Pisa 2018: muita lamentação e pouca ação
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Pisa 2018: muita lamentação e pouca ação

Ficamos reclamando e remoendo as inúmeras razões que nos levam a ficar estagnados na posição humilhante de lanterninha do Pisa, mas pouco fazemos de concreto para transformar essa realidade

Ana Maria Diniz

03 de dezembro de 2019 | 20h24

O Brasil não ficou em último lugar do Pisa 2018 na América Latina, como prenunciou o ministro da Educação Abraham Weintraub, mas continuou entre os últimos colocados entre os 79 países participantes da última edição do teste internacional. No ranking geral, figuramos em 54º lugar em Leitura, em 70º em Matemática e em 66º em Ciências, superando alguns dos nossos vizinhos. Tivemos, sim, uma pequena melhora nas três áreas avaliadas, porém o avanço é insignificante, nosso desempenho ainda é horrível.

Nada me espanta, o resultado não poderia ter sido diferente deste, já que fizemos coisa nenhuma para mudar o estado lastimável da Educação brasileira. Na minha opinião, há somente duas coisas imprescindíveis a serem feitas para transformar essa realidade:

  • Colocar a Educação no centro da estratégia para o desenvolvimento do país;
  • Adotar soluções cientificamente comprovadas para agregar qualidade ao nosso ensino.

Mas, ao invés disso, o que fazemos? Ficamos reclamando e remoendo as inúmeras razões que nos levam a ficar estagnados na posição humilhante de lanterninha na formação do nossas crianças e jovens. Precisamos de uma agenda política realmente focada em Educação e de um plano estratégico muito bem pensado para lidar com os problemas enormes e de diferentes natureza que temos de enfrentar.

Como eu já disse muitas vezes, não existe muito mistério sobre qual é o caminho para consertar a Educação do Brasil. Não é preciso mais reinventar a roda. O diagnóstico já foi feito o ano passado pelo TPE e registrado no documento Educação Já! Neste documento, um dos pilares é exatamente o foco na formação de professores, ponto inclusive sempre enfatizado no relatório do PISA.

Por exemplo, gastamos quase meio bilhão de reais todos os anos com formações continuadas para professores que não levam a lugar nenhum, é dinheiro jogado no lixo. Neste ponto, o Instituto Península tem uma grande pesquisa sobre práticas internacionais que comprovadamente dão resultado para uma formação efetiva de professores. São elas:

  • Fazer formações alinhadas às novas diretrizes curriculares e às competências-chave da docência;
  • Fazer formações com foco na gestão de sala de aula;
  • Fazer formações que fortaleçam as estratégias e didáticas associadas aos conteúdos específicos dos professores;
  • Avaliar e dar feedback aos professores para que eles aprimorem a sua experiência com os alunos, garantindo que todos aprendam;
  • Dar suporte e identificar professores-referência para apoiar os demais professores no processo de desenvolvimento profissional.

Acredito que se empenharmos esforços para a formação continuada dos nossos 2,2 milhões de professores na direção certa podemos ter um resultado muito melhor já no próximo Pisa.

 

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