Vamos sonhar alto para 2017!
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Vamos sonhar alto para 2017!

Querer mudar as pessoas do sistema para fazer com que o sistema mude pode soar como uma ideia utópica. Mas eu acredito cada vez mais nos indivíduos como poderosas alavancas de transformação

Ana Maria Diniz

22 Dezembro 2016 | 14h36

Escrevo hoje o último blog de 2016 e queria aproveitar para dividir com vocês a minha felicidade por realizar, este ano, dois desejos. O primeiro deles é justamente este blog – A Educação que Vale a Pena -, um espaço onde eu posso escrever o que penso sobre uma das minhas principais paixões, a Educação, e compartilhar com um público muito maior o que estou vendo, vivendo e sentindo nas minhas andanças por escolas, universidades e ambientes informais de aprendizagem, dentro e fora do pais.

shutterstock_309067889

Por eu não ser uma pessoa “da Educação”, no sentido estrito do termo, mas ser reconhecida como alguém genuinamente interessada em ajudar a transformar o ensino do nosso país, tenho entrada junto a diferentes públicos, canais e espaços – escolas, órgãos do governo, institutos e fundações. Nesta condição privilegiada, posso conversar com todos – pais, alunos, professores, diretores, empresários, governantes – e observar de perto as escolas, as pessoas e o sistema.

Dessa forma, consigo entender (um pouco) como tudo funciona e, assim, dar a minha contribuição.

A coisa é complexa e trabalhar junto à área pública tem sido um grande aprendizado. Os ritmos são diferentes, as respostas não são precisas e nem diretas. Os tempos e movimentos são claramente mais lentos do que nos ambientes de negócios. Mas o que encontramos em todo o sistema são pessoas, a maioria bem-intencionada, porém com modelos mentais arraigados, baseados em um pressuposto: é preciso proteger o próprio sistema e as crianças não são a principal razão de sua existência.

Essas pessoas precisam “trocar de óculos” para enxergar como fazer algo diferente, encontrar sua razão de existir diante de uma nova realidade e contribuir para mudar toda essa dinâmica para melhor, colocando o aluno no centro da estratégia. Só que, para isso, elas têm de começar por elas mesmas!

Essa reflexão me leva à segunda realização que menciono no início do texto. No ano passado, idealizei, junto a um grupo multidisciplinar, um curso de pós-graduação em Educação no Instituto Singularidades (faculdade de Pedagogia administrada pelo Instituto Península), implementado este ano.

Batizado de Educação Integral e Autoconhecimento para o Educador, o curso se baseia na ideia de que todo educador, esteja ele na sala de aula, na direção de uma regional da Secretaria ou na liderança de uma escola, precisa, antes de mais nada, se conhecer. Ou seja, precisa entender o próprio modelo mental – a forma como ele vê o mundo – e reconhecer suas emoções, suas motivações e seus limites. Só a partir desse conhecimento básico sobre si mesmo é que ele vai poder identificar sua melhor forma de contribuição, seu propósito de vida e fazer a diferença numa engrenagem muito maior.

Querer mudar as pessoas do sistema para fazer com que o sistema mude pode soar como uma ideia utópica. Afinal, mudanças sistêmicas normalmente acontecem de cima para baixo, a partir de medidas como leis ou incentivos que direcionam o funcionamento de um sistema para um modelo diferente.

É claro que medidas capazes de promover grandes transformações, como um real programa de valorização e responsabilização para professores, implementado por um governo que de fato acredite na importância de uma Educação de qualidade, ajudaria – e MUITO!

Mas enquanto não temos isso, eu apostaria, sim, no indivíduo!

Estamos vivendo a era da desintermediação, em que os movimentos individuais geram negócios poderosos como o Uber e o Airbnb. Por que não acreditar que possa haver um movimento de autoconhecimento para os professores de todo o Brasil para, assim, darmos início a uma transformação na Educação brasileira, de baixo para cima?

Ideias malucas podem ser poderosas alavancas de transformação.

Eu acredito no indivíduo!

Vamos sonhar alto para 2017!

 

Mais conteúdo sobre:

educaçãoautoconhecimentoindivíduo