Ler para bebês e crianças: o mediador como ponte para o mundo mágico da literatura

Ler para bebês e crianças: o mediador como ponte para o mundo mágico da literatura

Espaço da Vila

27 de maio de 2019 | 12h25

Ler para bebês e crianças pequenas é de fundamental importância. Inserir a leitura o mais cedo possível na vida deles é um consenso quando se fala em formação de leitores. A primeira infância é um período basilar no aprendizado do ser humano, pois o cérebro está mais plástico e receptivo. Mas além desses pontos, ter convivência com os livros desde cedo tem inúmeros outros impactos na trajetória de vida de todas as pessoas.

Com o tempo escasso do dia a dia, as vezes é difícil destinar tempo de leitura com as crianças. Mas esses momentos são essenciais e os mediadores (a família, a escola ou o cuidador) são os que podem despertar o interesse para o mundo espetacular da leitura: uma narração entusiasmada, amorosa e lúdica cria pontes para a linguagem e para a literatura, mas também, cria vínculos amorosos e espaço de segurança para os pequenos.

Criança lendo

Letras e melodias

Para a escritora colombiana, especialista em formação de leitores, Yolanda Reyes, a narração das histórias contadas pelos adultos em voz alta é o primeiro contato da criança com a melodia da língua, ritmos e sotaques. “É uma necessidade vital, talvez evolutiva. A literatura é fundamental porque é a língua em sua versão mais rítmica. Tanto que a poesia é fascinante para a criança”, afirmou à estudiosa ao Blog Era outra vez, do Jornal Folha de São Paulo.

Dessa forma, a canção de ninar se apresenta primeiramente na vida dos pequenos com sua melodia poética, e atua de forma significativa ao envolver as crianças com palavras que acalentam e, ao mesmo tempo, dão um sentido de separação. Posteriormente, os livros e histórias narradas devem ser inseridos de forma mais consciente e consistente. Reyes confirmou a importância de os livros estarem presentes na vida desde muito cedo, e antes mesmo dos anos de alfabetização escolar. Na verdade, o ideal é que as famílias leiam para os bebês desde o nascimento (e porque não até antes do nascimento, ainda na barriga?).

A importância do mediador

O mediador é essencial no processo de apresentação da linguagem à criança. Além de ser um momento de criar vínculos familiares e afetivos, a presença dos livros em casa e na rotina das crianças (no berçário, por exemplo) é fundamental para o desenvolvimento da linguagem e para o interesse futuro com os livros e a leitura, ou seja, na formação de leitores.

Lendo para criança

Desta forma, muito mais que livros de borracha e cheio de apetrechos, o mais importante são outros, que tenham histórias com melodia e ritmos e que sejam contados pelos adultos, com amor e entusiasmo. Como um espaço de brincadeiras, deve ser um momento de entrega, de fantasia e ludicidade e um tempo de prazer, estímulo e aconchego. O narrador dessas histórias é quem fará a ponte para o mundo da linguagem, mas também quem pode trazer uma entonação à história que estimule o universo mágico da literatura para seus interlocutores.

O papel do berçário na formação de leitores

No Espaço da Vila, os livros fazem parte da rotina das crianças e envolvem os projetos realizados semestralmente. O espaço de leituras e contação de histórias é diário e diversificado (as educadoras contam histórias em outras turmas), é e sempre um momento de prazer, esperado pelas crianças.

Neste semestre, a Turma 1 (manhã e tarde) está trabalhando com o projeto Lá vem história, em que cada criança adquiriu um exemplar do livro O Animal mais feroz. O projeto tem proporcionado o interesse da leitura pelas crianças mas, também, o compartilhamento desses momentos de leituras. Além disso, para estimular trocas, as famílias da turma estão fazendo visitas ao Espaço, cada uma com um livro diferente, para contar a história desses livros à turma. Os projetos como esse estimulam que as próprias crianças demandem mais leitura em casa, interessadas por histórias diferentes contadas de formas diferentes, e também, relembra as famílias da importância e da delícia desses momentos com as crianças, que sempre surpreendem os adultos (quando, por exemplo, elas sentem falta de trechos não contados, ou quando narram junto a história que gostam muito, demonstrando que estão extremamente atentas ao momento da leitura).

menina lendo

A turma 4 (manhã e tarde) está trabalhando neste semestre com trechos de poemas de Manuel de Barros. No início do semestre, as famílias foram convidadas a visitar a exposição sobre o poeta, que esteve em cartaz no Itaú Cultural. A atividade, mais uma vez, estimula as famílias e as crianças ao gosto e leitura dos poemas, ampliando seus repertórios.

A poesia também foi trabalhada no ano passado nas turmas 4. As crianças leram poemas de Cecília Meireles, Vinícius de Morais, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Pedro Bandeira e Emicida e, no final do ano, levaram para casa um caderno com as poesias para recitarem com suas famílias. Mas muitas delas já reconheciam os poetas e sabiam recitar seus poemas de cor.

Como afirmou Yolanda Reyes, as crianças são ávidas por histórias, letras e melodias. Só precisam do estímulo correto.

 

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