Quem fala mais de um idioma só tem a ganhar

Quem fala mais de um idioma só tem a ganhar

Berlitz Brasil

17 Março 2017 | 11h41

 

 

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*Isabel Ramirez

Falar duas línguas tem benefícios práticos em um mundo pautado pela  globalização, que vão muito além do que apenas ser capaz de conversar com mais pessoas. Os cientistas começaram a mostrar que ser bilíngue nos torna mais inteligente, melhora nossas habilidades cognitivas e protege o cérebro contra a demência na idade avançada. Para o jovem, tem uma vantagem a mais: se preparar para um mercado de trabalho ativo e promissor, no qual dominar mais de um idioma é um grande diferencial competitivo.

Até recentemente, os pesquisadores achavam que a vantagem bilíngue derivava principalmente de uma capacidade de inibição aprimorada pelo exercício de suprimir um sistema de linguagem. Essa explicação parece cada vez mais inadequada, uma vez que estudos recentes mostram que os bilíngues têm melhor desempenho do que os monolíngues, mesmo em tarefas que não requerem inibição, tais como desenhar uma linha conectando os pontos de números espalhados aleatoriamente em uma página.

A principal diferença entre bilíngues e monolíngues pode ser mais básica: uma maior capacidade de monitorar o ambiente. “Os bilíngues têm que trocar de idioma muitas vezes – você pode conversar com seu pai em um idioma e com sua mãe em outro”, diz Albert Costa, pesquisador da Universidade de Pompeu Fabra, na Espanha. Em um estudo que compara os bilíngues germano-italianos com monolíngues italianos, em tarefas de monitoramento, Costa e seus colegas descobriram que os bilíngues não só apresentaram melhor desempenho, mas também o fizeram com menos atividade em partes do cérebro envolvidas no monitoramento.

Em um estudo conduzido por Agnes Kovacs da Escola Internacional de Estudos Avançados em Trieste, Itália, bebês de sete meses de idade expostos a duas línguas desde o nascimento foram comparados com os pares criados com apenas um idioma. Nos primeiros estudos, as crianças foram apresentadas a um sinal de áudio e, em seguida, mostrou-se um boneco em um lado de uma tela. Ambos os grupos infantis aprenderam a olhar para esse lado da tela antes de verem o fantoche. Mas em um estudo posterior, quando o boneco começou a aparecer no lado oposto da tela, os bebês expostos a um ambiente bilíngue rapidamente aprenderam a mudar seu olhar para a nova direção enquanto os outros bebês não.

Em outro estudo recente, envolvendo 44 idosos hispano-ingleses bilíngues, os cientistas descobriram que indivíduos com um maior grau de bilinguismo eram mais resistentes do que outros ao início da demência e de outros sintomas da doença de Alzheimer: quanto maior o grau de bilinguismo, mais tarde esse processo degenerativo se inicia.

*Isabel Ramirez é diretora de Currículo e Treinamento do Berlitz Brasil