Porque é tão bom estudar na Hungria

Porque é tão bom estudar na Hungria

Andrea Tissenbaum

10 de janeiro de 2019 | 07h38

Littieri Lamb no Bastião dos Pescadores em Budapeste Hungria com Parlamento ao fundo | Foto: Littieri Lamb

Littieri Lamb no Bastião dos Pescadores em Budapeste, Hungria | Foto: Littieri Lamb

Littieri Lamb, bolsista do programa Stipendium Hungaricum, em Budapeste, conta sua experiência. As inscrições estão abertas e vão até 15/01. 

Littieri Lamb, a Littyh, tem 26 anos e é de Tupanciretã, uma cidade no interior do Rio Grande do Sul. Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI, participou do programa Ciência sem Fronteiras durante a graduação. Ao longo de um ano e dois meses, Littyh fez parte de seu curso na Budapest University of Technology and Economics – BME. A experiência foi tão boa que ela decidiu que um dia ia voltar a estudar na Hungria.

E não é que deu certo? A jovem, após regressar e ficar no Brasil por três anos, candidatou-se à primeira rodada do programa Stipendium Hungaricum, oferecido pelo governo da Hungria. Aprovada no processo, hoje é bolsista do curso de Architectural Engineering na mesma instituição de ensino onde fez parte de sua graduação.

Littyh conta que a experiência no programa Ciência sem Fronteiras foi excepcional. “Naquele momento eu era uma intercambista e pude fazer diversas matérias eletivas que complementaram meu currículo e trouxeram um novo valor à minha vida profissional. Mas a volta é sempre diferente, porque as situações mudam. Hoje sou estudante de mestrado em tempo integral, as exigências são maiores e o tempo que tenho que dedicar aos estudos é diferente. Até as demandas dos professores são mais puxadas nesta nova etapa. O curso de Arquitetura é bom, mas difícil e trabalhoso. A BME está ranqueada entre as melhores universidades do mundo”.

Littieri Lamb na Ponte das Correntes, em Budapeste, Hungria | Foto: Littieri Lamb

Littieri Lamb na Ponte das Correntes, em Budapeste, Hungria | Foto: Littieri Lamb

O programa de bolsas Stipendium Hungaricum, realizado em cooperação com o governo brasileiro, oferece oportunidades para cursos de graduação, mestrado e doutorado em todas as áreas. As inscrições ainda estão abertas e vão até 15 de janeiro. Saiba mais AQUI.

“O processo deste programa de bolsas leva pelo menos quatro meses e inclui currículo profissional e acadêmico, provas online e, às vezes, algumas entrevistas. No meu caso, como estudo Arquitetura, tive que apresentar um portfólio do meu trabalho. Meu application foi bem tranquilo, mas apesar de eu conhecer a BME, me preparei bastante, porque queria conseguir esta bolsa. Cada universidade sugere um ‘caminho’ para você preparar bem a sua candidatura e vale a pena ler esses conteúdos com atenção nos sites.

Quando eu vim pelo Ciência sem Fronteiras tudo estava providenciado e passamos por muito pouca burocracia. Agora estou vivendo uma experiência internacional diferente e, de fato, tenho que providenciar tudo por conta própria. A universidade e o programa Stipendium oferecem a possibilidade de você morar no dormitório por um ano, com possibilidade de renovação. Eu fiquei lá por nove meses, mas preferi me mudar para um apartamento pequeno, sozinha. É possível conseguir um quarto em uma casa compartilhada por 200 ou 300 euros. Eu pago em torno de 300 euros pelo meu estúdio e isso inclui todos os gastos, à exceção da luz”, ela explica.

Littieri Lamb em apresentação sobre a Hungria na BME | Foto: Littieri Lamb

Littieri Lamb em apresentação sobre a Hungria na BME | Foto: Littieri Lamb

A bolsa Stipendium é suficiente para cobrir as necessidades básicas, mas o visto de estudante na Hungria permite que os alunos trabalhem 24 horas semanais. “Difícil é conseguir um emprego sem falar húngaro, idioma que como eles mesmos dizem, é a única língua que o diabo respeita”, conta Litthy. “O inglês é o idioma oficial que usamos no dia a dia. Aprendi húngaro básico, o que já é um feito. Eu não consegui trabalho porque a grade horária da Arquitetura é bem complicada e temos muitos projetos extraclasse, que tomam muito tempo. Mas há muitos estudantes brasileiros que conseguiram empregos em tempo parcial aqui em Budapeste”, ela complementa.

