta ideia foi reforçada após a publicação de um Boletim de Epidemiologia do Ministério da Saúde (em novembro de 2014). A pesquisa apontou que, nos últimos 6 anos, houve um aumento de 51% nos casos de Aids em pessoas entre 15 a 24 anos no Brasil. “Diante desta realidade, a desinformação só pode contribuir para o aumento de casos como este ou de outras doenças sexualmente transmissíveis. A gravidez indesejada, as experiências sexuais prematuras, podem acarretar graves prejuízos emocionais e psicológicos”, afirma a professora.

A proposta da educação sexual na escola é informar e criar condições para a discussão de diversos pontos de vista. Com isso, estimula-se a capacidade crítica e o raciocínio do aluno. É importante mostrar a sexualidade como algo natural e social, e incentivar o conhecimento e respeito do próprio corpo, com o intuito de acabar com os preconceitos e tabus que ainda permeiam as rodas de conversa escolares e familiares.

Alunos durante a aula de Orientação Sexual. Foto: Divulgação.

Alunos discutem sobre o uso da camisinha durante a aula de Orientação Sexual. Foto: Divulgação.

De acordo com Rogeria Toler, professora de Ciências e Química do Colégio Horizontes Uirapuru, a notícia do projeto de Orientação Sexual foi bem recebida pelos alunos que, desde o início, sugeriram temas como a primeira relação sexual, homossexualidade e transexualidade. “Ainda hoje, mesmo depois de mais de um ano de projeto, os alunos sempre ‘pedem mais’. Eles perguntam quando e como será a próxima aula, sugerem assuntos e trazem materiais”, comenta Rogeria, também responsável pelo projeto na escola.

De acordo com as metas do Horizontes, as aulas de Orientação Sexual são informativas, promovendo a reflexão sobre o desenvolvimento da sexualidade na adolescência, as transformações biológicas ocorridas no corpo, suas consequências, e também a questão da individualidade. “A informação e o conhecimento são as melhores ferramentas que temos para trabalhar. Claro, abordamos os aspectos fisiológicos, anatômicos e morfológicos dos aparelhos reprodutores, mas, sem dúvida, outros assuntos relacionados são altamente discutidos pelos alunos”, informa Rogeria.

Raquel, por sua vez, detalha o que vem sendo trabalhado em sala de aula e algumas dinâmicas de grupo: “Sempre trabalhamos com aulas expositivas, debates e blocos de perguntas anônimas, sendo que os alunos escrevem suas dúvidas em um papelzinho que será lido, e respondido, para a turma. Temos também encenações teatrais de experiências vividas no dia a dia pelos próprios alunos. Eles criam cenas de situações como cantadas, situações de homofobia, machismo, outras.”.

A professora Rogeria comenta que, além dos alunos sugerirem assuntos para serem encenados, também são usados jogos para maior interação dos jovens. “Nós também fazemos uso de jogos de tabuleiro, como, por exemplo, o Jogo do Corpo. Isso auxilia a interação dos estudantes com o assunto e os temas debatidos. Nas dramatizações, os estudantes já escolheram cinco assuntos de interesse para serem interpretados: A primeira vez, Doenças Sexualmente Transmissíveis, Gravidez na Adolescência e Métodos Contraceptivos. Eles decidem também a forma como irão apresentar a encenação”, explica Rogeria.

Já a professora Raquel Simão diz que as perguntas dos estudantes são variadas: “Elas vão desde a ‘primeira vez’ até hábitos de masturbação e transformações físicas que estão ocorrendo em seus corpos”.  E finaliza explicando, que o trabalho “caminha no sentido de desenvolver a motivação intelectual, estimular os alunos a viverem sua sexualidade de maneira saudável e esclarecida, fazendo escolhas seguras, evitando doenças e uma possível gravidez indesejada”.