Reabrir as nossas escolas em segurança é urgente e possível
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Reabrir as nossas escolas em segurança é urgente e possível

Em editorial, revista Science elenca as três estratégias principais para um retorno das aulas presenciais com o mínimo de riscos

Ana Maria Diniz

11 de setembro de 2020 | 12h33

Como a pandemia deixou bem claro, os países se dividem em dois tipos: aqueles que se preocupam com a educação e os que dizem que se preocupam. Os que se realmente se importam sabem que manter as escolas fechadas não é uma questão menor e se esforçam para reabri-las o quanto antes, com o máximo de segurança. Os que dizem se importar também sabem, mas em vez de buscar soluções realistas e exequíveis para o problema, postergam a decisão. Deixam a reabertura das escolas para depois – depois dos shoppings, dos bares, do futebol…

Aula ao ar livre em Israel

Se alguém tem dúvidas sobre qual tipo de país é o Brasil, vamos aos fatos: a maioria das nossas crianças e adolescentes, quase 50 milhões de alunos, está fora da escola há 179 dias, mais do que qualquer outro país. Como evidenciou o Education at a Glance, da OCDE, os estragos econômicos e sociais decorrentes desse fechamento serão desastrosos. O problema é que não há como planejar uma reabertura sem antes sabermos qual a real situação das nossas escolas, o que é preciso fazer para que elas se tornem seguras e quanto tempo leva para elas prontas.

Precisamos dessas respostas – e para ontem! Um editorial publicado semana passada na revista Science , uma das publicações científicas mais respeitadas do mundo, pode ajudar nessa busca. O texto elenca três estratégias que as escolas devem adotar para uma volta às aulas com segurança, com base no que se sabe até agora sobre a Covid-19 e nas experiências internacionais. São elas:

    • Evitar ao máximo que a doença entrena escola. Para isso, o ideal seria reabrir as escolas quando forem observadas de 30 a 50 novas infecções por 100.000 habitantes por semana, o que não condiz com a realidade de muitos países no momento. Investir no rastreamento dos sintomas e em testes diagnósticos para todos os que frequentam o ambiente escolar é importante, mas apenas parte da solução, já que essas medidas não são eficazes na detecção de pacientes assintomáticos e pré-sintomáticos (os sintomas surgem de 1 a 3 dias depois de infectados). Cerca de 15 a 50% das crianças e de 10 a 30% dos adultos com Covid-19 desenvolvem essas condições. Medidas como distanciamento, máscaras, higiene das mãos e ventilação são necessárias e têm se mostrado bem mais eficientes. Países que adotaram esses protocolos básicos nas escolas têm quase zero de transmissão na comunidade.
    • Diminuir a probabilidade de transmissão caso a Covid-19 entre na escola. A Covid-19 se espalha através de partículas líquidas contendo o vírus que são geradas pela respiração, fala, grito, tosse e espirro. A rápida taxa de sedimentação de gotas grandes fundamenta as recomendações para distanciamento, desinfecção, ventilação e higiene das mãos. Como as partículas líquidas menores permanecem no ar, não é apenas a distância de outra pessoa que determina o risco de transmissão e contaminação, mas também a duração da exposição. Por isso, limitar a ocupação da sala, evitar atividades como cantar e melhorar a ventilação são essenciais no controle da transmissão. As máscaras também são cruciais, pois restringem a liberação e a inalação. Apesar de a propagação do vírus ser muito menos provável ao ar livre,  esportes com expiração excessiva devem ser evitados.
    • Grandes surtos na escola podem ser minimizados limitando a transmissão ao menor número de pessoas. Dividir alunos, professores e funcionários em grupos menores para que permaneçam isolados uns dos outros facilita o controle da doença no ambiente escolar. A detecção precoce de pessoas infectadas em certos grupos pode limitar as medidas de quarentena aos grupos afetados, evitando assim que toda a escola seja fechada.

É mais do que compreensível a apreensão de pais, alunos e professores em relação à reabertura das escolas em um cenário como o nosso. Mas não podemos ficar de braços cruzados diante das consequências dramáticas de manter nossas crianças e jovens sem aulas presenciais por tanto tempo. Temos que achar uma saída!

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