O aspecto que mais impacta a vida de Litthy na Hungria é a segurança. “No Brasil é difícil sair à noite sem sentir medo. O transporte público em Budapeste é muito bom e funciona bem. Não importa a hora, você vai aos lugares com tranquilidade. As relações pessoais são muito boas também. Aqui você sai com os seus amigos e acaba interagindo com eles e com as outras pessoas que estão nos lugares, ampliando seu grupo e fazendo uma troca cultural bem intensa. O clima frio para mim, que vim do sul do Brasil, não faz diferença, mas percebo que para outros brasileiros que vêm de regiões mais quentes isso é bem difícil”.

Reunião de abertura do projeto Campus Buddy - Student Ambassadors | Foto: Littieri Lamb

Reunião de abertura do projeto Campus Buddy – Student Ambassadors | Foto: Littieri Lamb

Litthy explica que na universidade as turmas são muito diversas, mas nem sempre há estudantes húngaros nos programas oferecidos em inglês. “A maioria dos meus colegas vêm de países árabes, mas esse é um caso específico da Arquitetura. Na Engenharia por exemplo há muitos russos”. Vale lembrar que o Stipendium oferece bolsas para 47 países.

Os brasileiros se reúnem com frequência em Budapeste e Litthy encontra refúgio no calor de nossa cultura. “Eu sinto saudades. Meus pais estão lá no Sul e por mais que falemos bastante, não é a mesma coisa que ao vivo. Mas a gente acaba criando uma ‘família’ por aqui, com colegas de vários países e a rede de bolsistas Stipendium. Os estudantes estrangeiros são atendidos desde o primeiro dia por um grupo de mentores que nos ajudam bastante e facilitam as interações com a cultura húngara.

Viver na Hungria é muito bom. Escolhi o país desde a primeira vez porque aqui há muita história e os húngaros têm uma identidade cultural bem coesa. Além disso, as cidades e as paisagens são lindas.

A Hungria é um país que recebe bem os brasileiros e gosta do nosso jeito de ser. Desde que, é claro, se mantenha um comportamento adequado e o entendimento que os códigos culturais são diferentes. Aqui, por exemplo, interromper uma pessoa que está falando não é bem visto, e nós temos esse hábito. Um outro comportamento brasileiro que não funciona é achar que com jeitinho é possível contornar as coisas. Na Hungria, sim é sim e não e não. Isso pode parecer rude para algumas pessoas, mas não é. A pontualidade é um outro tema bem complicado para brasileiros e árabes. No Brasil os alunos entram e saem da sala de aula quando querem. Aqui isso é impossível. Chegar tarde, mesmo que com um atraso de apenas dois minutos, é inaceitável. Eles prezam por uma organização e por uma estrutura que para os brasileiros é complicada. Exigem mesmo que os estudantes sejam bem focados em seus compromissos, tarefas e horários”, explica a jovem arquiteta.

No Castelo de Buda, a vista do Parlamento, em Budapeste, Hungria | Foto: Littieri Lamb

No Castelo de Buda, a vista do Parlamento, em Budapeste, Hungria | Foto: Littieri Lamb

A Hungria oferece um visto de seis a nove meses, após a conclusão do curso, para que estudantes internacionais possam procurar um emprego. Para obter esse visto é necessário ter um diploma húngaro e comprovar recursos para viver no país durante esse período.

Litthy pretende procurar um trabalho quando se formar e tentar ficar na Hungria. “As pessoas vêm pra cá e se apaixonam por Budapeste, pelo país e querem voltar. E não é à toa, a vida aqui é muito boa, fácil e tranquila. A maioria dos alunos que conheci no Ciências sem Fronteira ou já estão aqui de volta ou estão querendo retornar. Candidatar-se à bolsa Stipendium Hungaricum, para o mestrado ou doutorado, vale a pena”, ela recomenda.

Andrea Tissenbaum, a Tissen, escreve sobre estudar fora e a experiência internacional. Também oferece assessoria em educação e carreiras internacionais.
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