Apesar da distância nunca estivemos tão conectados

Apesar da distância nunca estivemos tão conectados

Andrea Tissenbaum

21 de abril de 2020 | 10h35

Foto: Hugo Jehanne Lohvrtsdvz, via Unsplash

Foto: Hugo Jehanne Lohvrtsdvz, via Unsplash

Mesmo com as incertezas e mudanças geradas pelo novo coronavírus, estudar fora do Brasil  é uma possibilidade.

Sim, muito mudou em nossas vidas nos últimos meses. Estamos experimentando situações inéditas que forçam readaptações e novos aprendizados. Mas, desta vez, a mudança é global, o que significa que estamos todos no mesmo barco.

Em todas as partes do planeta as universidades fecharam suas portas. Alunos estrangeiros, em sua maioria, retornaram aos seus países de origem. O ensino começou a ser oferecido online, após vários desafios e barreiras, ainda não necessariamente superadas. O formato online adotado inicialmente, como uma alternativa para cumprir o primeiro semestre de 2020, provavelmente se estenderá, por segurança e bom senso. Preservar a saúde dos alunos, professores e funcionários das instituições de ensino é prioridade geral. Ficar em casa neste momento é fundamental.

Segundo o Prof. João Amaro de Matos, vice-reitor da Universidade NOVA de Lisboa, em artigo no periódico português Expresso, “as implicações da COVID-19 nas universidades são grandes, pelas melhores e piores razões. Fechamos, surpresos com a nossa capacidade de adaptação e aprendemos com o processo; gerimos incertezas para o final do ano, evitando passagens administrativas e mantendo a integridade e credibilidade do sistema; tentamos prevenir o impacto econômico anunciado, esperando que possa ser um espaço de oportunidades”.

As incertezas geradas pelo novo coronavírus certamente já estão gerando questionamentos nos planos de quem foi aceito para iniciar seus estudos no exterior a partir de agosto – setembro de 2020, mas não necessariamente uma impossibilidade de ir, na medida em que alternativas estão sendo criadas. É que se a situação persistir para além de julho, as instituições de ensino superior, tão afetadas quanto os alunos, vão se ajustar às mudanças que estão porvir e flexibilizar regras e normas. Como aliás já estão fazendo. Tudo é muito novo para todos, então a paciência coletiva é fundamental. Ainda não vale a pena se precipitar e desistir dos seus planos.

Informações colhidas em diversos sites que oferecem atualizações aos alunos apontam mudanças no formato das aulas ou nas datas de início dos programas. Exames que sempre foram realizados presencialmente, como o TOEFL iBT, GMAT e o Graduate Record Examination – GRE, agora podem ser feitos online. Uma matéria do The New York Times publicada em 15 de abril, discute a possibilidade do SAT e do ACT, exames exigidos para alunos que vão se candidatar a uma graduação no exterior, receberem uma versão online ainda este ano. A mesma publicação aponta para o fato de, “em meio à crise causada pela pandemia, diversas universidades, pelo menos temporariamente, terem tornado os resultados do ACT e SAT opcionais para os candidatos de 2021”. Além disso, se começar as aulas à distância não for possível para os estrangeiros recém aprovados, como muitas universidades podem adiar a admissão por um semestre ou um ano, iniciar os estudos em janeiro ou mesmo agosto de 2021 pode ser uma boa alternativa.

O fato é que no mundo globalizado em que vivemos, a prática de estudar no exterior é irreversível. A troca de conhecimento, a possibilidade de conviver com novas culturas e a flexibilização gerada pela absorção de valores são ganhos demasiadamente importantes no desenvolvimento de futuros profissionais. De fato, a experiência de expansão e rompimento de fronteiras que a oportunidade internacional oferece é única.

O ambiente acadêmico atual, por premissa internacional, pressupõe a interdisciplinaridade com base em uma visão global. Como afirma o Professor João Amaro de Matos, “mais do que nunca, a colaboração e o diálogo internacional entre pares qualificados acrescentam um valor incalculável a novas descobertas. Diante da pandemia, tivemos os motivos certos para superar barreiras e preconceitos. A tecnologia aproximou investigadores para além da troca de e-mails. Docentes forçam-se a renovar sua linguagem e a adaptar-se aos novos meios. Esta súbita descoberta diminui distâncias na partilha de conhecimento, na investigação e no ensino, facilitando o desenvolvimento internacional”.

Diante deste cenário, uma coisa é certa: seja lá o que acontecer, estudar no exterior nunca mais será a mesma coisa. Daqui pra frente, a experiência envolverá não somente a vivência em um país estrangeiro, como a permanente troca de informações online. Mesmo à distância, nunca estivemos tão conectados. Como explica o Prof. João Amaro de Matos, citando uma passagem de um romance de Afonso Cruz quando o filho pergunta ao pai onde começa o estrangeiro, “este, apontando para o tapete da porta da rua, diz-lhe que começa logo à saída de casa”. 

Andrea Tissenbaum, a Tissen, escreve sobre estudar fora e a experiência internacional. Também oferece assessoria em educação e carreiras internacionais.
Entre em contato: tissen@uol.com.br

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