A candidatura a uma graduação no exterior

A candidatura a uma graduação no exterior

Andrea Tissenbaum

31 de agosto de 2021 | 07h44

Foto: Mimi Thian, via Unsplash

Foto: Mimi Thian, via Unsplash

Processo é repleto de detalhes que exigem planejamento e atenção dos estudantes, é importante informar-se e fazer tudo com tempo.

Se o vestibular é um exame que exige preparação e desempenho, a candidatura à universidades internacionais não poderia ser diferente. Assim como no Brasil, outros países do mundo também têm suas exigências para ingresso no ensino superior. A concorrência é grande e as exigências também o são, envolvendo exames, preparação de conteúdos, documentação e atividades extracurriculares. O “conjunto da obra” cria os diferencias que determinarão os candidatos escolhidos.

Partindo da premissa básica de que boas notas, atividades interessantes fora do ambiente escolar que promovem o desenvolvimento do aluno, e excelentes cartas de motivação e de recomendação são exigências comuns dos processos de candidatura, a organização fica mais fácil. Quando emitidos em português, o histórico escolar e o diploma de conclusão de ensino médio devem ser traduzidos para o idioma exigido pela universidade por um tradutor juramentado.

Outro quesito importante é o exame de proficiência no idioma do país ou do curso ao qual o aluno vai se candidatar. Ficar atento à oferta desses exames ao longo do ano é fundamental, uma vez que vários deles só acontecem em datas determinadas que, se “perdidas”, podem atrapalhar a apresentação da candidatura.

Mas além desse “pacote básico”, o que diferencia os applications?

– Nos EUA, exames como o SAT ou o ACT têm um peso bastante acentuado nos processos de candidatura e exigem que o aluno se prepare bem, o que pode levar mais de um ano de estudo dirigido. Desde 2020, por conta da Covid-19, ambos se tornaram opcionais por um grupo grande de universidades americanas e muitos estudantes que decidiram não faze-los foram aceitos. Vale a pena pesquisar quais instituições de ensino ainda mantém essa política.

– Em países como o Reino Unido, Holanda, Austrália e Nova Zelândia, é bastante comum que as instituições de ensino exijam que alunos brasileiros que concluíram o ensino médio façam o “Foundation Year”. Esse ano pré-universitário, no qual o estudante cursa algumas matérias relacionadas ao programa de ensino de sua escolha com apoio de tutores, representa uma excelente transição da escola para a universidade. Algumas universidade em Portugal, como a NOVA de Lisboa, também exigem o cumprimento de programas similares.

– Por falar em Portugal, embora a notícia seja “antiga”, vale repetir aqui que a maioria das universidades portuguesas aceitam o ENEM em seus processos de candidatura. No entanto, é importante ressaltar que isso só é possível para estudantes que têm apenas a cidadania brasileira. Alunos com dupla cidadania, Brasil-Europa, devem obrigatoriamente fazer o Exame Nacional, que é a prova de ingresso exigida para todos os estudantes europeus pelas universidades portuguesas. Nesses casos, declarar-se brasileiro para ingressar na universidade e depois mostrar a documentação europeia não só não é possível como também pode trazer sérios problemas para o aluno.

– No Canadá, embora o processo de candidatura seja mais simples e na maioria dos casos nenhum exame seja solicitado (além do de inglês), o histórico escolar e as atividades extraclasse do aluno ganham uma importância especial. Da mesma forma, seu desempenho no primeiro ano na universidade será um fator determinante para sua entrada no curso de escolha.

– Para quem vai se candidatar à universidades na Espanha, vale a pena ler atentamente as informações oferecidas neste LINK.

– Para aqueles que vão se candidatar à uma graduação em universidades na Alemanha, as informações dos sites do DAAD e Study in Germany são incrivelmente úteis.

O mundo é grande e cada país naturalmente tem suas próprias exigências. No âmbito da graduação a maioria deles, apesar de oferecer uma boa quantidade de cursos em inglês, costuma lecionar em seu idioma nativo.

> Leia mais: O peso da carta de recomendação no processo de candidatura

Por isso, é importante começar seu projeto de candidatura a uma universidade internacional com bastante antecedência, para que você possa se preparar realmente e cumprir as exigências das instituições às quais deseja se candidatar. Não deixe nada para o último minuto porque o volume de coisas à fazer é grande.

> Leia mais: A importância da carta de motivação

Pesquise os sites dos órgãos de representação educacional ou dos consulados dos países onde pretende estudar – ex. DAAD – Alemanha, Nuffic Neso – Holanda, British Council – Reino Unido, EducationUSA, Study in New Zealand, Study in Australia, Consejería de Educación de España en Brasil, Campus France Brasil.

Organizações como a BRASA, Estudar Fora e EducationUSA oferecem programas de mentoria gratuita para quem precisa de apoio nos applications, mas é preciso candidatar-se.

Leia atentamente as instruções oferecidas nos sites e siga as recomendações. Peça ajuda a amigos, familiares e consultores especializados. Não se isole, nem se sinta sobrecarregado. O processo exige muito, mas você é capaz de vencer todas as etapas.

Tenha em mente que fazendo tudo com tempo, conseguirá realizar sua candidatura com calma, da melhor forma possível!

Andrea Tissenbaum, a Tissen, escreve sobre estudar fora e a experiência internacional. Também oferece assessoria em educação e carreiras internacionais.
Entre em contato: tissenglobal@gmail.com

Siga o Blog da Tissen no FacebookTwitter e Instagram.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.