O Working Holiday Visa e uma experiência na Nova Zelândia

O Working Holiday Visa e uma experiência na Nova Zelândia

Andrea Tissenbaum

22 Agosto 2016 | 07h57

Pollyane Diniz - Victoria University of Wellington | Foto: Andrea Tissenbaum

Pollyane Diniz – Victoria University of Wellington | Foto: Andrea Tissenbaum

Conheça a experiência de Pollyane Diniz que foi para a Nova Zelândia com o Working Holiday Visa, cujas inscrições abrem no dia 23 de agosto.

Pesquisadora, doutora em Psicologia ambiental e transcultural, Pollyane Diniz foi para a Nova Zelândia há sete anos atrás, no mesmo mês em que passou com distinção em seu mestrado na Universidade Federal da Paraíba e no mesmo ano em que o programa Working Holiday Visa foi inaugurado. O acordo da Nova Zelândia com o Brasil que existe até hoje e que abre suas inscrições no dia 23 de agosto, concedia então 100 vistos para que brasileiros pudessem visitar e trabalhar no país por até um ano.

Foi assim que Pollyane pode aprimorar seu inglês e conhecer a Nova Zelândia. “Trabalhei em cafés, fiz um curso de inglês específico para quem quer estudar aqui. Depois do curso, comecei a trabalhar como assistente de pesquisa no departamento de Psicologia da Victoria University of Wellington. Me candidatei ao doutorado e fui aceita com bolsa de estudos integral”, ela conta.

Nascida em João Pessoa, Pollyane já tinha experiência como pesquisadora no Brasil. Fez seu mestrado na Universidade Federal da Paraíba. “O curso me deu um ótimo preparo para vir para cá, a UFPB é a escola do Nordeste que mais mestres e doutores tem. Só consegui a bolsa de estudos para o doutorado aqui em Victoria porque tinha um currículo muito bom e notas excepcionais. O conteúdo ao qual temos acesso no Brasil é excelente, os problemas são estruturais. Mas a gente acaba aprendendo a se virar, a ter jogo de cintura, a lidar com as dificuldades”, relata.

E foi justamente essa flexibilidade e sabedoria que ajudaram a jovem a se adaptar tão bem em sua aventura internacional. “Nem tudo são flores. Cansei de ir ao Brasil para visitar e todos acharem que sou rainha aqui. Sofro muito com as saudades. Você chega num pais estrangeiro sem conhecer ninguém, tem que começar tudo de novo, formar uma vida nova é difícil”.

Mas Pollyane afirma que a experiência internacional vale a pena, especialmente para fazer uma pós-graduação. “Aqui a pós é muito prestigiada e como aluno você tem acesso a recursos e muito estímulo para o seu trabalho e pesquisa. A bolsa que recebi da universidade foi mais que suficiente e cobriu todas as taxas e despesas de moradia. E ainda existem outras bolsas do governo neozelandês para quem quer estudar aqui e tem um bom currículo. Quem vem com familiares para fazer um doutorado tem a possibilidade de receber um visto no qual o parceiro pode trabalhar, e há espaço para isso”.

Pollyane tinha em mente fazer seu doutorado e retornar ao Brasil. Mas acabou ficando por lá, casou-se com um neozelandês que conheceu três anos após a sua chegada. “Parece que quanto mais tempo a gente passa num lugar, mais amarras cria. Quando você percebe que conseguiu achar seu grupo em um novo país um sentimento muito libertador toma conta de você. De alguma forma passa a se conhecer melhor. Eu conheci gente de diversas partes do mundo. A Nova Zelândia é um país internacional, há muitos estrangeiros e a gente cria laços fortes”.

Claro, Pollyane se relaciona bastante com brasileiros, até pela natureza de sua pesquisa e de seu trabalho no escritório de bolsas para alunos internacionais da Victoria University of Wellington. “A Nova Zelândia tem uma visão boa do Brasil, gostam da nossa amorosidade e do nosso calor”.

