O gosto pela leitura é um trabalho gradual

O gosto pela leitura é um trabalho gradual

Do Colégio

25 Abril 2016 | 18h02

Já se tornou lugar comum entre pais e educadores a prerrogativa de que é preciso estimular o hábito da leitura entre as crianças. Despertar o gosto pelos livros e seus encantos ainda na infância realmente é o ideal e de extrema importância. Entretanto, como resposta efetiva a esses anseios, buscam-se mil e uma alternativas sem que se ataque a origem do problema.

As crianças, exceto as inspiradas pelos familiares desde cedo, normalmente não gostam de ler. Há algumas explicações para isso – uma delas é que se o processo de ensino da leitura e da escrita foi pouco ou nada interessante, certamente as crianças acumularão bloqueios. Pior: se foi tenso, traumático, inquisidor e cheio de cobranças, a simples ação de ler pode ser uma verdadeira tortura para os pequenos.

O Colégio Horizontes Uirapuru oferece uma alfabetização desafiadora que mobiliza a criança para o ato da descoberta e da gradual competência no ler e escrever. Para as crianças de 2 anos o intuito é mostrar que o livro, tal qual um brinquedo, pode ser divertido e interessante e estimular a intelecção através da imagem. Além disso, são utilizadas publicações de diferentes formatos: dobradura, sem texto ou com histórias rápidas, para serem contadas em ritmo e entonação que despertem a atenção e, aos poucos, exercitem nas crianças a capacidade de concentração.

Outra atividade de estímulo à leitura que os alunos da Educação Infantil vivem no colégio é a rotina de trazer um livro todas as terças-feiras, quando fazem um trabalho de exploração de capa, o papel do ilustrador, dirigido à coerência do texto com as ilustrações e finalmente são estimulados a dramatizar a história.

“É uma dinâmica de trabalho importante, pois colocamos as crianças no papel do autor, criando novo final e personagens. O compromisso de trazer um livro de sua preferência, uma vez por semana, tem um papel fundamental, em princípio, porque mobiliza a família nessa ação construtiva. É um momento de extrema felicidade para elas, quando apresentam seu livro na roda e contam sobre o que ele fala”, comenta Gabriela Lian Branco Martins, Diretora do Colégio Horizontes Uirapuru.

A escola também oferece a todos os alunos uma oficina de texto, na qual desenvolvem experiências de coautoria, que permitem a cada aluno, individualmente ou em grupo, criar versão única de uma obra literária, em parceria com figuras importantes do cenário artístico e intelectual, como por exemplo, Ziraldo. A partir da versão virtual, as obras são transformadas em livros impressos.

Alunos do Horizontes em Oficina de Ilustração de Histórias. Foto: Daniel Guimarães

Foto: Daniel Guimarães

Outro incentivo aos estudantes é a Oficina de Ilustração de Histórias, a cargo de Renata Bruggemann, arquiteta e designer. Nela é trabalhada a literatura infantil por meio de imagem, mostrando a ilustração como linguagem narrativa. A oficina ainda oferece um contato com textos de qualidade, nos quais os aspectos visuais, ilustração e projeto gráfico são fatores imprescindíveis.

“O projeto forma um leitor ativo, que dialoga criativamente com o texto e a imagem, a ponto dessa leitura interferir em sua vida. Desta forma, mostramos o trabalho do ilustrador e sua importância para a literatura infanto-juvenil, pois o ilustrador é um contador de histórias, que usa a imagem no lugar da palavra”, esclarece Gabriela Lian, Diretora do Horizontes.

De acordo com a diretora, o papel da escola ao incentivar a leitura é mais desafiador hoje, pois a competição que o livro enfrenta não se restringe ao rádio, cinema e TV. A leitura também enfrenta a concorrência dos games, smartphones, tablets, redes sociais e internet. “Temos de fazer a criança perceber que na leitura se descobre um processo de imaginação e realidade não pronta. As crianças atualmente têm pouca oportunidade de criar em suas brincadeiras. Um fator de grande relevância é mostrar ao aluno que historicamente o livro impresso foi a forma encontrada pelo homem para a perenização dos conhecimentos”, comenta Gabriela.

“Sendo o livro o primeiro projeto de construção da mente, da exploração gradual e profunda dos gêneros literários, desde a história em quadrinhos até a literatura clássica, é a forma mais efetiva de contribuir para o aluno descobrir o campo de sua preferência até na escolha da futura profissão. Não importa se em dado momento da vida a escolha recaia sobre gêneros tidos como menores, porque, na verdade, eles podem ser o grande degrau na instalação do gosto pela leitura. Cabe à instituição de ensino dar aos alunos subsídios para que façam sua própria escolha”.