Benefícios de estimular a autonomia na infância

Benefícios de estimular a autonomia na infância

Colégio Bis

22 Fevereiro 2018 | 10h27

Muitas vezes consideramos as crianças tão pequenas e frágeis e esquecemos de avaliar o fato de que elas possam realizar suas próprias tarefas. Seria possível elas terem autonomia desde cedo?

Um estudo realizado na Universidade de Montreal com 78 mães e filhos mostrou que, quando a autonomia é dada às crianças, há um impacto positivo na função executiva – um dos pilares do desenvolvimento cognitivo.

É importante ressaltar que essa função engloba a memória de trabalho, o raciocínio, a capacidade de resolução de problemas e a flexibilidade de tarefas, além da capacidade de planejamento e execução de atividades. Além disso, a autonomia infantil representa uma condição imprescindível para a construção da personalidade da criança, permitindo que, futuramente, ela possa resolver conflitos de forma crítica e assertiva.

A autonomia não está somente relacionada à habilidade de fazer as coisas por si, mas também está diretamente ligada ao desenvolvimento da consciência moral, o que possibilita que façam suas próprias escolhas, tomem decisões e busquem seus sonhos e desejos.

 

AUTONOMIA EM CASA

Dependendo da idade da criança, a mudança de alguns hábitos é interessante para que ela comece a ter mais liberdade em sua rotina. Muitos pais, na ânsia de cuidar e de proteger seus filhos, acabam não permitindo que a criança desenvolva sua própria autonomia no dia a dia.

A partir de dois anos é possível ensinar a criança a se alimentar sozinha, a pedir água quando sentir sede ou a ir ao banheiro quando tiver vontade.

O estímulo de proporcionar a autonomia em casa ajudará a criança a se adaptar mais rapidamente quando ingressar na escola, pois ela já saberá como guiar as suas próprias necessidades sem que um adulto precise estar a todo o momento presente. Claro que nessa faixa etária a presença dos educadores e pais enquanto a criança come, bebe ou vai ao banheiro, por exemplo, é importantíssima, já que elas precisam ser supervisionadas para que fiquem em total segurança.

REGRAS E HÁBITOS

De acordo com o estudo do cientista suíço Jean Piaget, a criança tem um raciocínio diferente do dos adultos, principalmente no que diz respeito à inserção de regras, valores e símbolos. Essa internalização acontece de forma gradual até que ela consiga alcançar a maturidade psicológica.

Segundo Piaget, nos primeiros anos de vida as crianças conferem legitimidade às regras e valores determinados pelos adultos, já que elas mantêm vínculos afetivos com eles, especialmente pais e educadores. Nesse sentido, somente quando a criança domina a chamada “moral autônoma” é que ela conquistou a maturidade necessária para compartilhar regras e discuti-las com as outras pessoas.

Por isso, durante toda a Educação Infantil é importante encorajar o aluno a realizar pequenas ações individuais e estimulá-lo a se socializar com os colegas. É muito importante explicar todas as ações de cuidado e valorizar quando a criança expuser suas preferências.

 

CONSCIENTIZAÇÃO COMO CIDADÃOS

Com o passar dos anos, as crianças vão aprimorando cada vez mais a autonomia, principalmente sobre a capacidade de fazer escolhas. De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, “o exercício da cidadania é um processo que se inicia desde a infância, quando se oferecem às crianças oportunidades de escolha e de autogoverno”.

Diante dessa realidade, pais e educadores que centralizam as decisões estão, na verdade, impedindo que a criança desenvolva aprendizagens relacionadas à identidade e à autonomia.

Para a terapeuta ocupacional Lara de Paula Eduardo, em entrevista ao portal Educar para Crescer, “estimular uma criança a fazer suas próprias escolhas é diferente de deixá-la mandar”, explica a especialista. Por isso, vale aplicar atividades, tais como a organização da sala de aula ou dos brinquedos, além de oferecer a cada criança uma diferente função.

Dessa forma, é possível proporcionar momentos importantes para o desenvolvimento da autonomia e da socialização e despertar nas crianças a consciência de que todos nós temos que exercer o nosso papel de cidadãos na sociedade, começando em casa e na escola.