O bolsista que não queria perder a chance de tentar

O bolsista que não queria perder a chance de tentar

Andrea Tissenbaum

24 de outubro de 2019 | 08h22

Rafael Yamashita - USC | Foto: University of Southern California

Rafael Yamashita – USC | Foto: University of Southern California

Em um mês, Rafael Yamashita preparou sua documentação, fez os exames e ganhou uma bolsa para o programa IBEAR MBA da University of Southern California.

O advogado paulistano Rafael Yamashita, 34 anos, é formado pela Universidade de São Paulo – USP. Concursado de uma empresa pública onde trabalhava há nove anos, sentia-se limitado em seu crescimento. Apesar de ter terminado um mestrado acadêmico na Fundação Getúlio Vargas em Direito do Desenvolvimento, queria dar um “up” na carreira.

No começo de 2019, Rafael leu a matéria que publiquei sobre as bolsas oferecidas pela University of Southern California – USC para o International Business Education and Research MBA, ou IBEAR.

No contra fluxo de tudo o que costumo recomendar aos alunos, em menos de um mês Rafael se preparou e apresentou o TOEFL e o GMAT para a universidade. É que ele tomou conhecimento da oportunidade no dia 14 de abril e as inscrições encerravam no dia 15 do mês seguinte. Assim, entrou em contato com o Diretor do escritório da USC em São Paulo e fez uma reunião via Skype com o diretor do programa nos Estados Unidos.

“O GMAT foi uma preocupação, porque eu não vinha de uma área de exatas, então me preparei em tempo recorde para o exame. Em menos de um mês, encaminhei toda a documentação para o processo de admissão. O momento era exato e eu não queria perder a chance de tentar. A carta de motivação (essay) foi o mais complicado. Culturalmente não estamos habituados a escrever cartas dessa forma e o exercício me exigiu muito esforço.

As universidades buscam histórias diferentes e se a sua é muito interessante, isso atrai os admission officers. Não se trata só de explicar o que o programa agrega à sua carreira, mas especialmente como ele agrega valor à sua história e vida profissional. Eles querem saber como a experiência na universidade vai acrescentar coisas boas à sua vida quando tiver terminado o curso, porque você vai levar isso de volta para o seu país, essa formação vai se tornar parte integrante de quem você é”, ele explica.

“A bolsa não é integral, mas chega a até 50 mil dólares revertidos como desconto das taxas universitárias, o que faz uma diferença incrível. O valor da sua bolsa depende basicamente da sua vivência profissional, história de vida e capacidade de contá-la. Ter sido um bom aluno é importante, porque as notas têm peso no processo seletivo, assim como a sua trajetória profissional, exigida para participar no processo seletivo. O curso é um mestrado de dois anos condensado em um. Comparado a outros MBAs a carga é intensa. Temos aulas de manhã e à tarde e a dedicação é full time. Tem que vir preparado para estudar muito porque o nível de exigência é imenso”.

O custo total do IBEAR MBA é de 116 mil dólares e Rafael recebeu em torno de 35% de abatimento via bolsa por ter sido um late runner – foi a penúltima pessoa a ser aceita. “O fundo para as bolsas é limitado. Se você faz o application cedo, a chance de conseguir uma bolsa boa é bem maior por conta da leva na qual você é recrutado”, ele explica.

Rafael foi com a esposa e a USC oferece um curso de idiomas gratuito para acompanhantes na própria universidade. “A USC tem uma preocupação enorme com o bem-estar da comunidade e a oferta de atividades é grande. Eu, por exemplo, faço um curso de curta duração em Mindfulness que foi oferecido gratuitamente a todos os alunos da universidade”. Eles moram no centro de Los Angeles, região bem próxima à USC, que está vivendo uma revitalização e oferece uma boa qualidade de vida. “Mas o custo de vida aqui é alto. Moro em um apartamento tipo studio e pago por volta de 1700 dólares mensais. Para contornar esses gastos, a USC tem parceria com um condomínio que fica a 40 minutos da universidade no qual os alunos têm desconto. Preferi ficar aqui pela proximidade com o campus. Não tenho carro, mas o tuition inclui transporte que nos leva e traz todos os dias, sem custo adicional”.

