De volta ao passado com o caso Rosenberg

De volta ao passado com o caso Rosenberg

Do Colégio

09 Novembro 2015 | 15h52

Já imaginou o que você faria se fosse possível reviver algum fato da história? E assim, tivesse a chance de mudar algo que considerou errado? Diversos filmes já exploraram o tema com viagens no tempo e o mais famoso deles, “De Volta para o futuro”, completou 30 anos agora em outubro. Os alunos do Colégio Horizontes Uirapuru tiveram a oportunidade de reviver a história… sem a necessidade de construir uma engenhosa máquina do tempo.

Esse retorno ao passado foi feito dentro da própria escola com o “Projeto Tribunal”, que consistiu na elaboração de um novo julgamento do Casal Rosenberg, condenado à morte após a Segunda Guerra Mundial por espionagem e traição, e uniu a lógica da época ao raciocínio do jovem contemporâneo. Tudo contextualizado com a matéria apresentada em sala de aula (veja resumo do caso no final do texto).

O processo, sob a orientação dos professores Ian Félog e Suellen Girotte do Prado, foi desenvolvido com os estudantes do 2º ano do Ensino Médio, que realizaram pesquisas sobre o tema, reunião de provas, elaboração de argumentos, apresentação do documento-base do processo, síntese do caso, arrolamento de testemunhas; e, finalmente, o julgamento.

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Representante da “Defesa” expõe seus argumentos à juíza. Foto: Rodrigo Alves

A empolgação e a dedicação dos jovens estiveram presentes em todas as fases do trabalho, culminando com a simulação do grande júri, que contou com promotores e advogados da defesa. Os jurados, alunos do 3º ano do EM, e a juíza, interpretada pela professora Rogéria Toller, só tomaram conhecimento do processo um dia antes do julgamento, para garantir a imparcialidade.

No tão esperado dia, apesar da longa sessão, que durou mais de três horas, os jovens interrogaram as testemunhas, debateram as provas e expuseram seus argumentos, para convencer os integrantes do júri da necessidade da condenação, no caso da promotoria e da absolvição, pedida pela defesa. Nesse momento da sessão, alguns alunos destacaram-se com falas e posições marcantes. A profunda pesquisa feita pelos estudantes ficou evidenciada pelo elevado número de provas apresentadas, que ultrapassou vinte.

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Aluna da “Promotoria” interroga testemunha. Foto: Rodrigo Alves

Ao final, assim leu a “juíza”: “o júri declara Julius Rosenberg culpado da acusação de traição e espionagem. Desta forma, mantém a condenação de pena de morte ao réu. Em relação à Ethel Rosenberg, o júri a declara culpada da acusação de traição e espionagem. No entanto, diferentemente do marido, ela não tinha conhecimento acadêmico para saber detalhes do que datilografava. Por isso, o júri a condena à prisão perpétua e não à pena de morte, como no julgamento original”.

A dedicação, seriedade e o empenho demonstrados pelos alunos foram tantos, que os professores responsáveis pelo projeto não precisaram interromper as atividades normais de aula, pois os encontros aconteceram, por opção dos alunos, no período oposto.

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Aluno da “Defesa” questiona interrogado sob olhar atento do júri. Foto Rodrigo Alves

O professor Ian Felog disse: “fiquei surpreendido com os argumentos e fatos apresentados, alguns até então inéditos para mim, como o de o casal ter transmitido informações sobre o detonador e lentes da bomba atômica. Isso mostra que valeu muito a iniciativa, pois o intuito da atividade era realmente estimular o interesse dos alunos pela pesquisa. estou muito feliz pelo resultado do trabalho!”.

Gabriela Lian, diretora do Horizontes, que faz parte do Grupo A Educacional, afirmou estar feliz com o resultado. “Fico orgulhosa pelo que os alunos apresentaram. Tenho a certeza de que os professores compartilham da mesma opinião. A educação plena que eles recebem no Horizontes Uirapuru traz resultados concretos”.

Casal Rosenberg

Casal Rosenberg

Foto: Divulgação

Julius Rosenberg e Ethel Greenglass Rosenberg eram judeus americanos comunistas. Eles foram executados em 19 de junho 1953 nos Estados Unidos, após serem condenados por espionagem em 1951, em razão, conforme as acusações, de terem transmitido para a União Soviética informações sigilosas sobre a fabricação da bomba atômica. O caso até hoje gera controvérsias, já que outros espiões americanos não foram executados.