O nome muda, as prioridades não
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O nome muda, as prioridades não

As necessidades da Educação brasileira são urgentes e já estão definidas

Ana Maria Diniz

09 de abril de 2019 | 15h00

A decisão foi tomada: sai Ricardo Vélez, entra Abraham Weintraub. Após 100 dias de governo, vemos que o Ministério da Educação não conseguiu começar a trabalhar efetivamente. O MEC precisa sair da paralisia e passar a funcionar em prol dos seus 50 milhões de alunos que estão nas escolas hoje. Já passou da hora de entrar no ritmo das demandas urgentes do nosso País. E é isso que se espera do novo ministro, pragmatismo na condução de ações que levem os alunos a aprenderem mais e consistentemente.

Os principais desafios para obtermos avanços na Educação já estão definidos: alfabetizar nossas crianças, reformular a carreira docente e garantir recursos para estados e municípios possam implementar a nova BNCC. O primeiro foco deve estar na alfabetização. É inaceitável termos crianças que, aos 8 anos de idade, ainda não sabem ler e escrever. Para isso, deve-se desenvolver uma política pública focada em resolver este problema. Acredito que em oito anos, dois mandatos, de uma política muito bem estruturada e dando suporte aos Estados e municípios para implementá-la, é possível garantir que todas as crianças estejam plenamente alfabetizadas na idade correta.

Já a revisão da carreira docente tem que promover a atualização da formação inicial para que o professor domine os conteúdos e as didáticas e seja um real líder na sala de aula. Tais alterações estão em curso na Nova Base Nacional Comum de Formação Docente, encaminhada ao Conselho Nacional de Educação e que aguarda aprovação. O processo precisa ser levado a sério, pois será peça-chave na valorização da carreira e conseguirá atrair novos talentos para essa profissão tão importante.

Por último, destaco um ponto que deve ser revisto com cuidado: o Fundeb. O prazo de vigência do fundo, que concede o repasse de verba para estados e municípios, acaba em 2020. Para ter certeza de que esse recurso terá continuidade e seja bem aplicado, será necessária uma reformulação de regras, visando a uma melhor distribuição, incentivando os entes federativos com desempenho de destaque e eliminando critérios subjetivos.

A lista de prioridades não para por aí e ainda inclui a implementação da Base Nacional Comum Curricular, a atenção à Primeira Infância, a reforma do Ensino Médio e a criação de regras de avaliação da qualidade da gestão. Todos esses pontos são pautas primordiais e precisam sair do papel para que a Educação de fato evolua e tudo depende da intenção e da capacidade de gestão que o novo ministro terá. Espero que ele venha mostrar que somos uma nação preocupada com seu futuro.

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