Os impactos de um mestrado em Yale na carreira profissional

Os impactos de um mestrado em Yale na carreira profissional

Andrea Tissenbaum

13 Novembro 2018 | 08h37

Tiago Cruz recebendo seu diploma na Yale School of Management | Foto: Tiago Cruz

Tiago Cruz recebendo seu diploma na Yale School of Management | Foto: Tiago Cruz

Tiago Cruz, ex-aluno de Yale e Melissa Fogerty, diretora dos programas de mestrado em gestão da Yale School of Management, explicam porque.

Estudar em Yale é sinônimo de acesso a programas de ensino de qualidade e renome internacional. Desde sua fundação em 1701, esta universidade, sistematicamente ranqueada entre as melhores do mundo, dedica-se a compartilhar conhecimento, inspirar inovação e a perpetuar informações culturais e científicas para as gerações futuras.

Entre 2016 e 2017, o paulistano Tiago Cruz, fez o Master of Advanced Management – MAM em Yale. O programa tem parceria com algumas instituições de ensino que formam parte de uma Rede Global para Estudos Avançados em Administração. Dentre elas, a Fundação Getúlio Vargas.

“Fiz meu bacharelado no Brasil em Ciências da Computação na Faculdade Tancredo Neves. Alguns anos depois, fiz um MBA em Gestão de Projetos na FIAP, e em 2014 concluí o mestrado profissional em Administração na FGV-SP.

Para ser aprovado no MAM, você tem que ter feito o mestrado em uma instituição vinculada a Yale, como a FGV-SP. Mas o caminho não é automático. A aceitação no programa depende do seu desempenho e engajamento como aluno durante o curso aqui no Brasil e, é claro, de cumprir com todos os requisitos de Yale.

No meu caso, além do bom desempenho acadêmico, acho que as múltiplas experiências que tive foram importantes no processo. Yale quer saber o que você já fez em sua vida, o que vai fazer enquanto estiver lá e o que vai criar quando terminar o curso. Para quem quer ir, é importante não só demonstrar uma boa trajetória no mestrado, mas também ter clareza do porque pretende estudar em Yale”, explica Tiago.

Tiago e sua turma no Master of Advanced Management - MAM de Yale | Foto: Tiago Cruz

Tiago e sua turma no Master of Advanced Management – MAM de Yale | Foto: Tiago Cruz

Melissa Fogerty, diretora dos Management Master Programs da Yale School of Management, reforça a fala de Tiago: “queremos alunos que demonstrem que serão bem-sucedidos, com experiências interessantes e capazes de representar suas próprias perspectivas em sala de aula. O preparo acadêmico para um currículo rigoroso como o nosso é sem dúvida importante, mas no processo de candidatura, avaliamos o estudante como um todo. Queremos conhecer sua experiência profissional, capacidade de liderança, engajamento e participação na comunidade.

Entender as contribuições que o aluno poderá fazer com base nas experiências que teve é fundamental. Por isso os essays são tão valiosos. É nas cartas de motivação que percebemos se as metas serão realizáveis. Nós também fazemos entrevistas online para interagir ao vivo com os alunos, avaliar como se apresentam e porque estão pensando em estudar em nossa universidade. Queremos pessoas cujas expectativas correspondam ao que a escola pode oferecer. Yale quer ter certeza que poderá facilitar o desenvolvimento do aluno, ajustando suas realizações passadas de vida e carreira aos seus desejos e objetivos futuros”.

Yale School of Management | Foto: Nick Allen, via Wikimedia Commons

Yale School of Management | Foto: Nick Allen, via Wikimedia Commons

Em fevereiro de 2018, a Yale School of Management e a FGV abriram as inscrições para a primeira turma do M2M, um programa de dupla titulação entre universidades internacionais. Alunos do Mestrado Profissional em Gestão Internacional – MGPI da FGV-SP, ao completar seu primeiro ano no Brasil, podem cursar o segundo ano de seu programa em Yale. De acordo com Melissa Fogerty, “a combinação permite que os estudantes obtenham uma sólida base de conhecimento em gestão no Brasil, para em seguida fazer cursos avançados e matérias eletivas em Yale. Quando se formam, têm o benefício de fazer parte de duas poderosas redes de ex-alunos no Brasil e nos Estados Unidos. É perfeito para estudantes com uma mentalidade global que desejam experimentar um programa internacional”.

