O papel do Orientador Educacional

Patrícia Delázari

05 Abril 2017 | 09h05

Trabalhei por mais de duas décadas numa escola tradicional de São Paulo, e na sequência assumi a Orientação Educacional do Colégio Horizontes. Posso dizer que saí de uma escola renomada pelo seu excelente padrão acadêmico e ingressei na outra, não menos preocupada com o processo de aprendizagem, mas tida como inovadora e à frente de seu tempo, visto ser democrática e ter sua própria metodologia.

Dessas realidades decorre uma situação intransponível que tem de ser administrada pela Orientação desde o primeiro contato com os responsáveis e antes da matrícula. Faz-se imprescindível que o perfil das famílias candidatas a uma vaga para seus filhos, não conflite com o da escola. Assim é, que pais rígidos não devem matricular seus filhos numa escola mais dialogal e a pais flexíveis e com um nível de tolerância maior não é recomendável que ponham seus filhos numa escola acadêmica. Esta é uma realidade que exige ao mesmo tempo, delicadeza e firmeza ao ser transmitida pela orientação educacional.

Outras convicções que o colégio espera serem incorporadas ao pensamento do orientador, são o respeito ao ritmo, o estimulo à auto liderança e à conquista da autonomia, ao longo da escolaridade do aluno.

Esse espírito construtivista é a tônica que move todo o processo educacional no Horizontes. Isto, sem contar com a importância dada ao surgimento do envolvimento individual e do grupo, manifestado pela liberdade de posicionamento e de expressão, desde a infância até a juventude.

Como se pode ver, a Orientação Educacional, cobre um largo campo com sua atuação junto às faces que compõem o universo da educação.

Posto isto, o profissional só pode conduzir suas ações de qualquer ordem, de acordo com a estrita filosofia da escola. Portanto, há de comungar com seus princípios e para tal, antes de tudo acreditar no que está sendo proposto.

Apesar de não produzir planejamentos à imagem e semelhança da Coordenação Pedagógica, a Orientação Educacional mantém-se preocupada com a responsabilidade que assume pela rigorosa vigilância sobre as práticas didáticas e metodológicas do colégio, para que não conflitem com a filosofia e as metas que norteiam a ação pedagógica.

Para tanto, mantém um diálogo permanente com a Direção.

Semanalmente, tem reuniões individuais com os professores, para apropriar-se do desenvolvimento e da problemática dos grupos classe em geral e de cada aluno em particular, tanto no que diz respeito ao comportamento, quanto ao desempenho frente à programação. Esta é a ação que permite ao orientador avaliar a adequação do conteúdo, o ritmo em que está sendo trabalhado, bem como a forma, caso o resultado não esteja sendo o esperado. E o principal, é que estará contribuindo com a área pedagógica, fornecendo-lhe dados que facilitarão o replanejamento ou a correção dos rumos.

Também faz a ponte entre o lar e a escola desde a primeira entrevista, bem como quando se faz necessário, para garantir a assiduidade da informação sobre o modo de agir e a produção do aluno.

A transparência do que foi combinado, no primeiro contato com os pais e responsáveis tem de ser resguardada, pois é o grande trunfo, porque nada é feito sem a parceria entre o lar e a escola.

Na prática, a OE trabalha diretamente com os alunos, ajudando-os em seu desenvolvimento pessoal, em parceria com professores para compreender o comportamento dos estudantes e agir de maneira adequada em relação a eles; com a escola, ajuda na organização e realização da proposta pedagógica; e com os pais orientando, ouvindo e dialogando.

A teia de informações entre as duas principais instituições, casa e família, é alimentada por vários registros:

  • no contato telefônico e pessoal com os pais e profissionais que eventualmente trabalhem com os alunos
  • nas reuniões individuais com os professores.
  • na ata de reunião de professores em bloco.
  • nas ocorrências de toda ordem com os alunos
  • nas Reuniões de Escola Aberta aos Pais
  • nas reuniões semanais com toda a equipe diretiva e
  • ao final de cada semestre, o relatório de cada aluno da Educação Infantil

A Orientação oferece ao aluno todo instrumento teórico para a escolha segura do seu futuro profissional. Vale ressaltar também que sua prática apesar de ocorrer dentro da instituição, sua influência ultrapassa os muros da escola. Assim sendo, esse trabalho tem como objetivo fortalecer o aluno em seu protagonismo pleno como cidadão.

Depois de 12 anos fazendo parte do quadro de educadores do Colégio Horizontes incorporei ao meu modus vivendi, naturalmente, as verdades humanísticas que alicerçam e sustentam o ato de educar em todos os nossos momentos. Porque educamos, não só com vistas ao futuro, mas ao resgate do que eventualmente se perdeu no passado e principalmente, à felicidade de se viver com plenitude, o presente.

 

Ivone Strassacappa

Orientadora Educacional do Colégio Horizontes