Memórias de uma viagem

Memórias de uma viagem

Andrea Tissenbaum

30 Agosto 2016 | 09h41

Minha amiga Loes e eu em Copenhagen comendo o melhor hot dog do mundo!

Minha amiga Loes e eu em Copenhagen comendo o melhor hot dog do mundo!

Viajar é uma experiência enriquecedora na qual aprendemos muito. Enriquece a alma, abre a sua cabeça, desafia os seus limites…

Me lembro como se fosse hoje de uma longa viagem que fiz a trabalho e que se estendeu por conta de uns dias de férias que resolvi tirar. 

Estava na Europa e tinha planejado fazer tudo de trem. Não queria pegar aviões e passar por aquelas filas intermináveis que hoje temos que enfrentar. Foi a melhor escolha que fiz. Apesar de ter viajado muito nunca tinha feito um mochilão. Então apelidei esta viagem de minha “mochilinha”.

Embora fosse uma viagem de trabalho, super organizada, parti com o espirito de aventura, de fazer coisas novas, de experimentar. Foi incrível. Meus destinos eram lugares onde nunca havia estado: pequenas cidades da Suíça, Bélgica, Holanda, Dinamarca e Alemanha. E, apesar da agenda apertada, arrumei tempo para andar pelas ruas, observar, aprender, visitar museus, conversar, trocar.

Tive a sorte de conhecer pessoas especiais durante essa viagem. Parceiros de trabalho que, como eu, também rodavam o mundo para visitar universidades e fechar acordos de intercâmbio. Gente também inquieta e curiosa, interessada em conhecer e absorver culturas e outras formas de viver. Não me deixaram descansar por um só segundo.

Em cada lugar uma comida marcava meu trajeto. Cada encontro que tinha era acompanhado por um almoço ou um jantar inesquecível que me faziam entender que a apresentação de segredos gastronômicos locais é essencial quando se quer compartilhar uma cultura. De um jantar chiquérrimo com o diretor do departamento de finanças da Universidade Católica de Leuven, Bélgica, ao melhor cachorro quente do mundo degustado com minha amiga Loes em um parque de diversões em Copenhagen, provei de tudo. E chocolate, sim, muito chocolate acalentava minha alma aventureira. Nunca vi nem senti tanto cheiro de chocolate em minha vida. Era o presente ideal que ganhava em cada parada. O mais perfeito, sinônimo de felicidade garantida.

Quando peguei meu primeiro trem confesso que fiquei um pouco assustada. Por falta de hábito, cheguei cedo na estação para evitar problemas, como se fosse viajar de avião. Nessa parte do mundo o relógio existe e a gente pode acreditar que funciona na hora exata. Mesmo assim, quase me atrapalhei com a plataforma do trem que tinha que pegar – tudo era novo para mim.

Rapidamente peguei a manha. A cada dois ou três dias estava em um novo lugar visitando universidades. Optei por ficar sozinha no pouco tempo livre que tinha. Eu queria conhecer os lugares e, para isso, precisava caminhar pelas cidades, sentar em cafés, comprar uma fruta em um quiosque, passar na porta de um museu e entrar, pegar um ônibus e rodar até o ponto final. Viver o cotidiano das pessoas. Para ver e aprender, sem planejar.

Coisas incríveis aconteceram nessa viagem. Me perdi e me achei várias vezes. Dei muitas risadas sozinha. Fucei tudo o que podia e não podia. Andei centenas de quilômetros. Aproveitei meus finais de semana curtindo cada detalhe, cada segundo do meu tempo. Visitei todos os museus que pude (adoro arte), mercados e praças. Tive a sorte de ser contemplada com alguns dias de sol radiante que contagiavam as pessoas com bom humor.

Finalmente, minha missão acadêmica estava cumprida. Parti de Copenhagen para minhas férias em Berlim. De trem é claro, mas com direito a uma travessia em um ferry pelo mar Báltico. Enquanto os vagões aguardavam no porão do navio os passageiros curtiam a paisagem no deck.

Berlim era a primeira grande cidade que eu pisava. A imensa estação estava repleta de gente. Fui atendida no balcão de informações por um senhor que arrastava os “erres” em seu precário inglês: “você pode pegar um taxi, 25 euros, ou pegar o ônibus por dois euros para chegar no mesmo destino”.

Acredito que viajar é uma forma de aprender super enriquecedora, que eleva o espírito e faz bem. Tira você da sua zona de conforto. Coloca você de cara com o novo e com o desconhecido. Exercita a sua flexibilidade e a sua curiosidade.

Então não tive dúvidas. Subi com minha malinha no ônibus tomada pelo espírito de alguém que havia acabado de fazer sua “mochilinha”. Sentei ao lado da janela. O sol batia forte, a paisagem era nova, meu espírito estava completamente livre.

Andrea Tissenbaum, a Tissen, escreve sobre estudar fora e a experiência internacional. Siga o Blog da Tissen no Facebook e no Twitter