“O mestrado na FGV foi uma experiência que mudou minha maneira de ver o mundo. Venho de uma formação técnica e ali adquiri uma especialização em negócios que é bem mais ampla. Fazer o MAM em Yale mudou a forma como eu me vejo. Cursei matérias eletivas para desenvolver liderança e comportamento pessoal, e ganhei uma nova visão sobre quem eu sou e sobre a forma como me relaciono com os outros.

Escolhi Yale porque a missão da escola, educar líderes para os negócios e para a sociedade, me ganhou. Cresci com uma indignação ativista, então queria ter certeza que o curso me levaria a adquirir ferramentas e habilidades que me permitissem colaborar com o desenvolvimento da sociedade brasileira. Saí de uma posição mais individualista para pensar no todo e isso fez muita diferença em minha trajetória pessoal e profissional”, conta Tiago.

“Estar em Yale é uma experiência única. Significa poder perguntar ao autor de um livro, que é o seu professor em sala de aula, porque ele escolheu aquela abordagem para o assunto em questão. Além disso, o cotidiano é repleto de surpresas. Grandes personalidades de diferentes áreas vêm sempre a Yale dar palestras e nós envolvemos os alunos em todos os eventos. São oportunidades excepcionais que permitem contato próximo com esses formadores de opinião. Não é à toa que nossa rede de ex-alunos é tão forte e unida mundo afora. Yale se torna um elo que une nossos alunos para sempre”, complementa Melissa.

Campus da Universidade de Yale | Foto: Emilie Foyer, via Wikimedia Commons

Campus da Universidade de Yale | Foto: Emilie Foyer, via Wikimedia Commons

Tiago diz que apesar do investimento ter sido alto, valeu a pena. Após uma longa e complexa negociação com a faculdade, ele conseguiu uma bolsa parcial (50%).

“É importante ressaltar que a bolsa de estudos não é um presente. Para mim ela fez muita diferença, sem esse auxílio eu não poderia ter ido. A universidade queria entender porque deveria me dar uma bolsa e o que eu ofereceria em contrapartida. Não se tratava apenas do mérito acadêmico, mas do compromisso que eu estava disposto a travar com a instituição durante o meu tempo lá e depois de formado. Uma das coisas que ofereci a Yale foi fotografar os eventos da faculdade e, de fato, fui um aluno fotógrafo ao longo do meu curso. Dar esta entrevista também faz parte das atividades que me comprometi a realizar quando pedi a bolsa. Tenho orgulho de ser um embaixador de Yale e de compartilhar a experiência fabulosa que tive.

Muitas pessoas têm receio de estudar fora por causa da questão financeira e desistem precipitadamente. Eu acho que elas deviam fazer todo o processo e só então avaliar as possibilidades. Yale oferece diferentes bolsas de estudo. Também é possível financiar o curso e há outras oportunidades que devem ser levadas em conta antes de dizer eu não posso ir”, reforça Tiago.

Melissa explica que “embora a maioria dos nossos alunos financie seus cursos através de um mix de recursos, nós oferecemos bolsas de estudo em Yale. Sabemos que a questão financeira é bastante importante para os estudantes no Brasil e queremos ter mais alunos brasileiros conosco em nosso campus”.

Tiago Cruz, professor de fotografia e aluno fotógrafo em Yale | Fotos: Tiago Cruz

Tiago Cruz, professor de fotografia e aluno fotógrafo em Yale | Fotos: Tiago Cruz

Hoje Tiago trabalha em um programa de desenvolvimento de lideranças que recruta fora do Brasil. Foi selecionado para essa vaga enquanto estava em Yale. Ele também contribui para o fundo de bolsas de Yale. Está fazendo sua parte para que outro aluno possa ir para lá e ter a mesma vivência. “Eu sei como é querer estudar, ter tudo na mão e não poder pagar”, ele explica.

Um ano depois de formado, Tiago fez questão de participar da primeira reunião de sua turma em Yale. “Mantemos contato, nossa relação é bem próxima e a troca permanece intensa. Além disso, é sempre bom contar com meus colegas de classe para aconselhamento profissional e compartilhamento de oportunidades.

Certa vez, perguntei ao diretor do programa porque eu deveria ir para Yale e não Harvard. Ele me disse que eu podia encontrar uma universidade tão boa quanto Yale, mas não melhor”, conclui Tiago.

Andrea Tissenbaum, a Tissen, escreve sobre estudar fora e a experiência internacional. Também oferece assessoria em educação e carreiras internacionais.
Entre em contato: tissen@uol.com.br

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