Quem é cada um de nós na cidade?

Quem é cada um de nós na cidade?

Conteúdo - Escola Viva

09 Junho 2017 | 16h39

A Escola Viva opta por fazer, com a 1ª série do Ensino Médio, um estudo do meio imersivo no Centro de São Paulo de três dias e duas noites (este ano, entre os dias 24 e 26 de maio), que permite a reflexão coletiva e individual de como a metrópole de São Paulo se constituiu e reconstitui em uma dinâmica em que os elementos históricos, espaciais, culturais e sociais interagem e se condicionam a todo o momento.

Compreender a forma como a cidade apresenta suas questões, como as metrópoles são (des)organizadas e se (re)organizam, nos permite perceber os rumos e dilemas de uma época, sobretudo no que se refere à essência da própria existência humana.

O estudo do meio começa com os alunos pegando o transporte coletivo rumo à Praça da Bandeira ou o Largo São Francisco. Nesse percurso pela avenida Nove de Julho, os alunos começaram a entender a geomorfologia da cidade. Ir ao centro de São Paulo por esse caminho é retomar o deslocamento que se fazia pelo Rio Saracura.

Pátio do Colégio, Várzea do Tamanduateí, Praça do Patriarca, Igreja São Bento. O interessante desse percurso é compreender como a cidade revela diversos tempos históricos – novo, antigo, moderno – que se misturam! A arquitetura da cidade também revela: parece que São Paulo tem problemas para incluir as pessoas… o grupo de alunos ficou sensível à exclusão.

  

A noite é marcada pela apropriação de uma cidade que não conhecemos: a vida noturna para as culturas juvenis. Os alunos são divididos em três grupos:

O primeiro grupo percorreu o centro de São Paulo de bicicleta. O segundo ocupou a praça Roosevelt, respeitando a diversidade, e praticou skate e parkour. E o terceiro grupo entendeu como a cidade sofre intervenções, fazendo grafite naquilo que não consegue dar sentido.

    

São Paulo nos convida a pensar sobre o encontro de culturas, povos, tribos e pessoas. Olhar a diferença no cotidiano da cidade é se perguntar: o que precisamos fazer para a cidade ser de todos? Com essa intenção, no segundo dia de estudo do meio, os alunos visitam o COPAM, a Biblioteca Mário de Andrade e o Mercado Municipal.

Percorrer esses espaços sensibiliza para a reflexão sobre como o eixo temático da 1ª série do Ensino Médio – “Identidade e Representações: Somos quem queremos ser?” – coloca a necessidade de entender a dinâmica dos espaços. Esta compreensão fez com que nossos jovens desejassem manifestar artisticamente um incômodo com o nosso momento, humanizar o outro, implica em nos humanizar. A intervenção artística na Praça da Sé foi a forma que os jovens encontraram para revelar esse incômodo com a desumanização que vivemos. Veja o registro dessa intervenção:

O terceiro dia é dedicado a entender a relação entre a memória e a resistência, e como ela revela a construção da cidade. Os alunos visitam a Estação da Luz / Júlio Prestes e uma ocupação de pessoas que lutam por moradia e dignidade, a Ocupação Mauá. Lá, encontramos jovens e crianças que anseiam por uma vida melhor. Estar na ocupação deixa marcas da não inclusão que nossa cidade, mais uma vez, revela.

Os saberes escolares possibilitam uma compreensão dos fenômenos presentes em nosso cotidiano. Estar com a Escola no Centro de São Paulo é interessante quando registramos as informações, as marcas da cidade e as impressões que nos ajudarão – de volta para a Escola – a entender como o diálogo com a cidade auxilia na compreensão do ser paulista, do ser cidadão paulistano. O conteúdo elaborado na Filosofia, nas Linguagens da Arte, na História e na Geografia e nos eixos temáticos que estruturam a 1ª série do Ensino Médio da Escola Viva: ‘Identidade e representações: somos quem queremos ser?’ e ‘A tecnologia nos desumaniza?’ norteia a discussão sobre como construímos nossas identidades.

Entender que os passos apressados e descompassados podem esconder, às vezes, de maneira poética, em outras, de forma dramática, que a metrópole do século XXI (e São Paulo revela isso!) é, na verdade, um espaço em disputa, uma disputa em que a felicidade de alguns não inclui a felicidade de todos.

A ideia é que, neste encontro com a cidade, os alunos possam conhecer os sonhos e desejos de pessoas que, em suas expressões, práticas e proposições de trabalho, se propõem a tornar São Paulo uma cidade inclusiva, onde a empatia pelo outro chegue aos corações de todos.