Como fazer uma boa candidatura para um mestrado no exterior

Como fazer uma boa candidatura para um mestrado no exterior

Andrea Tissenbaum

14 de setembro de 2021 | 09h28

Mestrado no exterior | Foto: Felicia Buitenwer, via Unsplash

Mestrado no exterior | Foto: Felicia Buitenwer, via Unsplash

Para quem quer internacionalizar o currículo, criar uma rede global, ampliar seus horizontes e aprender muito, esse caminho é imbatível.

Eu sempre falo que a experiência de estudar no exterior pode acontecer em diferentes momentos da vida e, por isso, não deve haver pressa em fazê-la acontecer. Para alguns estudantes, fazer a graduação fora do Brasil é essencial. Para outros, no entanto, estudar aqui (com a possibilidade de um intercâmbio), criar laços profissionais e deixar a experiência internacional para o mestrado, quando estão mais maduros e certos de qual especialização pretendem seguir, é o caminho escolhido.

Momento em que o aluno vai se aprofundar em temáticas do seu interesse, o mestrado no exterior é um curso intenso, de até dois anos de duração, que pode ter uma abordagem mais teórica ou mais prática. Sempre desafiador, oferece programas que levam o estudante a um novo patamar, enriquecendo seu repertório e capacidade de impactar o mundo à sua volta. No exterior, diferentes tipos de mestrado são oferecidos e vale a pena conhecer suas denominações para poder escolher bem o programa que melhor se encaixa com seus objetivos.

A maioria dos programas se subdividem entre os Master of Arts (MA) – focados nas Artes e Humanidades e em algumas áreas das Ciências Sociais, e os Master of Science (MSc) – voltados para as áreas de Ciência e Tecnologia. Ambos incluem aulas teóricas e práticas, trabalho de campo (em alguns casos) e uma dissertação final.

Além disso, programas mais específicos como o Master of Research (MRes) e o Master in Philosophy (MPhil), focam no estudo independente do aluno ao invés de seminários e palestras em sala de aula. O objetivo é preparar pesquisadores, independentemente da área temática escolhida, que eventualmente queiram seguir a carreira acadêmica e fazer um doutorado.

De um modo geral, os processos de candidatura exigem o histórico escolar e diploma da graduação com tradução juramentada, uma carta de motivação, cartas de recomendação, currículo e o exame de proficiência no idioma do curso. Em alguns cursos, entrar em contato com um professor para falar sobre sua pesquisa e requisitar orientação de tese faz parte do application, assim como apresentar bons resultados em exames como o GRE (exigido com frequência para a maioria dos programas nos EUA). Outra prova altamente solicitada, especialmente para cursos voltados às exatas, como Business, é o GMAT.

Vale ressaltar que mundo afora existem programas intitulados Masters cuja carga horária e exigências são bem menores que as dos mestrados tradicionais. Esse é o caso dos Masters de 60 ECTS (número de créditos cursados) em várias partes da Europa, que normalmente complementam os cursos de graduação de três anos, e de alguns Masters of Arts nos EUA. Como a revalidação desses títulos de especialização no Brasil se faz bastante difícil por conta do currículo enxuto e ausência de uma defesa de tese, é importante prestar atenção antes de fazer sua escolha. 

Falando nisso, estude os currículos dos programas de seu interesse porque a variedade das ofertas é imensa e há muitos mestrados interdisciplinares que envolvem pelo menos duas áreas correlatas. Procure saber quais professores fazem parte do corpo docente e quais são suas linhas de pesquisa. Se achar interessante e já tiver em mente um tema que deseja desenvolver, entre em contato com eles – mesmo quando isso não é obrigatório. Esse contato é valioso e quando bem feito abre portas.

Da mesma forma, pesquise as bolsas de estudo oferecidas em sites nacionais e internacionais, a oferta para pós-graduação (graduate studies) é imensa e deve ser explorada (se digitar scholarships no google entenderá o que estou dizendo). Faça tudo com tempo, dedique-se, tenha paciência e organize um cronograma – especialmente se você tiver que prestar algum exame obrigatório. Pense bem para quais cursos quer se candidatar e deixe tudo pronto para quando as inscrições abrirem.

Há muitos processos que funcionam no sistema de “rolling basis application”, o que quer dizer que quanto mais cedo você se candidatar, mais chances terá de ser aceito por estar concorrendo a um número maior de vagas. Deixar tudo para a última hora pode implicar em concorrer às vagas que restaram ou até mesmo em perder a chance de se candidatar porque os alunos já foram escolhidos e as inscrições encerradas.

Andrea Tissenbaum, a Tissen, escreve sobre estudar fora e a experiência internacional. Também oferece assessoria em educação e carreiras internacionais.
Entre em contato: tissenglobal@gmail.com

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