Porque é tão bom estudar no Canadá

Porque é tão bom estudar no Canadá

Andrea Tissenbaum

14 Novembro 2018 | 09h44

Estudar no Canadá | Foto: abdallahh, via Flickr

Estudar no Canadá | Foto: abdallahh, via Flickr

Riccardo Savone, embaixador do Canadá no Brasil e Stéphane Larue, Cônsul Geral do Canadá em São Paulo contam detalhes sobre como é estudar e viver nesse maravilhoso país.

Destino preferido de muitos estudantes brasileiros há alguns anos, o Canadá oferece as melhores experiências educacionais. De fato, 27 instituições de ensino canadenses estão ranqueadas entre as melhores do mundo no World University Rankings 2019 do Times Higher Education.  

Além disso, em 1971, o Canadá adotou o multiculturalismo como política de estado e, até hoje, o bom convívio com a diversidade cultural é uma de suas marcas.

Riccardo Savone, embaixador do Canadá no Brasil, reforça esses fatos. “Estudar no Canadá é uma experiência fantástica, especialmente porque somos um país multicultural com uma população diversa, no qual as pessoas compartilham suas experiências de vida. Estudantes de diversas partes do mundo se sentem em casa quando chegam ao nosso país.

O Canadá e o Brasil compartilham uma história de multiculturalidade, então quando estudantes brasileiros chegam lá, não importa em que cidade, se adaptam facilmente à nossa sociedade.

Nós oferecemos os mais diversos programas educacionais em dois idiomas oficiais, o francês e o inglês. Os alunos brasileiros escolhem em qual deles querem estudar e podem aprender ou melhorar sua fluência na outra língua enquanto estão na universidade.

Também temos uma cultura de pesquisa e desenvolvimento. Devido ao nosso sistema de educação pública e ao apoio do governo, somos um país que valoriza o pensar e a investigação em todas as áreas. Estamos no topo da lista quando se trata de parcerias entre organizações orientadas para a pesquisa e as universidades, uma realidade que acontece em todo o território canadense.

Além disso, em comparação com outros destinos, nossos programas de altíssima qualidade têm um custo relativamente baixo. No Canadá, os alunos podem trazer sua experiência, aprimorá-la e focar em seu trabalho”.

McGill University, Canadá | Foto: Guilhermeduartegarcia, via Wikimedia Commons

McGill University, Canadá | Foto: Guilhermeduartegarcia, via Wikimedia Commons

O embaixador também explica que as primeiras populações aborígenes já estavam no Canadá antes dos colonos chegarem. Depois vieram os ingleses e franceses que se comprometeram a desenvolver o país. A tradição do caldeirão cultural e do respeito ao outro continua valendo.

“Em estudos recentes, o Canadá mostrou ser o país mais tolerante do planeta quando se trata de outras origens culturais. Quando perguntaram aos canadenses o que eles acham de pessoas de outros países, a resposta foi que são exatamente como nós”, conta o embaixador.

Um outro aspecto muito positivo e valioso sobre o Canadá é ser um lugar seguro. Não é um país onde você precisa se preocupar com a violência aleatória. O resultado disso é a possibilidade de viver junto a uma população que gosta de se conhecer e que saber quem são seus vizinhos.

Todos os anos, o país acrescenta 1% de imigrantes à sua população. Em Toronto, uma cidade com seis milhões de habitantes, mais da metade deles nasceu fora do Canadá. Isso muda a configuração do país e, sem dúvida, impacta a empatia, a tolerância e a capacidade de convivência harmônica.

University of Toronto, Canadá | Foto: C Hanchey, via Flickr

University of Toronto, Canadá | Foto: C Hanchey, via Flickr

“Nós temos uma cultura de imigração e não vemos isso como algo negativo. O Canadá entende que precisamos da imigração para que nossa economia possa crescer e se desenvolver. Precisamos das habilidades dos estrangeiros, de pessoas que queiram trabalhar em uma economia em crescimento. E para os que vêm estudar no Canadá, existe um caminho para a imigração. Os que estudam por pelo menos um ano em uma universidade canadense, após a conclusão de seu curso, conseguem uma permissão de trabalho por um ano. Durante esse tempo, podem criar o portfolio necessário para obter um visto permanente, residência e eventualmente, a cidadania.

