Com a palavra Ben Nelson, fundador da Minerva Schools

Com a palavra Ben Nelson, fundador da Minerva Schools

Andrea Tissenbaum

06 Setembro 2016 | 07h18

Ben Nelson, apresentando a escola a pais e alunos| Foto: Danilo Vaz, aluno da Minerva Schools

Ben Nelson apresentando a escola a pais e alunos| Foto: Danilo Vaz, aluno da Minerva Schools

Em entrevista exclusiva ao Blog da Tissen, Ben Nelson explica as bases desta universidade inovadora que propõe uma forma de educar diferenciada.

Ben Nelson é um empreendedor de sucesso visionário com uma antiga paixão por reinventar a educação superior.

Seus questionamentos e ideias a respeito do sistema tradicional de ensino universitário começaram cedo, quando ainda era estudante de graduação da Wharton School, escola de negócios vinculada à Pennsylvania University.

“Quando eu estava na universidade tinha essa clara noção de que o currículo faz diferença em sua formação educacional. Nas universidades nos Estados Unidos a maior parte das aulas na graduação tem pouca relação com a sua área de estudo. E fora dos EUA, o aluno estuda somente aquilo que é específico da sua área. Não há espaço para um currículo mais abrangente, que integre o conteúdo à prática. Minha hipótese era que o currículo das universidades tradicionais formava um corpo de profissionais inteligentes e bem intencionados, mas com muito pouco preparo sobre como se conectar com outras pessoas, como lidar com escolhas ou mesmo sobre como tomar decisões.

O conceito das Artes Liberais, que tem origem na Antiguidade Clássica se refere a um processo de desenvolvimento intelectual estruturado no qual os cidadãos livres de Roma eram educados nas várias artes da sociedade. Tratava-se de um conhecimento integrado que lhes permitia governar, caso fossem convocados para isso, e tomar decisões práticas como, por exemplo, onde e em que investir ou o que construir e como faze-lo”, explica Ben.

“A ausência deste tipo de desenvolvimento intelectual hoje em dia nas universidades é clara. Mas nós sabemos como o processo certo deve ser. Sabemos que o sistema de ensino deve oferecer ao aluno ferramentas que lhe permitam explorar de diversas maneiras assuntos que se tornam mais específicos ao longo dos seus quatro anos de estudo. Até que tenha uma forte compreensão de sua área. E opte ou não por uma pós-graduação, necessária muitas vezes para estudos adicionais”, acrescenta.

Fundado em 2011, o projeto Minerva Schools tem como proposta ser uma universidade que foge completamente aos padrões tradicionais do ensino superior. A primeira turma começou as aulas em setembro de 2014.

Com programas que combinam vivências internacionais prolongadas em seis países e conteúdos interdisciplinares oferecidos via seminários online, os estudantes da Minerva Schools são instigados a pensar e a criar. “Queremos cultivar habilidades de pensamento crítico e comunicação em nossos alunos, prepará-los para que saibam se relacionar e criar em suas áreas”, diz Ben.

“Não há salas de aula e o nosso campus é itinerante. No primeiro ano, os alunos vivem em San Francisco, sede da Minerva. Na sequência, ao longo dos outros seis semestres, vivem em Berlim, Buenos Aires, Seul, Bangalore, Istambul e Londres. Nessas cidades eles fazem estágios e atividades monitoradas por nossa equipe de ensino. Vivenciam a economia, a política e a cultura desses lugares em primeira mão”.

As aulas são online com no máximo 19 alunos por turma. E diariamente eles são colocados frente a frente por meio de uma plataforma interativa e participam de discussões desafiadoras que provocam sua forma de pensar e exigem preparo. “Eles precisam se engajar e participar na aula, para seu próprio benefício e para o benefício de seus colegas. Devem se preparar antes da aula para agregar valor à classe”, conta Ben.

