Todo mundo precisa de feedback
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Todo mundo precisa de feedback

Como disse Bill Gates, ninguém vai longe sem feedback; na Educação, ele pode aumentar a confiança, promover o autoconhecimento e despertar no aluno o gosto pelo aprender

Ana Maria Diniz

07 Junho 2018 | 12h35

Todos nós precisamos de pessoas que nos dêem feedback; é assim que melhoramos”, disse Bill Gates, criador da Microsoft e um dos homens influentes de todos os tempos. Quando alguém do quilate de Gates afirma que os feedbacks foram decisivos em sua trajetória, é inteligente escutar.

O termo feedback surgiu na ciência, no século 19, para designar as respostas produzidas por um organismo diante de um desequilíbrio. Com o tempo, virou sinônimo de  “dar retorno” sobre o desempenho de alguém em uma tarefa, função ou situação. O conceito se alastrou, invadiu a Psicologia, os RHs das empresas e várias outras áreas até se firmar como uma ferramenta de aprimoramento pessoal poderosa, que pode e deve ser usada em diferentes frentes, inclusive na Educação.

De fato, o feedback é um ingrediente indispensável para fazer a engrenagem do aprendizado girar. Como demonstrou o pesquisador australiano John Hattie em seu estudo seminal, Visible Learning, o feedback é um dos fatores com maior impacto no desempenho dos estudantes entre 138 fatores analisados.

Que fique bem claro: não estamos falando de qualquer feedback. Um retorno aleatório, esporádico e sem propósito claro não serve de nada. Escrever “bom trabalho!” ao corrigir um texto, por exemplo, pode até arrancar um esboço de sorriso de um aluno, e só. Abusar da caneta vermelha nas correções também é ineficaz: o aluno entra um estado de alerta momentâneo, que expira em segundos, e volta para casa desanimado, sem saber onde e porquê errou.

Infelizmente, o feedback é um recurso pouco explorado, mal compreendido e mal utilizado na maioria das escolas mundo afora. Segundo Hattie e outros estudiosos, para que ele aumente a confiança, promova o autoconhecimento e desperte no aluno o entusiasmo pelo aprendizado, é necessário:

·        Ser específico sobre as metas e os objetivos a serem atingidos em uma determinada tarefa ou função.

·        A partir dos resultados apresentados, elencar os erros e acertos pontualmente, de maneira construtiva, com positividade e cordialidade, e sem enfatizar demasiadamente as falhas.

·        Explicar ao aluno porquê, onde e como ele errou com clareza e, a partir daí, sugerir trilhas alternativas baseadas nas habilidades  e talentos individuais de cada estudante para a resolução do problema.

·       Para guiar o aluno, ter em mente três perguntas básicas a serem respondidas pelo prórpio estudante durante o processo: para onde eu vou agora, como eu vou e qual o meu próximo passo?

O feedback na Educação não é novidade, mas vem ganhando destaque recentemente porque vai de encontro às necessidades da escola em reconstrução, como a personalização do ensino. Além disso, a tecnologia facilita o processo. Por meio de recursos de Big Data e das plataformas digitais, o feedback pode se dar em tempo quase real, fornecendo ao professor e ao próprio aluno subsídios e detalhes importantes que antes passavam despercebidos.

Dar bons feedbacks em sala de aula exige muita dedicação, empenho e vontade de extrair o melhor de cada aluno individualmente por meio de um diálogo franco e produtivo. Mas é justamente nesse ponto que os bons professores, aqueles que realmente fazem a diferença na vida dos jovens, se distinguem dos demais.

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