A experiência global da empresa júnior

A experiência global da empresa júnior

Andrea Tissenbaum

25 de julho de 2019 | 08h49

Seminário global das empresas juniores | Foto: Lucas Mantovani

Seminário global das empresas juniores na Tunísia | Foto: Lucas Mantovani

Criadas e geridas por estudantes universitários, elas estão em diversas partes do mundo e oferecem uma dimensão internacional a seus participantes.

Tive meu primeiro contato com uma empresa júnior quando estava no Insper. Moçada série, dedicada, que sob a supervisão de professores, desenvolvia e entregava projetos para empresas do mercado e não deixava a desejar em seus resultados. Aproveitavam ao máximo esse espaço, que tinha uma importância fundamental em sua formação. Era ali que experimentavam o aprendizado prático. Participavam de equipes, assumiam cargos e viviam os desafios reais da gestão de uma organização. E se já era bacana fazer parte dessa rede aqui no Brasil, imagine poder expandi-la para fora de nossas fronteiras.

Lucas Mantovani (direita) com seus colegas da Poli Junior | Foto: Lucas Mantovani

Lucas Mantovani (direita) com colegas da Tunísia e Marrocos em Casablanca| Foto: Lucas Mantovani

 

Esse é o caso de Lucas Mantovani, 22 anos, aluno do último ano de Engenharia Civil na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo – USP. Logo no primeiro semestre do curso, entrou para a Poli Júnior, onde participou de diversas áreas e projetos até chegar ao cargo de diretor de gestão de pessoas. Após três anos de trabalho, resolveu se candidatar ao cargo de diretor de desenvolvimento do Conselho Global de Empresas Juniores.

Criado em 2016 durante a Junior Enterprise World Conference – JEWC, o Conselho Global acompanha e aproxima empresários juniores, e também desenvolve essas organizações em países onde elas ainda não existem. Sim, as empresas juniores são uma rede internacional onde a intensa troca de culturas e experiências envolve estudantes e professores de várias partes do mundo.

Lucas Mantovani (centro) com seus colegas em seminário global | Foto: Lucas Mantovani

Lucas Mantovani (centro) com seus colegas em seminário global | Foto: Lucas Mantovani

“Eu me preparei em pouco tempo para o processo de candidatura que foi bastante desafiador e incluiu entrevistas com representantes do próprio conselho, composto por membros da Europa, Estados Unidos, Canadá, Tunísia e Marrocos. Fui aprovado em meados de dezembro de 2017, e isso implicava ir para Bruxelas por um ano com uma bolsa de estudos oferecida pela própria organização. Minha rotina não permitia que eu estudasse enquanto estivesse trabalhando, então tranquei a faculdade. Hoje essa política é diferente. Os novos conselheiros permanecem em seus países e estudam enquanto participam do conselho”.

Lucas conta que viver em Bruxelas foi uma oportunidade extraordinária e que não poderia ter feito um intercâmbio de outra forma. “Sou de Tupã, interior de São Paulo, nunca tinha saído do Brasil. Então, chegar lá já foi um evento. Viver o dia a dia trabalhando com outros empresários juniores de várias partes do mundo foi bem diferente. Eu morava em uma casa com representantes do conselho e da confederação europeia. Nosso cotidiano era todo em inglês e a experiência foi bem imersiva, porque passávamos o tempo todo juntos. Os europeus são muito rigorosos com horário e rotina e seguíamos um cotidiano bem regrado. Mensalmente, eu participava de algum evento relevante em Bruxelas, como o European Business Summit e o Fórum da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE.

Trabalhar com uma equipe multicultural foi rico e desafiador. Cada membro do grupo vinha de um país diferente, com um ritmo próprio de trabalho e nós tivemos que nos reorganizar. Aprendi a ser mais flexível e a criar um ambiente no qual as diferenças ficavam diluídas.

Lucas Mantovani e a equipe do Conselho Global de Empresas Juniores | Foto: Lucas Mantovani

Lucas Mantovani com empresários juniores de vários países  | Foto: Lucas Mantovani

Participei de congressos de empresas juniores e pude ver como elas funcionam em diferentes lugares. Foi interessante observar como países distantes fisicamente podem ser parecidos no plano cultural. O grupo da Tunísia era muito focado em propósito e aberto ao compartilhamento de informações e dados para ajudar outras empresas. Também tinha uma energia especial nos encontros, um povo animado, como nós aqui no Brasil”.

O trabalho de Lucas era lidar com essas empresas juniores internacionais e cuidar da comunicação. “Tive que aprender marketing digital, análise de dados e criação de indicadores para projetar os números estrategicamente. Participei de nossa mudança de estrutura. Nosso grupo desenvolveu o novo planejamento que vai até 2021, além de traçar metas de chegar a 50 países e ter mais de mil empresas juniores no mundo em três anos.

Fiquei em Bruxelas nove meses. Hoje estou organizando intercâmbios entre diferentes empresas juniores para gerar conexão entre as pessoas e maior proximidade com o conceito do que somos mundo afora. O programa permite que nossos empresários participem dessa experiência durante as férias. Ano passado foram 40 intercâmbios e houve uma troca forte entre o Marrocos, a Tunísia e o Brasil”.

Lucas explica que para entrar em uma empresa júnior você tem que estar muito interessado, ter vontade de aprender e disponibilidade para fazer as coisas acontecerem. “Empresas juniores entregam projetos e serviços para clientes do mercado com o objetivo de melhorar seus negócios. Todas têm um professor orientador, mas também envolvem outros docentes, especialistas em suas diferentes áreas. Além disso, contam com a parceira de empresas do mercado e ex-membros que também contribuem com os projetos.

Atualmente, há mais de 800 empresas juniores no Brasil, espalhadas por diversas instituições de ensino superior. Só na USP – estado de São Paulo – são mais de quarenta.

As boas oportunidades de crescimento e desenvolvimento pessoal oferecidas pela empresa júnior não deixam dúvidas. Como Lucas reforça, “é um o espaço de aprendizado que muda você. Isso sem falar nas redes locais e mundiais que se criam. São amizades e parcerias profissionais que se mantém para o resto da vida”.

Ficou interessado? Acompanhe as novidades no site da Confederação Brasileira de Empresas Juniores  Entenda o que é o Movimento Empresa Júnior AQUI.

Andrea Tissenbaum, a Tissen, escreve sobre estudar fora e a experiência internacional. Também oferece assessoria em educação e carreiras internacionais.
Entre em contato: tissen@uol.com.br

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