Tudo é muito visível, não há como se esconder. Na Minerva a turma do fundão não existe. Os professores trabalham para ajudar os alunos a superar suas dificuldades. Além disso, um forte esquema de acompanhamento acadêmico entra em ação desde o primeiro dia de aula.

“Proporcionamos um tipo de educação onde o aluno aprende uma série de conceitos e tem que aplicá-los em diferentes cursos, aliamos a teoria à prática. É por isso que criamos uma plataforma de ensino que leva em conta a expansão da informação e a utilização de diversos tipos de tecnologia, mas que ao mesmo tempo, facilita uma formação personalizada”, conta.

Os alunos da Minerva Schools vêm de todas as partes do mundo. A escola é muito diversificada e internacional, embora isso não seja intencional. “Nós avaliamos os alunos por mérito e acreditamos que o talento é amplamente espalhado, está em todas as partes. Mérito não é sobre fazer bem uma prova. Ir bem na escola conta, é claro, mas buscamos mais que isso”, explica Ben.

O processo seletivo é bastante exigente e há um propósito para isso. Em 2015, somente 220 alunos de um grupo de 11 mil candidatos foram admitidos e em 2016, 1.9% dos 16 mil candidatos foram aceitos. Atualmente, dez brasileiros são alunos da Minerva Schools.

“Queremos que os alunos que entram na Minerva mantenham o alto padrão ao qual nos propomos. Não temos um número pré-fixado de estudantes que aceitamos. Se o aluno se qualifica, é aceito para a escola. Não importa de onde venha, não temos cotas. O que queremos é ter a certeza de que os alunos que aceitamos possam acompanhar as exigências da escola”.

De fato, o processo seletivo é simples e exames de qualificação como o SAT (prova para ingressar nas universidades americanas) não são solicitados. A primeira fase envolve uma vídeo conferência na qual o candidato, além de se apresentar, responde a algumas questões de conhecimentos gerais e raciocínio lógico. Em inglês, é claro. Minerva busca alunos que apresentem um perfil de liderança, criatividade e iniciativa e que tenham um bom currículo acadêmico que inclua atividades extracurriculares e participação em suas comunidades. A maturidade também é um requisito do aluno Minerva. Afinal, como parte do programa, vivem em várias cidades do mundo ao longo do curso e isso exige uma atitude bastante diferenciada.

“Em termos de custo, Minerva é uma universidade acessível, especialmente quando comparada a outras instituições americanas de excelente padrão de ensino. Nossa anuidade acadêmica fica em torno de 28 mil dólares. Mesmo assim, oferecemos bolsas de estudo, oportunidades de trabalho e estudo (work and study program) e crédito educativo”.

Minerva é uma full time School, na qual os alunos trabalham 40 horas por semana e têm uma carga de tarefas pesada a cumprir. “Todos moram em residências coletivas e o convívio é intenso. Aprendem a se relacionar e a se apoiar em seus colegas, aprendem a colaborar. Recebem da escola um forte sistema de apoio acadêmico, emocional e de orientação de carreira. Conhecem o mundo e aprendem a aplicar seus conhecimentos em diferentes contextos. Mudam o jeito no qual suas mentes processam o aprendizado. São desafiados a pensar individual e coletivamente, a criar e a sair de sua zona de conforto”, resume Ben.

E têm sucesso. “Nossos alunos se colocam muito bem no mercado, já observamos isso com a primeira turma. As melhores marcas do mundo como a Apple, Amazon, AMBEV, Uber e Airbnb, entre outras, solicitam nossos alunos para estágios. Os relatórios também mostram que eles têm uma capacidade de encontrar soluções melhores que pessoas formadas. Eles têm iniciativa e não temem experimentar”, finaliza.

> Video gentilmente cedido pela Minerva Schools ao Blog da Tissen.

Andrea Tissenbaum, a Tissen, escreve sobre estudar fora e a experiência internacional. Siga o Blog da Tissen no Facebook e no Twitter