Criança com autismo em colégio regular? Sim! Depoimento de uma mãe

Do Colégio

08 Outubro 2015 | 10h50

O autismo, ou Transtorno do Espectro Autista (TEA), é uma disfunção de desenvolvimento que compromete as habilidades de interação social e de comunicação. Sua origem ainda é desconhecida, mas sabe-se que o autismo é permanente, ainda sem cura.

Existem diversos sintomas que podem indicar o autismo e nem sempre a criança apresenta todos. Dificuldade em comunicação verbal e não verbal, déficit de atenção, não apontar para chamar a atenção das pessoas para um objeto e alterações emocionais quando há mudança na rotina são alguns dos sintomas. A criança diagnosticada com o TEA também pode apresentar sentidos extremamente sensíveis, como se incomodar com ruídos considerados normais. Este transtorno afeta quatro a cinco vezes mais os meninos do que as meninas.

Mesmo com todo o avanço da medicina, o autismo continua sendo um distúrbio difícil para as crianças e suas famílias. Diante da descoberta do transtorno, a pergunta normalmente feita pelos pais é: como será daqui pra frente?

Hoje, com o tratamento correto, os sintomas podem melhorar consideravelmente, mesmo que alguns permaneçam com eles por toda a vida. Desta forma, a maioria das pessoas com autismo consegue conviver normalmente em sociedade.

Um ponto importante para ajudar na evolução da criança é saber como educá-la. A escola e sua rotina são fatores primordiais para o autista aprender a conviver em sociedade. Andrea Leal Ribeiro é mãe de Nina Ribeiro Sakavicius, criança diagnosticada com TEA e aluna do Colégio Horizontes Uirapuru. Ela viveu a expectativa da descoberta do autismo e as dúvidas que vieram após o diagnóstico. “A Nina entrou no Horizontes com 1 ano e meio. No final do semestre, a coordenadora me chamou e explicou que havia algo diferente com ela. Disse que não acompanhava as atividades, não comia com talheres e era muito dispersa. Enfim, vários comportamentos inadequados para crianças da mesma idade. Na época, não sabíamos do que se tratava e ela nos sugeriu levá-la para uma análise psicológica, e assim fizemos”, comenta Andrea.

“Essa percepção da escola foi muito importante para nós, pois numa fase que não tínhamos ideia do que estava por vir, ela nos deu suporte. A escola sempre foi uma grande parceira nossa. Sempre digo que uma escola inclusiva é uma escola que tem boa vontade, e o Colégio Horizontes tem. O autismo é um distúrbio ainda pouco conhecido, por isso não existe uma fórmula de como tratar, “cuidar” ou educar uma criança nessas condições. Mas na escola temos uma relação de ajuda mútua; tiramos dúvidas em conjunto e tentamos adequar a realidade de um colégio regular para as necessidades de uma criança autista”, complementa.

Hoje, Nina está com 6 anos e continua matriculada no Horizontes Uirapuru. Ela frequenta o primeiro ano, convive em plena harmonia com as outras crianças da escola e participa, sempre que possível, das atividades. Segundo Andrea, a família mantém uma terapeuta que acompanha Nina nas atividades em que ela não participa. “A profissional está junto com ela em sala de aula durante todo o tempo. Esse apoio nos ajudou bastante, uma vez que é impossível para uma professora dar conta de uma turma e uma criança especial. Ela não participa de algumas atividades, mas durante esse período ela desenvolve coisas específicas para a suas necessidades, como coordenação motora, caligrafia, dança e atividades lúdicas”.

Andrea finaliza: “tenho certeza que boa parte do sucesso que temos no desenvolvimento da Nina se deve à escola que ela frequenta. O processo de alfabetização está caminhando muito bem e estamos felizes. Ela assimila o conteúdo dentro do seu tempo, com técnicas desenvolvidas em conjunto com a terapeuta e a professora. Essa combinação do trabalho em equipe é a chave do sucesso da inclusão”.