Morar fora, arriscar e ganhar uma bolsa de estudos

Morar fora, arriscar e ganhar uma bolsa de estudos

Andrea Tissenbaum

12 Julho 2016 | 07h00

Foto: Gregorio Palmieri

Lisboa | Foto: Gregorio Palmieri

Conheça a história de Gregório Palmieri, jovem publicitário brasileiro que vive em Portugal há dois anos e que ganhou uma bolsa de estudos em Milão!

Greg, como prefere ser chamado, tem 26 anos, é formado em publicidade e propaganda pela Universidade Metodista de São Paulo e trabalhou em agências grandes desde o inicio de sua vida profissional. Chegou em Portugal em Setembro de 2014 em busca de mais conhecimento e novas experiências.

“Vim fazer um curso especializado em criação para o mercado digital. Apesar do continente europeu ser o mais tradicional do mundo, encontrei aqui oportunidades para aprender muito sobre desenho, arquitetura e história”, ele conta.

Assim que terminou o curso, foi indicado para trabalhar em uma agência em Lisboa. Hoje atua como Digital Creative, uma mistura entre direção de arte, criatividade e tecnologia. E essa tem sido uma experiência muito diferente, especialmente pela oportunidade de fazer trabalhos para outros países como Espanha, Inglaterra, Bélgica e Estados Unidos.

Greg relata que uma das grandes vantagens de morar na Europa é a proximidade dos diferentes países e a facilidade de acesso – seja por meio de viagens, seja pelas referências culturais e históricas, únicas desse continente.

Mas o caminho pode não ser fácil. “É preciso planejamento e muita força de vontade para superar as inúmeras barreiras de se viver sozinho em um outro país. Além da distância física da família e dos amigos, no início pode ser difícil lidar com as diferenças culturais, até mesmo aqui em Portugal. Apesar do idioma ser o mesmo, o estilo de vida é mais simples, menos consumista e muito mais tradicional do que o nosso. Os portugueses valorizam as raízes – a família, de uma maneira diferente do que estamos acostumados. Mas por outro lado, temos a possibilidade incrível de mudar nossa forma de ver a vida e o mundo, aprender novas línguas e culturas.”

Greg hoje tem muitos amigos, embora essa tenha sido uma trajetória mais lenta. “Talvez porque para fazer amizades demore mesmo, a gente tem que se adaptar e se fazer conhecer. Mas, ao mesmo tempo, há uma facilidade em criar relacionamentos. Apesar das diferenças culturais há muito em comum, por conta da rede. Trabalho em uma área muito aberta, onde as referencias são mundialmente parecidas. Isso facilita essa comunhão de ideias. A base é a mesma, mas cada um tem um toque. E não há confronto de ideias, as diferentes visões acrescentam, se complementam e a troca é rica e facilita a criação de um trabalho único”, ele conta.

No ano passado uma amiga dele que estuda em Portugal viu uma matéria aqui no Blog da Tissen sobre uma oferta de bolsas de estudo em Milão e contou para ele. Greg resolveu tentar a sorte e se inscreveu. Na primeira etapa do processo seletivo, teve que criar uma ideia para mudar o mundo. A plataforma de design Visionary, desenvolvida para ajudar pessoas com retinose pigmentar, uma cegueira progressiva, foi bem recebida e ele conseguiu seguir adiante. Passou por entrevistas, teve que apresentar um portfólio de trabalhos acadêmicos e ganhou a bolsa.

Em outubro, Greg parte para Milão. Vai estudar na Scuola Politecnica di Design, especializada em pós-graduação de profissionais da área. Sua bolsa é de 15 meses e cobre todas as despesas do curso, o que representa 15 a 18 mil Euros anuais.

Sobre as suas expectativas, Greg está muito feliz com a conquista e espera que o curso ofereça um aperfeiçoamento em design muito bom. A escola é pequena e ele vai viver uma experiência única. O curso é oferecido a apenas 200 alunos. Além disso, sempre teve um sonho de viver na Itália, seu avô é de lá e ouviu muitas historias dele. Sempre se viu por lá.

Desde que chegou em Portugal Greg não retornou ao Brasil. Saudades de casa? “Mais da minha família, mãe, pai e irmã gêmea. Mas eu preciso fazer isso. As coisas que eu tenho vivido aqui eu não teria conseguido viver em São Paulo. Estou num pais diferente, tento me adaptar e respeitar ao máximo a cultura deles. Fui em quem chegou, tento sempre me adaptar. Sei que minha família está do meu lado e muito feliz por mim. E eles tem vindo me visitar, o que ameniza um pouco a distância”.

Greg acha que falta um pouco arriscar. “Se eu não tivesse visto essa matéria e tentado eu não teria conseguido essa bolsa. E foi mais fácil do que eu imaginava. Claro, desenvolver o projeto foi trabalhoso, mas valeu a pena!”

Andrea Tissenbaum, a Tissen, escreve sobre estudar fora e a experiência internacional. Siga o Blog da Tissen no Facebook e no Twitter