Encantando com a qualidade do programa e como o que está aprendendo se relaciona a seus planos futuros, o jovem advogado está terminando o primeiro período. “Pretendo mudar três eixos de minha carreira: quero trabalhar com desenvolvimento organizacional e estratégia, trocar o setor público pelo privado e ter uma visão mais internacionalizada.

O curso é muito bem pensado, bem estruturado. Estou na 42ª turma e percebo que houve muito aprendizado por parte da instituição. Meus colegas são basicamente estrangeiros. Minha turma tem alunos da China, Índia, Estados Unidos, Japão, Indonésia, Tailândia, Rússia, Brasil, México, Bolívia e Equador, então a troca de experiências é intensa. Eles têm metodologias para que você tenha um contato próximo com todos os seus colegas, são 56 pessoas na sala de aula. Os professores, em geral, também são imigrantes, e eles realmente promovem um diálogo intercultural que é condizente com a proposta de International Business. O foco da origem das pessoas e dos problemas estudados é voltado para o Pacífico – fazer comercio com a China, entender e trabalhar as diferenças culturais dentro de uma relação comercial. Mas obviamente também olhamos para outros lugares como América Latina”.

Rafael é de origem japonesa. “Apesar de termos sido sempre expostos à cultura ocidental, em minha educação tive uma manutenção forte dos valores da cultura japonesa. Não falo japonês, mas tenho o “hardware” japonês e isso de alguma forma me ajudou muito. Quando cheguei na Califórnia fui muito bem recebido pelos estudantes japoneses e, de certa forma, me tornei um ponto de articulação com os novos alunos de outros países. Como eles já estavam mais integrados, por ter chegado antes, me ajudaram bastante a entender tudo por aqui”.

A USC me surpreendeu positivamente em todos os aspectos. O campus é fabuloso, a preocupação e cuidado com os alunos é permanente e o curso, por estar muito redondo, proporciona uma experiência positiva. A demanda é feroz, e você é desafiado permanentemente, mas como tudo é muito encaixado, você percebe que vai aprendendo e crescendo a cada dia. O senso de internacionalização deles é difícil de descrever, nunca vi nada parecido. Aqui, apesar de haver uma divisão maior dos grupos, é fácil vivenciar intensamente todas as culturas. Esse senso de internacionalidade que a universidade oferece nos faz aprender muito e o intercambio com as pessoas é grande”.

Sobre sua candidatura relâmpago, Rafael faz algumas recomendações. “A primeira delas é não faça do jeito que eu fiz, prepare-se com antecedência. Ao mesmo tempo, organize sua mudança em um prazo razoável porque a logística é intensa, especialmente para nós que estamos em meio de carreira. Conheça os exames exigidos, conheça sua história para você poder contá-la da forma mais interessante possível. Pense no seu caminho de uma forma mais estratégica, e isso envolve inclusive a escolha dos exames GMAT ou GRE, uma vez que os resultados também vão falar sobre você e sobre o seu esforço para demonstrar suas competências.

Há também uma organização financeira que precisa ser feita. No meu caso, financiei o curso e isso requer tempo. Há muita burocracia envolvida no processo e volta e meia você tem que lidar com situações inusitadas. No meu caso eu tive apenas dois meses para resolver minha mudança, mas o ideal é ter tudo pronto para chegar e poder se dedicar ao curso, porque se ficar faltando alguma coisa, o cotidiano, no âmbito pessoal, fica bem mais difícil”.

>> As inscrições para as bolsas do IBEAR MBA acontecem em rounds e ainda estão abertas:
– Round 2 – até 5 de janeiro de 2020
– Round 3 – até 28 de fevereiro de 2020
> Saiba mais AQUI.

Andrea Tissenbaum, a Tissen, escreve sobre estudar fora e a experiência internacional. Também oferece assessoria em educação e carreiras internacionais.
Entre em contato: tissen@uol.com.br

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