Contra ou a favor de Dilma: desenvolver senso crítico também é tarefa da escola

Contra ou a favor de Dilma: desenvolver senso crítico também é tarefa da escola

Do Colégio

23 Março 2016 | 10h29

O debate político toma conta do noticiário nos sites, revistas e jornais do país. Cada um com seu ponto de vista sobre a situação política brasileira. Ocorre que muitas vezes a população que acompanha o noticiário fica no meio do “fogo cruzado” de opiniões. O que pode ajudar na compreensão de todo um contexto de acontecimentos? E como identificar a opinião que mais se aproxima da sua? Como encontrar fonte de informação confiável?

Para responder a estas e outras questões, o Colégio Horizontes Uirapuru oferece a disciplina Atualidades. A matéria tem o intuito de, por meio de leituras e debates, aguçar a curiosidade dos alunos e fazer com que eles aprofundem seus conhecimentos. Tudo isso para que não tenham uma opinião superficial sobre os assuntos e possam discernir cada aspecto do fato.

A disciplina tem início formalmente no 4º ano e vai até o 9º ano do Ensino Fundamental, com uma aula semanal na grade curricular. O primeiro passo é conhecer a organização de um jornal e, assim, entender o que são os cadernos, colunas, manchetes, entre outros. Na etapa seguinte, os jovens passam a trazer de casa matérias sobre assuntos específicos, todos com uma resenha. Desta forma os estudantes são estimulados a ler um veículo de comunicação, pelo menos uma vez por semana.

Além desta aula semanal, o cotidiano nacional e internacional é discutido de maneira transversal, em outras disciplinas, como biologia e ciências, nas quais, entre outros, o debate já alcançou o problema do aumento de casos de dengue no país.

José Augusto de Aguiar, professor de Atualidades e Redação, comenta a importância e o objetivo da disciplina: “O senso crítico é desenvolvido, sobretudo, nos debates e conversas em aula, o que ajuda na construção da opinião própria. O trabalho foca no combate à alienação, que os aparelhos digitais trazem a muitos alunos”.

José Augusto diz que busca a interação com os jovens, e dos alunos entre si, durante as aulas. O professor exibe reportagens em vídeo, pausando para questionar os alunos e estimular o debate: “Divido as aulas em algumas vertentes e estratégias. Exibo as reportagens sobre uma temática atual da cidade, país ou do mundo, e durante essa exibição, paro para perguntar a opinião deles”.

Segundo o professor, outra forma de trabalhar o debate em sala é pedir que os alunos façam uma pesquisa sobre determinado assunto. No início da aula, ele divide a turma em grupos para que troquem informações e reflexões, com o intuito de enriquecer e fundamentar suas opiniões. Na sequência, cada grupo apresenta seu ponto de vista sobre o tema.

Além dessas dinâmicas, o professor pede para que os alunos pesquisem em casa notícias e reportagens de uma editoria determinada (cultura, política, economia, tecnologia, educação, saúde, esportes). Os jovens, então, fazem um pequeno resumo opinativo. José Augusto conta que pede para que os alunos deem uma opinião bem construída e aprofundada, que fuja do mero “legal” ou “interessante”.

“Insisto que percebam o valor de buscar boas fontes jornalísticas. Seja na TV, internet, jornais ou qualquer outro veículo de mídia. Peço também que procurem mídias e jornalistas com visões opostas ou diferentes sobre determinados temas”, finaliza o professor.

Aluna do 9º ano do Fundamental, Vitoria Capelli relata: “consigo expressar o que penso da minha maneira. Isso ajuda a diversificar as formas de pensamento, o que é muito importante para o nosso crescimento”.

As estudantes Rafaela Vasquez e Vitoria Capelli fraquentam as aulas de Atualidades no Horizontes. Foto: Divulgação

As estudantes Rafaela Vasquez e Vitoria Capelli frequentam as aulas de Atualidades no Horizontes. Foto: Divulgação

Rafaela Vasquez, do 8º ano do Fundamental, diz que a disciplina a ajudou a expor sua opinião: “Essa matéria ajuda muito. Ela nos faz definir uma linha de pensamento próprio. Depois que comecei a frequentar as aulas, passei a ter o hábito de pesquisar e me informar sobre os assuntos de meu interesse, como temas culturais, sociais, políticos e escolares”.

A adolescente comenta que a aula também auxilia em outras matérias e, até, nas mídias sociais – “Consigo desenvolver um texto de geografia, por exemplo, com muito mais facilidade. Além disso, sou capaz de debater e argumentar com muito mais embasamento nas redes sociais”, completa.

Estas aulas são desenvolvidas de tal modo, que o mais importante seja a construção gradual do respeito ao pluriculturalismo ideológico e religioso.