STEM: um novo jeito de ensinar Ciências
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STEM: um novo jeito de ensinar Ciências

Saber como resolver problemas é um imperativo dos nossos tempos, cheios de incertezas e situações inesperadas. Existe uma forma de pensar específica para desenvolver essa habilidade e ela envolve a conjugação de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática. É a chamada STEM, na sigla em inglês

Ana Maria Diniz

17 Novembro 2016 | 12h06

“Toda criança nasce cientista.  Nós é que tiramos isso delas. São poucas as que passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo pela ciência intactos”, dizia o lendário astrofísico americano Carl Sagan, consultor da NASA para as viagens à Lua e criador da icônica série de televisão Cosmos, na década de 80, relançada em 2014.

Saber observar, criar hipóteses, testar, falhar, testar de novo. Isso, que seria tão comum no desenvolvimento infantil, se estimulado, nada mais é do que o método científico em sua essência!

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Pense numa criança bem pequena. Ao ganhar um presente, o que ela faz? Geralmente, dispensa o brinquedo novo e prefere brincar com a caixa. Monta, desmonta, abre, fecha. Ou, com sua imaginação pulsante, transforma a caixa em brinquedo: se for grande, pode ser seu navio ou, quem sabe, seu foguete!

Uma de minhas filhas, por exemplo, nunca quis jogar os jogos de tabuleiro de maneira tradicional, queria inventar suas próprias regras. Eu, até entender isso, achava que ela tinha alguma limitação. Nada disso, era só criatividade.

Com o passar dos anos, toda essa capacidade e talento de buscar o novo, de entender o porquê de tudo e de criar coisas fantásticas com recursos limitados e inusitados vai desaparecendo. O motivo, para muitos especialistas, é o sistema de ensino atual. Disciplinas que não conversam entre si, conteúdos transmitidos sem nenhuma conexão com a realidade, de forma teórica e não prática. Como diz o educador inglês Sir Ken Robinson, a escola, do jeito como a conhecemos hoje, está matando a criatividade.

À luz dessas constatações, ganha cada vez mais espaço a educação o método STEM – acrônimo, em inglês, de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática. De acordo com essa metodologia, todas essas disciplinas devem ser ensinadas de forma integrada, prática e divertida.

Ao invés de decorarem fórmulas e elementos da tabela periódica, os alunos se envolvem na solução de problemas reais, por meio de projetos.  A ideia é que eles aprendam a planejar, exercitem a tentativa e erro, a colaboração e a perseverança. No STEM, ao contrário do que ocorre no ensino tradicional, o erro não é punido, pois isso aniquila o espírito criativo. Ao errar, o estudante é incentivado a tentar de novo.

Cada vez mais escolas do mundo inteiro têm adotado este método. Nos Estados Unidos, o governo federal destina anualmente uma verba para estimular a implementação de um currículo baseado em STEM na rede pública de ensino. No Brasil, há iniciativas voltadas para a formação de professores a partir dessa metodologia, como a STEM Brasil, promovida pelo Worldfund. O programa já formou 2.300 docentes nos estados de Pernambuco, São Paulo e Rio Grande do Sul, beneficiando mais de 250 mil alunos por ano.

Nos dias de hoje, há uma escassez de profissionais na área de exatas e isso é um grande limitador do desenvolvimento no Brasil e no mundo. Portanto, fomentar a criação, o pensamento crítico, estimular a investigação, a experimentação, as tentativas e os erros por meio da educação científica, como propõe o STEM, é um imperativo dos nossos tempos.

Mesmo quem não optar por carreiras STEM precisará ter uma formação sólida nessas disciplinas para, assim, criar oportunidades e competir num mercado de trabalho onde não se valoriza mais o quanto se sabe, mas o que se sabe fazer com o conhecimento.

Mas é preciso acreditar que todas as crianças são capazes de entender e desenvolver essas capacidades. Quanto mais cedo começarmos, maiores as chances de que meninos e meninas incorporem o pensamento científico, isso é possível!

Vamos nos inspirar na frase de Sagan que diz: “em todo o lugar, há algo incrível esperando para ser descoberto”. A aventura está apenas começando!