Quociente digital: qual é o seu?
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Quociente digital: qual é o seu?

Num mundo em constante transformação pelo ritmo frenético dos avanços tecnológicos, a inteligência digital torna-se tão relevante quanto a inteligência emocional e as habilidades cognitivas para o sucesso na profissão e na vida

Ana Maria Diniz

27 Outubro 2016 | 11h30

O que torna algumas pessoas mais bem-sucedidas que outras na escola, no trabalho e na vida?

Um quociente intelectual elevado ajuda, mas, definitivamente, não é determinante para o sucesso e a felicidade de ninguém. Como demonstrou Daniel Goleman no livro Inteligência Emocional, habilidades socioemocionais como resiliência, empatia, autocontrole e abertura a experiências são tão importantes quanto as cognitivas, como memória e raciocínio lógico, para a realização pessoal e profissional.

Mas será que ter um QI e um QE (quociente emocional) altos é suficiente nos dias hoje? Para muitos especialistas, a resposta é não. É preciso também ter inteligência digital.

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Se há pouquíssimo tempo as habilidades digitais eram restritas e necessárias apenas para profissionais de tecnologia, hoje são fundamentais para o sucesso de qualquer carreira, assim como para o desenvolvimento de uma vida plena e autônoma. Nesse contexto, dominá-las e saber utilizá-las de forma criativa e ética é imprescindível.

“O fenômeno digital, e seu impacto na forma como vivemos, nos relacionamos e processamos informação, é capaz de gerar tanto possibilidades quanto incertezas, principalmente para as crianças e os jovens, que estão no epicentro dessas transformações”, ponderou Yuhyan Park, co-fundadora do DQ Project, movimento global em prol da Educação digital em um artigo para o Fórum Econômico Mundial.

A Educação digital não se limita à utilização de recursos tecnológicos como smartphones e tablets em sala de aula, como pensa o senso comum. Trata-se de uma estratégia pedagógica bem mais elaborada, cujo objetivo é fortalecer os três alicerces da inteligência digital, essenciais para a vida no século 21. São eles: cidadania digital, criatividade digital e o empreendedorismo digital.

A cidadania digital traduz-se na habilidade de usar os recursos digitais de maneira responsável e em segurança. A criatividade digital compreende a capacidade de se inserir e de atuar no ecossistema digital, cocriando novos conteúdos e transformando ideias em realidade por meio de ferramentas digitais. O empreendedorismo digital é a habilidade de utilizar novas tecnologias para criar novas oportunidades e contribuir para a solução de problemas globais.

A partir desses três pilares, educadores do DQ Project, que incluem profissionais das universidades de Stanford e de Iowa e do Instituto Nacional de Educação de Singapura, listaram as habilidades digitais que devem ser ensinadas e estimuladas em jovens e crianças:

Identidade da cidadania digital. A habilidade de gerenciar sua identidade online  com o mesmo cuidado que faz na vida real, criando uma persona que seja condizente com sua personalidade e propósitos;

Gerenciamento de tempo de tela. A habilidade de gerenciar uma tela de cada vez, fazer várias tarefas ao mesmo tempo corretamente, sabendo o que priorizar, além de cuidar para não desviar a atenção e perder tempo em games e redes sociais;

Gerenciamento de cyberbullying. Saber identificar e evitar iniciativas que incorrem em assédio moral e como proceder caso isso ocorra;

Gerenciamento de cibersegurança. A capacidade de proteger seus dados, criar senhas poderosas e evitar ataques cibernéticos;

Gerenciamento de privacidade. A potencialidade de lidar discretamente com todas as informações que compartilha pela internet e proteger a privacidade própria e alheia;

Pensamento crítico. A habilidade de distinguir informações falsas e verdadeiras, além de saber identificar a idoneidade de seus contatos online;

Pegadas digitais. A capacidade de entender a natureza de suas postagens, as marcas que deixa na rede e as consequências disso a curto e médio prazo na vida real;

Empatia digital. É preciso ainda saber mostrar empatia com os outros e entender seus sentimentos, mesmo que só os conheça virtualmente.

Claramente, essas habilidades já vêm no pacote das novas gerações de forma natural e, talvez, nem tão consciente. Por isso, nós das gerações anteriores temos o papel de enxergá-las de maneira estruturada para, de um lado, desenvolvê-las e, por outro, chamar a atenção para seus riscos.