Inscrições abertas para a escola de verão do Instituto Weizmann de Ciências, em Israel

Inscrições abertas para a escola de verão do Instituto Weizmann de Ciências, em Israel

Andrea Tissenbaum

18 de fevereiro de 2020 | 09h16

Bolsistas da Escola de Verão do Instituto Weizmann 2019 | Crédito: Divulgação

Bolsistas da Escola de Verão do Instituto Weizmann 2019 | Crédito: Divulgação

São quatro bolsas integrais para jovens curiosos, empreendedores e interessados em desenvolver projetos científicos que transformem o mundo.

O grupo Amigos do Instituto Weizmann do Brasil vai selecionar alunos brasileiros para quatro bolsas integrais na Escola de Verão do Instituto Weizmann de Ciências. Localizado em Rehovot, Israel, o International Summer Science Institute acontecerá de 07 a 20 de julho de 2020. Nesse período, o Instituto abrirá seus mais modernos laboratórios nas áreas de bioquímica, biologia, química, matemática, ciência da computação e física para jovens talentos em ciências do mundo todo.

O programa é feito para jovens curiosos, empreendedores, que gostam de estudar e desenvolver projetos que transformem o mundo, como Leonardo Azzi Martins e Patricia Honorato Moreira, bolsistas da escola de verão em 2019.

Leonardo, 19 anos, é formado pelo curso técnico integrado em Mecatrônica do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense – IFSul. “Em 2009, meu avô, que era diabético, teve sua perna amputada devido a uma trombose. Mobilizado por essa situação, quando comecei meus estudos no IFSul, resolvi criar com alguns colegas uma solução para ajudar pessoas como ele, que é um trabalhador rural aposentado. Foi assim que surgiu o projeto SmartLeg, uma prótese transfemoral robótica, financeiramente mais acessível. Nós levamos quatro anos desenvolvendo a ideia e o resultado final foi um sucesso. Recebemos mais de 20 premiações e destaque em feiras no Brasil e exterior.

Leonardo Azzi Martins (esq), Instituto Weizmann | Foto: Leonardo Azzi Martins

Leonardo Azzi Martins (esq), Instituto Weizmann | Foto: Leonardo Azzi Martins

Em 2019, fui aceito para participar do programa de verão do Instituto Weizmann e a experiência foi excepcional. Eram 75 jovens do mundo todo que tinham em comum o amor pela ciência. Fizemos pesquisa por três semanas, tivemos aulas com doutorandos e pós-doutorandos do Instituto e viajamos pelo país. Aprendi, na convivência com gente das mais diversas origens, como as pessoas são parecidas. Essa foi a primeira vez que participei de um programa internacional. Posso dizer que vivi o real sentido de um intercâmbio e da colaboração”.

Patrícia, também tem 19 anos. Estudante de escola pública, aos 15 anos ganhou uma bolsa de estudos no SESI de Goiânia que mudou sua vida. “Foi nessa escola que pude me juntar a um grupo de ciências e robótica. Desenvolvi um projeto para solucionar a problemática da eutrofização, processo de poluição de corpos d’água que mata milhares de animais aquáticos ao redor do mundo, usando a semente de Moringa oleifera. Encontrei uma forma de remover os altos índices de nitrogênio e fósforo – principais causas desse processo, para garantir a vida aquática em lagos e rios.”

Patricia Honorato Moreira (meio), Instituto Weizmann | Foto: Patricia Honorato Moreira

Patricia Honorato Moreira (meio), Instituto Weizmann | Foto: Patricia Honorato Moreira

A experiência da jovem na escola de verão do Instituto Weizmann também foi impactante. “Aprendi inglês por conta própria e ganhei confiança para enfrentar novas situações e desafios. Nos dias úteis trabalhávamos nos projetos e nos finais de semana viajamos pelo país. Conheci o mar e o deserto. Tive a oportunidade de ouvir a vencedora do Prêmio Nobel de química de 2009, Ada Yonath, cientista do Instituto Weizmann, contar sua longa trajetória de pesquisa e trabalho. Minha rede de amigos se ampliou e hoje mantenho contato com pessoas na Suíça, Hong Kong, EUA e Alemanha. Foi uma oportunidade de crescimento pessoal excepcional”.

Nesta edição do programa, além de participarem diretamente de pesquisa científica de ponta, trabalhando em laboratórios e desenvolvendo projetos de investigação ao lado de profissionais, os estudantes selecionados vão conhecer Israel e “dividir a bancada” com cerca de 80 jovens de vários países.

A programação inclui três semanas dedicadas à pesquisa científica nos laboratórios com orientação de cientistas renomados, além de palestras, seminários e visitas a algumas das instalações de última geração no campus. Os alunos também participam de oficinas de debates e de criação de vídeos curtos, transmitindo mensagens de ciências, que depois poderão ser distribuídas nas redes sociais.

Na última semana, os estudantes se deslocam para o deserto da Judéia e do Neguev, onde acompanhados de experientes guias, fazem caminhadas e vivenciam “in loco” o entorno e a história deste ecossistema único e peculiar.

>> Como participar:

O concurso é aberto a estudantes de todo o Brasil que tenham terminado o ensino médio ou que estejam cursando o primeiro ano da faculdade em 2020. Os alunos devem ter idade entre 18 e 20 anos na data do programa e é essencial o domínio do inglês. Os candidatos selecionados receberão bolsa integral que inclui viagem, estadia e taxas de atividades financiada pelo Grupo dos Amigos do Weizmann do Brasil.

Para participar do processo seletivo é necessário responder o formulário disponível no site Amigos do Weizmann até o dia 05 de março.

A segunda fase do processo consiste em entrevista pessoal em inglês com os candidatos selecionados, que acontecerá no dia 19 de março, via Skype (os candidatos convocados para essa fase serão notificados por e-mail/telefone). O resultado será divulgado em 25 de março pelo site.

A Profa. Regina Markus, pesquisadora da USP e vice-presidente dos Amigos do Weizmann do Brasil, explica que esse programa não termina com a ida dos alunos à Israel. “Os bolsistas passam a fazer parte de uma rede exclusiva e a conviver com profissionais brasileiros muito bem-sucedidos que os acompanham por toda a vida. Em Israel, eles montam projetos pontuais, experimentam hipóteses e fazem apresentações. Disseminam o que aprenderam e tornam-se multiplicadores. É uma oportunidade única onde os caminhos das pessoas mais diferentes se cruzam”.

Das quatro vagas disponíveis para o Brasil, três serão preenchidas pelos candidatos escolhidos pelo processo seletivo (através do formulário disponível no site), e uma vaga será oferecida como prêmio a um estudante durante a FEBRACE, Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, que vai acontecer de 17 a 19 de março, em São Paulo.

Saiba mais sobre o Instituto Weizmann de Ciências: 
Localizado em Rehovot, Israel, o Instituto Weizmann de Ciências é uma das mais respeitadas instituições de pesquisa multidisciplinar no mundo. O Instituto abriga cerca de três mil cientistas, estudantes, técnicos e equipe de apoio.

O Weizmann desenvolve uma ampla gama de pesquisas baseadas na curiosidade, para gerar conhecimentos em benefício da humanidade.  O Instituto está sempre em busca de novos caminhos para combater doenças, desenvolver novas tecnologias e materiais e criar estratégias para proteger o meio ambiente.

Andrea Tissenbaum, a Tissen, escreve sobre estudar fora e a experiência internacional. Também oferece assessoria em educação e carreiras internacionais
Entre em contato: tissen@uol.com.br

Siga o Blog da Tissen no Facebook, Twitter e Instagram.