A Ética e as Redes Sociais

Patrícia Delázari

23 Março 2017 | 08h57

Hoje é impossível manter-se alheio ao mundo digital que nos cerca. Foi-se o tempo em que o Orkut era uma novidade, antes da avalanche do Facebook a partir de 2004.  Na época temido por muitos, um mundo novo que despontava e urgia ser desvendado nas redes sociais, que em seu início, vieram para participar de alguma forma da vida alheia e como meio de comunicação em tempo real.

Quantas vezes o Facebook oportunizou a invasão da vida de alguém, para ver o que dizia a respeito de determinado assunto? Até que ponto isso pode ser considerado saudável? Estudos mostram que, em alguns casos, é mais difícil resistir às tentações do Facebook e do Twitter do que dizer não ao álcool e ao cigarro. Logo se percebeu que a par das vantagens que eram oferecidas, a privacidade estava em risco.

A gama de redes estendeu-se e passou a se destinar ao exercício de aproximar interesses dos mais diversos, tecer uma teia de comunicação com conhecidos, resgatar velhas amizades, trocar arquivos de música, de filmes, de literatura, jogar e até encontrar o amor em uma rede social.

O grande passo foi dado na busca de emprego, onde os recrutadores atentos, certamente passaram a pesquisar o perfil do candidato nas redes à disposição, antes de fazer qualquer contratação. Portanto, houve necessidade de se pensar em como queremos que nos enxerguem. Por isso, aqui no Horizontes, nas aulas de Orientação Profissional, Empregabilidade e Empreendedorismo abordamos enfaticamente, na 1ª e 2ª séries do Ensino Médio, como eles devem apresentar seu perfil em qualquer circunstância e principalmente quando vão entrar no mercado de trabalho.

Os alunos são alertados sobre as consequências do vício em selfies, das críticas mal-humoradas, bem como do excesso ou ausência de postagens, que podem desgastar a imagem do indivíduo. Na era da liberdade de expressão, principalmente na internet, mesmo se for no perfil social, uma conduta não condizente com os princípios vigentes ou do empregador pode levar a uma demissão por justa causa. Isso tudo, sem contar com o término de relacionamentos.

O Colégio Horizontes, que nasceu na década em que o computador firmou sua caminhada, também tem a preocupação de manter um diálogo saudável com seus alunos no que tange às redes sociais, chamando e orientando sempre que são detectados comportamentos fora do padrão, pois a convicção que tem e segue é a dada pela ética, que deve reger a sociedade.

A relevância desse acompanhamento é observada obsessivamente pela escola a despeito da vigilância que é envolvida basicamente pelo acolhimento. Nas questões que merecem cuidado, o mais importante é que mantém uma teia de relação sempre aberta com as famílias, na troca de informações atualizadas do uso na escola, extensivos ao uso no lar.

Parafraseando Cabral de Melo Neto… Uma andorinha só não faz verão.

A grande verdade está na imprescindível a parceria entre o núcleo familiar e o educacional, visando ao fortalecimento cada vez maior e natural da ética no âmbito digital.

 

Patricia Delázari

Coordenadora de TI do Colégio Horizontes