Online e juntos nas novas salas de aula globais

Online e juntos nas novas salas de aula globais

Andrea Tissenbaum

05 de maio de 2020 | 09h22

Estudar online | Foto: Wes Hicks, via Unsplash

Estudar online | Foto: Wes Hicks, via Unsplash

A mudança na abordagem da educação online, que veio para ficar, se faz cada vez mais necessária em todas as instituições de ensino. 

Em um tempo em que a tecnologia passou a fazer parte vital de nosso cotidiano, pensar e aprimorar o aprendizado online se torna uma necessidade global. Para compreendermos melhor esse assunto que está revolucionando o ensino superior no planeta, a Dra. Katie Nielson, especialista em linguística e diretora de educação da Voxy, explica as tendências da educação online no mundo atual.

“A pesquisa sobre aprendizagem online mostra que ela deve ser usada para resolver problemas. Quando usado para aulas expositivas, esse método não funciona. Nas aulas online é preciso manter a atenção dos alunos, dividindo o tempo entre a apresentação de conteúdo e trabalhos práticos. É que as pessoas aprendem e se engajam mais quando o conteúdo oferecido a elas é apresentado de forma interessante e inovadora.

Estudantes aprendendo online também precisam saber que são parte de uma comunidade e que há alguém interagindo com eles, atento ao que fazem. Ao desenhar aulas virtuais, você precisa assegurar que seus alunos vão se envolver com as tarefas e que as ferramentas propostas sejam fáceis de usar, porque se forem difíceis, eles vão se distanciar”, ela explica.

Essa proposta é completamente diferente das aulas gravadas, oferecidas por algumas instituições de ensino superior que estão aprendendo a lidar com aulas virtuais, enquanto a crise do coronavírus acontece. Professores tiveram que subitamente mudar seu modus operandi, sem conhecimento adequado para desenvolver novas metodologias online. Alunos, acostumados a interagir minimamente, foram isolados em seus quartos, sem seus colegas, forçados a aprender através de monólogos tediosos.

“Esse formato, bastante ultrapassado, aponta para o perigo de fazer uma transformação emergencial sem pensar em estratégias de ação. Nele, as chances de tudo dar errado e uma frustração coletiva acontecer são enormes. Mesmo à distância, é preciso formar grupos de trabalho para trocar informações e criar cursos mais impactantes no desenvolvimento dos alunos. A tecnologia não substitui o contato humano ou a importância dos professores, mas ela também não desumaniza as relações. Difícil é persuadir as pessoas a mudarem sua forma de fazer as coisas, especialmente quando as universidades vêm trabalhando da mesma forma a tantos anos.

O conteúdo personalizado, que pode ser propiciado pela tecnologia, diferencia os interesses e atividades sobre um mesmo tema. Alunos prestam mais atenção quando ele é apresentado em formatos menores, mais fáceis de assimilar. Além disso, dezenas de ferramentas online como dicionários, bibliotecas, bancos de dados de centros de pesquisa e aplicativos são complementos importantes e enriquecedores. As pessoas produzem mais quando têm liberdade, autonomia e flexibilidade para chegar a novos resultados. Mas isso não quer dizer que acompanhá-las virtualmente, quando trabalham em projetos colaborativos, respondendo às suas perguntas em tempo real, não seja fundamental”, explica a Dra. Nelson.

Trata-se de explorar novas alternativas que de forma dinâmica exponham os estudantes a novas práticas. A imagem na tela do computador e a inclusão em um grupo participativo com quem pensam e produzem, alivia o isolamento dos alunos. E o que é mais fantástico, a vida virtual facilita o contato com qualquer parte do mundo. Em termos de oportunidade, poder aprender e trocar com professores e estudantes de várias partes do globo, sem sair de casa, é um valioso diferencial.

A Dra. Katie Nelson acredita que a resistência à tecnologia no processo de aprendizagem se deve a um receio coletivo de mudar, errar e ter que tentar de novo. “No entanto, esses são os ingredientes fundamentais de uma reformulação. Grande parte da inovação tecnológica vem do próprio ambiente acadêmico, mas a falta de ferramentas atrapalha sua implementação na sala de aula virtual. Nós seremos inevitavelmente levados a um modelo de aprendizado híbrido. Se não houver um preparo para esse caminho, voltaremos no tempo. Vamos ter que aprender a ser mais criativos no processo educacional, o modelo antigo não precisa continuar a ser seguido.

Apesar de não sabermos exatamente o que está acontecendo na maioria das instituições superiores, é claro que as coisas não vão voltar a ser o que eram antes. O investimento em ensino e interação à distância precisa ser feito o mais rapidamente possível, com o envolvimento de especialistas que ajudem os professores a criar soluções mais eficientes. O momento exige que a mudança em curso seja assumida, não é mais possível fazer de conta que ela não chegou para ficar”.

Andrea Tissenbaum, a Tissen, escreve sobre estudar fora e a experiência internacional. Também oferece assessoria em educação e carreiras internacionais.
Entre em contato: tissen@uol.com.br

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