Participação dos pais na vida escolar melhora o desempenho das crianças

Participação dos pais na vida escolar melhora o desempenho das crianças

Do Colégio

09 Maio 2016 | 11h04

A participação dos pais é fundamental, se não decisiva, para o bom rendimento escolar dos filhos. Nenhum outro fator tem tanto impacto para o progresso do aluno quanto a interferência adequada da família. Quanto mais ativos os pais, maior a chance de o filho tirar boas notas durante toda a vida escolar e terminar uma faculdade. Essa não é mais apenas uma percepção. Tal fator tem sido encontrado em diferentes pesquisas em todo o mundo. E pode ser conferida na prática no dia a dia escolar.

De acordo com a coordenadora pedagógica do Colégio Aprendendo a Aprender, Adriani Escudero Magalhães, o que ajuda os filhos na escola é demonstrar, desde cedo, e de forma bem concreta, o quanto a família valoriza a educação. “Essa talvez seja a maior contribuição da família. O que atrapalha é o exagero na participação, com atitudes como entrar em sala de aula, conversar diariamente com as professoras, interferir nas decisões, regras e combinados da escola”, comenta.

Na rotina dos pais, uma série de atitudes são essenciais: incentivar o filho na hora da lição de casa, estimular a criança a ir ao colégio diariamente, providenciar um lugar tranquilo onde se possa estudar e comparecer às reuniões de pais regularmente. Mas estabelecer uma boa relação com a escola também é essencial. E, ainda que esse contato não seja assíduo ou intenso, a relação deve ser efetiva.

Mãe e filha sempre vão juntas à escola. Foto: Divulgação

Silvia sempre acompanha a filha Naomi Vitorino à escola. Foto: Divulgação

“O esforço conjunto da escola com a família se traduz num potente motor para o aprendizado. A participação da família reflete na criança um sentimento de pertencimento e legitima a educação oferecida”, diz Adriani Magalhães, lembrando que, se a contrapartida não existe naturalmente por parte dos pais, a instituição precisa buscar esse envolvimento: “Tentamos envolver os pais ausentes com convites individualizados para encontros, participação em eventos, conversas com a coordenação e a equipe pedagógica”.

Orientação e independência

Outro ponto importante observado pela equipe do Aprendendo a Aprender: deixar claro para a família que o auxílio nas tarefas de casa tem seus limites. “O necessário é incentivar uma leitura mais atenta sobre o enunciado, indicar fontes de pesquisa, estimular uma nova reflexão sobre o problema. Jamais dar a resposta à criança. Insistimos nesse ponto porque a repetição desse tipo de procedimento está associada à queda no rendimento do aluno. Ou seja, participação exagerada atrapalha. A independência nos estudos deve ser cultivada”, diz a educadora.

O momento de deixar a criança na escola é outra questão que gera dúvidas, especialmente quando a criança chora e faz birra. Conforme orientação do colégio, a profissional que recepciona as crianças deve manter a calma quando se depara com alguma criança que resiste à entrada. A profissional precisa se manter serena e transmitir tanto à criança quanto à mãe total segurança. Ou seja, quem recepciona precisa ter iniciativa e criatividade para conquistar os dois.

Como explica Adriani, nos casos mais delicados, em que a criança resiste muito, a profissional precisa ser efetiva — pegar a criança no colo mesmo que esta esteja chorando e sair de perto da mãe. E após acalmá-la, voltar até a mãe com notícias positivas para harmonizar a situação”.

E qual a atitude correta dos pais nestes momentos? Eles devem passar segurança para os filhos. “É preciso que conversem com a criança, dizendo que irão embora, mas voltarão no final do período para buscá-la, além de reforçar que ela ficará bem e se divertirá com a professora e os amigos, por exemplo. Jamais os pais devem chorar com a criança, se mostrar inseguros, ou ainda levar a criança de volta para casa”, conclui Adriani.