Otimismo! Ele deve ser ensinado – e praticado – em todas as escolas
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Otimismo! Ele deve ser ensinado – e praticado – em todas as escolas

O nível de otimismo de um indivíduo é determinante para o seu sucesso ou fracasso, na escola e na vida. A boa notícia é que podemos aprender a ser mais positivos e a aprimorar essa habilidade

Ana Maria Diniz

31 Agosto 2017 | 11h15

Quem viveu a infância no século passado deve se lembrar de Pollyanna, a garota mais otimista da literatura, cujo nome virou sinônimo para excesso de positividade. Órfã, pobre e entregue em adoção a uma tia rabugenta, a protagonista do romance homônimo de Eleanor H. Poter tinha motivos de sobra para lastimar. Mas preferia driblar as adversidades com o Jogo do Contente, que consistia em achar algo bom em tudo de ruim que lhe acontecia.

Enxergar o mundo através de lentes cor-de-rosa, de um jeito exagerado e um tanto fantasioso, como fazia Pollyanna, não basta para transformar uma existência miserável como a da personagem numa história com final feliz. Mas ter uma atitude mais positiva diante da realidade e ser capaz de agir de maneira efetiva com base nessa percepção faz, sim, toda a diferença no rumo que as nossas vidas podem tomar.

O nível de otimismo de um indivíduo é determinante para o seu sucesso ou fracasso pessoal e profissional, revelam pesquisas da psicologia positiva, ramo que estuda cientificamente a felicidade e o bem-estar. Pessoas otimistas são mais criativas, têm melhor capacidade analítica e crítica, são mais resilientes e mais aptas a perseverar diante de tarefas difíceis.

Eu mesma me considero otimista, e gosto desse meu jeito de ser porque sinto que sou capaz de viabilizar e realizar vários projetos. Só há uma armadilha que, na minha opinião, todo o otimista deve evitar: ser ingênuo e minimizar os riscos das situações. Quem é otimista deve prestar muita atenção nesses dois aspectos para não ser pego pelos contratempos da vida.

Enfim, o que estamos esperando para levar o otimismo para as salas de aula?

Ao contrário do que se pensava, o otimismo não é um traço imutável: é um jeito de pensar que pode ser aprendido e aprimorado. “E não há lugar melhor para treinar essa habilidade do que a escola”, diz o psicólogo americano Martin Seligman, da Universidade da Pensilvânia.

Entusiasta do otimismo no ambiente escolar, Seligman, um dos fundadores da Psicologia Positiva, tem se dedicado a disseminar e testar suas teorias sobre poder das atitudes positivas também na Educação. Ele faz isso por meio da Educação Positiva, abordagem educativa criada por ele que pretende melhorar o aprendizado e contribuir para que os alunos floresçam e atinjam todo o seu potencial a partir da ênfase nas habilidades individuais e na motivação pessoal.

A primeira grande experiência escolar em Educação Positiva surgiu em 2008. É a Geelong Grammar School, na Austrália, que foi totalmente reformulada e pensada a partir dos preceitos da ciência da felicidade. A começar pelos professores e funcionários, que foram treinados e capacitados para atuar nesse novo contexto.

Na escola, que funciona como laboratório o para validação do método, as chamadas habilidades do bem-estar, tais como identificar e usar as forças de caráter, ser resiliente, controlar sobre as emoções, execer a gratidão e preservar boas relações, entre outras, têm o mesmo peso que as disciplinas tradicionais e são ensinadas e avaliadas com a mesma seriedade. E os primeiros resultados disso são animadores.

Educar as crianças de um jeito menos punitivo e mais positivo, reforçando suas qualidades e incentivando-as a irem além e a acreditarem num futuro melhor, é uma ideia simples e poderosa, que pode ser semeada nas salas de aula, com pequenas atitudes.

Só há um problema: a transformação da escola num lugar onde predomina a positividade tem que que começar pelos professores e, diante das condições de trabalho e da desvalorização da carreira que os atingem, acho essa tarefa praticamente impossível.

Mesmo assim vale tentar, pois o otimismo pode ser absolutamente transformador!