O programa Canadian Experience Class é realmente fantástico. Digamos que um estrangeiro estude por quatro anos em uma de nossas universidades. Ao terminar seu curso, pode obter uma permissão de trabalho de três anos. Se faz um bom percurso profissional, solicita a residência e permanece no Canadá para sempre, tornando-se um cidadão”, explica o embaixador.

Conferi com ele minha teoria de que o investimento em uma formação universitária é o melhor caminho para ficar no Canadá e ele concordou. “Os alunos estabelecem um relacionamento com o país, se envolvem com a cultura, criam um sentimento de pertencimento. Mas o relacionamento é de mão dupla. Ele participa do nosso sistema universitário público e faz parte da nossa sociedade. Fala a língua, aprende coisas que são importantes para a nossa comunidade. Porque então não estaria no topo da lista de pessoas que queremos convidar para ficar no Canadá?”

University of Ottawa | Foto: lezumbalaberenjena, via Flickr

University of Ottawa | Foto: lezumbalaberenjena, via Flickr

Stéphane Larue, Cônsul Geral do Canadá em São Paulo, enfatiza o fato do país reconhecer a dupla cidadania. “Se um brasileiro se torna um cidadão canadense, pode ter os dois passaportes. Vivemos em um mundo que se torna cada vez mais globalizado, então a ideia de pessoas que vêm e se instalam para o resto da vida em um lugar está ficando obsoleta. Falo dos novos cidadãos globais que podem ficar ou ir embora. Para nós não é um problema quando um jovem brasileiro que vai para o Canadá estudar e eventualmente adquire a cidadania, resolve voltar para o Brasil. Entendemos que ele vai criar novas pontes entre os nossos países e que todos ganham com isso. Esse estudante teve uma experiência maravilhosa no Canadá e isso é sinônimo de sucesso. Basicamente, recrutamos pessoas capazes de fazer conexões, sejam elas culturais, acadêmicas ou comerciais”.

O cônsul ainda conta que ultimamente há muitos estudantes mais velhos no Canadá, pessoas na casa dos 30 e 40 anos. “Por causa de seu perfil, eles podem não obter de imediato a residência permanente. Mas se fizerem uma especialização e um upgrade em sua carreira ou profissão, aumentarão significativamente suas chances de permanecer no Canadá e se tornarem residentes ao concluir seus cursos. Eles investem no país e o país investe neles.

Conversei com líderes de universidades canadenses e com pessoas de instituições do governo nas províncias, e os brasileiros são conhecidos por se integrarem bem. Eles são o tipo de pessoas que, quando vão para um outro país, se misturam com os estrangeiros e os convidam para compartilhar suas atividades e cultura. Quando os brasileiros vêm para o Canadá é uma grande festa e todos gostam deles”.

Stéphane Larue, deixa uma dica final aos interessados em estudar no Canadá: “Você não está indo para o Canadá só para estudar. Você está indo para o Canadá para obter uma experiência cultural que vai levar com você para o resto da vida. Então assista as aulas, faça seus trabalhos, pesquise, mas conheça pessoas. Canadenses e de outros países. Os campi universitários no Canadá são como as Nações Unidas, aproveite isso, faça novos amigos.

Também sugiro que não deixe de aproveitar o inverno! Receber bem o inverno é o medo #1 dos estudantes brasileiros. Sempre me perguntam como vão lidar com isso. O inverno no Canadá é maravilhoso, de céu bem azul e tempo claro. Há muito para fazer nessa estação e o Natal com neve é o verdadeiro Natal”.  

“Se os brasileiros não experimentarem nosso clima frio, não conhecerão o Canadá. É como vir ao Brasil e não ir à praia. Nós estamos preparados para o frio e vivenciar o inverno é uma experiência única”, conclui o embaixador.

Nos próximos 10 dias vou vivenciar o inverno canadense e conhecer de perto instituições de ensino nas cidades de Montreal, Ottawa, Toronto e proximidades. A viagem acontece a convite do Consulado do Canadá em São Paulo, acompanhe!

Stéphane Larue (esq.), Tissen e Riccardo Savone na feira EduCanada | Foto: Tissen

Stéphane Larue (esq.), Tissen e Riccardo Savone na feira EduCanada | Foto: Tissen

Andrea Tissenbaum, a Tissen, escreve sobre estudar fora e a experiência internacional. Também oferece assessoria em educação e carreiras internacionais.
Entre em contato: tissen@uol.com.br

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