Um roteiro básico para estudar no exterior

Um roteiro básico para estudar no exterior

Andrea Tissenbaum

27 de dezembro de 2018 | 09h33

Um roteiro básico para estudar no exterior | Foto: Pxhere, CCO license

Um roteiro básico para estudar no exterior | Foto: Pxhere, CCO license

Dúvidas sobre o que é necessário fazer para estudar fora do Brasil são comuns. Organize seu projeto, afinal, 2019 está chegando!

Se você quer estudar no exterior, saiba que a organização do seu projeto é fundamental. Comece os preparativos com pelo menos um ano de antecedência, já que a maioria dos processos são longos e exigem tempo e dedicação. Mas não se intimide, pense neste esforço como um investimento futuro.

1 – Comece por definir o que quer fazer no exterior 
Entender o que você quer fazer é fundamental para dar sequência aos seus objetivos. Veja alguns exemplos de cursos e experiências que você pode ter lá fora:
– Intercâmbio universitário
– Graduação completa
– Especialização
– Pós-graduação: MBA, mestrado ou doutorado
– Cursos de curta duração (idiomas ou temas específicos)
– Turismo educacional / Mochilão

2 – Analise seu perfil como estudante
Como foram/são suas notas, seu desempenho e dedicação? Quais são suas habilidades e interesses? Como você é como pessoa?
Compreender seu perfil vai ajuda-lo a fazer melhores escolhas e descobrir onde poderá se desenvolver melhor como estudante e como pessoa. Autoconhecimento é fundamental para estudar no exterior. Faça uma análise pessoal de sua trajetória. Converse com professores e outras pessoas que possam te avaliar.

3 – Em que idioma estudar? 
Costumo sugerir que é sempre melhor ir para um país no qual o aluno vai estudar em uma língua que já domina. Além disso, como a maioria das instituições de ensino exigem uma prova de proficiência, inclusive para cursos de verão ou de curta duração, não vale a pena correr riscos desnecessários.
Se você quiser aprender um terceiro idioma, poderá fazer isso durante o seu tempo no exterior. As universidades costumam oferecer cursos gratuitos ou a um custo muito baixo.

4 – A condição financeira: eu quero vs. eu posso
Quando o assunto é dinheiro, ter os dois pés no chão é fundamental. Até porque isso será um fator de peso na escolha da cidade e da instituição de ensino onde quer estudar. Normalmente a estimativa de gastos fica em torno de 800 a 1.200 dólares/euros mensais. Eu sei que essa quantia é bastante considerável quando pensamos em reais, mas no exterior ela é sinônimo de uma vida bem modesta. É bastante normal estudantes se virarem com um orçamento mais restrito.

5 – Em quais instituições de ensino gostaria de estudar?
Aqui é imprescindível que você faça um combinado do seu perfil, interesses e desempenho acadêmico. Navegue pelos sites, entenda os programas oferecidos, as exigências e as expectativas. Avalie as experiências de outros estudantes e quando possível, converse com eles – alguns sites oferecem essa possibilidade. Converse também com consultores especializados para definir melhor suas escolhas. Visite as feiras de intercâmbio para tirar suas dúvidas com representantes das instituições de ensino. 

Importante: Para os que querem fazer uma especialização ou pós-graduação o processo é diferente, já que as escolhas estão relacionadas com uma área de interesse profissional específica. Conheça as escolas que preenchem as suas necessidades acadêmicas, investigue os programas e o corpo docente. Fale com seu orientador e com professores que te acompanharam e te conhecem bem. Assim poderá definir com mais segurança para onde deve se candidatar.

6 – Escolha BEM a cidade onde quer viver ou prepare-se para o seu destino
Embora nem sempre seja possível ir exatamente para onde queremos, é importante ficar atento a esse “detalhe”. Até para você se preparar, caso tenha que viver em um lugar que não era sua primeira escolha.
Estou falando de questões simples como preferências pessoais: grandes centros urbanos vs. cidades pequenas, frio vs. clima mais ameno. Pesquise os lugares, saiba como é o cotidiano de um estudante por lá e quais são as possibilidades fora da sala de aula. Converse com pessoas que moram ou já moraram nesses locais. Sua experiência internacional será muito mais rica se estiver mais preparado para a sua chegada.

7 – Tente uma bolsa de estudos
A oferta de bolsas é imensa e muita gente consegue estudar fora com apoio integral. Pesquise os sites das universidades e as inúmeras bolsas oferecidas mundo afora. Leia pacientemente tudo que cair nas suas mãos.
Para quem quer fazer cursos de idioma ou de curta duração, a possibilidade de conseguir uma bolsa de estudos é mais difícil, mas volta e meia aparecem oportunidades e concursos interessantes. Lembre-se, quem é persistente acaba conseguindo. Não se intimide, tente!

8 – Inicie sua candidatura 
Uma vez definidos todos os quesitos acima, você poderá dar início ao seu application. Alguns processos são bem simples e não exigem nenhuma documentação especial. No entanto, para cursos mais prolongados, as demandas mudam. Você certamente precisará traduzir seu histórico escolar e diploma, fazer exames, preparar seu currículo e preencher formulários. Também terá que escrever um short essay ou personal statement e, em muitos casos, solicitar cartas de recomendação de professores ou profissionais que te conheçam bem.

Para graduação nos Estados Unidos, os exames mais comuns são o SAT e o ACT. Em Portugal e no Canadá o ENEM é aceito por diversas universidades. Para a pós-graduação, quase todas as universidades americanas exigem o GRE ou o GMAT. Não é à toa que você precisa de tanta antecedência para se preparar!

Fundação Estudar (graduação) e o EducationUSA (graduação e mestrado) oferecem apoio e cursos preparatórios para quem quer estudar no exterior. As inscrições estão abertas, faça a sua!

9 – Organize seus documentos 
Uma vez aprovado e matriculado na instituição de ensino, você vai ter que cuidar de assuntos burocráticos como passaporte, visto de estudante, passagem aérea e seguro de saúde.
Confira se o seu passaporte estará valido pelo tempo em que vai ficar fora. Com a carta de aceitação da instituição de ensino em mãos, procure o consulado do país que emitirá seu visto de estudante e dê entrada nos papéis. Compre suas passagens com calma, os preços variam muito e a oferta é grande.
Se você tem dupla-cidadania, lembre-se que precisará dos dois passaportes para poder viajar.

10 – Prepare a sua bagagem
Desapegar é difícil, mas menos é mais. Como não dá para levar tudo, foque no que realmente vai precisar e no que vai usar. Viajar com a bagagem leve é muito bom, deixe aqui o que pode esperar por você.

Boa jornada e feliz 2019!

Andrea Tissenbaum, a Tissen, escreve sobre estudar fora e a experiência internacional. Também oferece assessoria em educação e carreiras internacionais.
Entre em contato: tissen@uol.com.br

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