Mia Couto conversa com alunos do Colégio Agostiniano São José
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Mia Couto conversa com alunos do Colégio Agostiniano São José

Vanessa Rabello

20 Abril 2018 | 16h20

 

No dia 18 de abril, o Colégio Agostiniano São José recebeu o escritor e biólogo moçambicano, António Emílio Leite Couto, mais conhecido como Mia Couto.
O autor esteve no Brasil para o lançamento de sua mais recente obra, o Bebedor de Horizontes, o último livro da trilogia As areias do Imperador.
Mia Couto conversou com os alunos dos oitavos e nonos anos, faixa etária escolhida, pois é a fase escolar na qual o estudante caminha para o entendimento dos diferentes estilos e recursos linguísticos, usados pelos autores, sem deixar de lado as práticas de leitura.

Em um bate-papo descontraído, o autor respondeu perguntas dos jovens sobre sua vida, obra, Brasil e África. Mia alertou os alunos sobre as informações encontradas na internet, a veracidade dos fatos e a importância da leitura: “É muito importante ler, nunca deixe que a televisão ou os tablets substituam os livros. O livro tem que criar prazer.”
Quando questionado quanto às suas obras mostrar a realidade de seu país, o escritor relatou que as pessoas tinham medo de falar sobre a guerra, com receio de recriar o conflito, mas enfatizou que a literatura tem uma função social e, por mais difícil que seja, os livros têm o papel de reconciliar as pessoas com o seu passado.
Ao falar de suas obras, Mia Couto contou que uma das principais motivações para escrever é a possibilidade de dar voz aos excluídos, aos que ficam à margem da sociedade e com isso, não têm voz. Ainda sobre o tema, o autor ressaltou que “Um escritor não tem profissão, o escritor está sempre começando, é uma paixão, é um amor e o amor não tem carreira”.
Terra Sonâmbula, seu primeiro romance publicado em 1992, foi, segundo o autor, uma de suas obras mais difíceis de escrever, pois Moçambique enfrentava uma guerra civil que durou dezesseis anos e mais de um milhão de pessoas morreram no conflito.
Os alunos questionaram sobre a divulgação de seus livros em nosso país. Mia contou que há quinze anos era muito difícil livros africanos entrarem no mercado, mas hoje o acesso é mais fácil. Destacou que “O Brasil é um país cheio de força e que tem uma projeção mundial, mesmo que agora esteja passando por um momento difícil. Vocês são um exemplo para o mundo, cujos os olhos estão voltados para o Brasil”.
Sobre os próximos planos em sua trajetória, o autor afirmou que trabalha no momento em sua próxima obra, livro que faz uma volta à sua infância, época de aproximação do fim do período colonial em Moçambique.
Mia Couto proporcionou uma manhã de enriquecimento cultural aos alunos do Colégio Agostiniano São José e deixou um conselho aos futuros escritores: “você não é escritor, não está no DNA. Ser escritor implica fazer uma viagem pelos outros. O grande prazer é fazer e não esperar o que vem depois, o grande sucesso não é ser famoso, é ter o prazer em escrever”.