Organizar família e trabalho: o horário de atendimento dos berçários é suficiente?

Organizar família e trabalho: o horário de atendimento dos berçários é suficiente?

Espaço da Vila

12 de abril de 2019 | 15h24

Nem todas as creches e berçários têm horários de atendimento que atendem às demandas das famílias, o que torna praticamente impossível organizar a família e o trabalho sem a necessidade de uma intensa rede de apoio, ou de berçários que oferecem horários mais flexíveis

Como você faz para organizar a família e o trabalho? Como é a rotina para preparar lanches, pensar em almoço e jantar, organizar as idas e vindas das crianças aos berçários e ainda conseguir trabalhar? Você acha o tempo de atendimento do berçário suficiente? Para grande parte das famílias, a resposta é: não!

Essa é uma das dificuldades mais recorrentes das famílias que procuram berçários para seus filhos. Geralmente, escolas de educação infantil e berçários atendem por volta de 4 a 5 horas por período. Para estender o horário, o pagamento de horas extras geralmente é caro.

Um cuidado a mais

Foi pensando nessas dificuldades apresentadas pelas famílias que o berçário e escola infantil Espaço da Vila, no Butantã, passou a oferecer um atendimento de 0 a cinco anos de idade, de até 12 horas – das 7 às 19 horas. O período é de 12 horas no período integral e 6 horas no meio período. O valor da mensalidade inclui a alimentação (lanche, almoço e jantar) e atividades extras – música, teatro e corpo & movimento.

Para a especialista em primeira infância e diretora do Espaço da Vila, Ana Paula Yazbek, “ a escola ser parceira das famílias é o ponto mais importante para o desenvolvimento de um bom trabalho na educação da primeira infância. Precisamos colaborar com as famílias, para que tenham tempo hábil para suas tarefas diárias, sem que abram mão da boa educação dos filhos e da qualidade do tempo que estão juntos em casa”, diz.

Esse é um dos pontos muito positivos do Espaço da Vila, segundo a jornalista Paula Felix, mãe do João (3), que frequenta a instituição no período da tarde. “Não sei como faria com o meu filho se tivesse que buscá-lo às 17, 17h30. Com muito esforço, eu saio da Vila Mariana neste horário e chego quase 19 horas no Espaço, no Butantã. Talvez tivesse que pagar transporte e mais uma pessoa para ficar com ele à noite até eu chegar, já que meu companheiro também trabalha até tarde”.

Quando não contam com a flexibilização de horário do berçário, necessitam de uma rede de apoio. Sem um berçário que as apoie na equalização da rotina, as famílias têm de contar com uma rede de apoio, avós, amigos, revezamento entre pais e mães, ou mesmo funcionários contratados.

É o que mostra a analista de sistemas, Paloma Vieira, mãe de dois filhos, Lucca (4) e Bella (1). Na escola de seus filhos, na zona sul de São Paulo, o horário é das 8 às 12 (com tolerância de 30 minutos). O restante é cobrado como hora extra, mas apenas até às 16 horas. “Mas a hora extra é muito cara. Preferi ter uma pessoa em casa. Trabalho fora e meu marido também. Então, elas ficam com a babá até eu chegar. Seria perfeito se a escola oferecesse um horário mais flexível, por um preço também acessível.”, lamenta.

A bancária Thatiana Mendes Baltazar, que trabalha em tempo integral, assim como seu cônjuge, pode contar com essa rede de apoio dos familiares, que é rara. Sua filha, que estuda no período da manhã (também até às 12 horas), conta integralmente com a ajuda de sua mãe, todos os dias, para o período complementar até a volta do trabalho. “Minha mãe cuida e ensina também, além de me ajudar com a casa e quando me atraso para sair do trabalho. Apesar disso, eu gostaria que o tempo total da escola fosse maior do que é.”

Ida ao berçário versus cuidados em casa

Para Ana Paula Yazbek, mesmo quando o pai ou a mãe não trabalham fora, é complicado, à medida que as crianças crescem, conseguir oferecer um cotidiano diversificado em casa. Ir ao berçário possibilita um convívio com outras crianças e a vivência com propostas diferentes das que ocorrem no ambiente familiar. “Há uma diferença significativa entre deixar a criança com uma babá ou num berçário. O berçário é um espaço em que profissionais e especialistas em infância atuam com as crianças, pensam sobre o cotidiano, favorecem suas conquistas, cuidam de sua alimentação, higiene e descanso. É um local em que há a possibilidade de convívio mediado com outras crianças, ingresso em propostas culturais que ampliam os repertórios e as vivências das crianças. Além de favorecer o apoio e diálogo aos pais e mães quanto às questões e dificuldades que enfrentam no dia a dia com as crianças”, conclui.

Ana Paula Yazbek é especialista em educação de crianças da 1ª infância; mestranda da Faculdade de Educação da USP; Formadora de educadores em primeira infância com trabalhos pelo Instituto Avisa Lá e Centro de Estudos da Escola da Vila e diretora pedagógica do Espaço da Vila, berçário e escola infantil

Sim, é no berçário que a educação e a alimentação saudável começam