Não é a toa que as Bolsas de Estudo do Primeiro-Ministro para a América Latina acabam de ser lançadas. Financiado pelo governo da Nova Zelândia, com administração da agência governamental Education New Zealand, o programa cobre os custos das mensalidades das instituições de ensino no Brasil, além de passagens aéreas e acomodação para alunos neozelandeses. Uma excelente oportunidade para recebermos estudantes estrangeiros nas universidades brasileiras e incentivar a cooperação internacional.

A embaixadora da Nova Zelândia no Brasil, Caroline Bilkey, recebeu a notícia com grande alegria: “É uma excelente iniciativa para aumentarmos o número de estudantes neozelandeses no Brasil, em complementariedade ao crescente número de brasileiros estudando em meu país todos os anos. A amizade e a troca de experiências entre jovens e adultos em universidades é uma forma genuína de aproximação cada vez maior entre nossos países; desta forma, expandem-se também as oportunidades de negócios e de comércio bilaterais”.

>> Inscrições para o Working Holiday Visa (WHS) abrem dia 23 de agosto às 19h00 (horário de Brasília) OU para quem está na Nova Zelândia, dia 24/08 as 10h00 (horário da NZ ):
Desde 2008, a Nova Zelândia concede anualmente a brasileiros entre 18 e 30 anos de idade, 300 Working Holiday Visa (WHV), vistos de trabalho e férias. O objetivo desse visto, fruto de um acordo bilateral entre os governos brasileiro e neozelandês é que você conheça a Nova Zelândia. Essa é a razão primordial da viagem. Trabalhar é apenas uma forma de ajudar você a sustentar seus gastos com o turismo.

E é por isso que embora o visto permita que brasileiros viajem e trabalhem legalmente por um ano no país, os detentores do WHV só podem ser contratados por períodos de até 3 meses. Da mesma forma, podem estudar ou participar de treinamentos de até seis meses. A intenção é que você não se fixe em nenhum lugar em particular e rode o país. Assim pode conhecer as mais diversas pessoas e experimentar as mais variadas situações.

“Apesar de concorrido o processo é muito simples, a inscrição é feita online. É uma ótima oportunidade para conhecer o país, estudar, ter a experiência de viver lá como um neozelandês. Mas também é importante se planejar para aproveitar seu tempo. Por exemplo, se você não fala inglês, faça um curso durante o seu período na Nova Zelândia para aprender o idioma. E há tempo para se planejar. A contar da data em que seu visto for concedido você tem 12 meses para ir para a Nova Zelândia”, explica Ana Azevedo, gerente de desenvolvimento de relações em Educação do Education New Zealand em São Paulo. 

> Requisitos para tirar o Working Holiday Visa:
– Ser cidadão brasileiro e ter um passaporte brasileiro válido por até seis meses após a data planejada para a sua viagem;
– Não ter sido aprovado para o Working Holiday Visa anteriormente
– Ter entre 18 e 30 anos de idade no momento em que solicitar o visto;
– Viajar sem filhos;
– Ter uma passagem de volta ao Brasil ou comprovar recursos para compra-la;
– Ter dinheiro suficiente para bancar sua estadia na Nova Zelândia (pelo menos NZ$4.200), caso a Imigração solicite;
– Viajar para a Nova Zelândia de férias. O trabalho deve ser a intenção secundária de sua viagem.
– Pagar a taxa de visto específica;
– Estar saudável. Exames para completa aprovação do visto serão exigidos;
– Ter um seguro de saúde válido por toda a estadia na Nova Zelândia;
– Deixar a Nova Zelândia antes do seu visto expirar.

ATENÇÃO: apenas 300 vistos são concedidos a brasileiros e os mesmos se esgotam rapidamente. Visite o site Brazil Working Holiday Visa e conheça todos os detalhes necessários para obter o seu.

Andrea Tissenbaum, a Tissen, escreve sobre estudar fora e a experiência internacional. Siga o Blog da Tissen no Facebook e no Twitter