O espírito do tempo
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O espírito do tempo

A Educação fará sentido hoje se ajudar os alunos a se tornarem a melhor versão de si mesmos no contexto da sociedade em que vivem e prepará-los para uma uma vida de propósito e contribuição

Ana Maria Diniz

08 de agosto de 2019 | 11h51

Todos nós, comprometidos de uma forma ou de outra com a Educação, estamos loucamente buscando novos modelos, respostas e inspirações para que o ensino oferecido hoje possa atender o Zeitgeist do nosso tempo e do futuro que está porvir. A procura maior é pelo real significado da Educação para que ela de fato tenha um nexo, seja coerente e vá de encontro aos anseios dos jovens, dos educadores e de toda a constelação de mais de 45 milhões de pessoas que se envolvem com ela diariamente no país.

Esta semana, lendo uma matéria da revista Forbes, encontrei uma resposta que faz sentido, pelo menos para mim, em uma frase de Peter Seng: “Todos merecem uma Educação que diga respeito ao seu próprio desenvolvimento como ser humano, afinal, o propósito da Educação é ‘EU me transformar MIM no contexto da sociedade em que vivo e assim poder contribuir com ela’”.

Educação tem tudo a ver com cidadania, e cidadania só existe com a consciência de quem nós somos no contexto da sociedade e de como essa sociedade funciona ao nosso redor!

O sistema educacional que prevaleceu do século 20 até agora foi todo moldado pela Revolução Industrial para formar as pessoas para serem mais produtivas possível, mas dentro de um modelo mecânico e estruturado. Agora, o novo motivador da Educação é preparar a criança e o jovem para exercerem seus papéis cidadãos para que eles atuem na sociedade em que vivem da melhor maneira possível, colocando em prática os seus talentos e preferências.

É nisso que as escolas de hoje têm de focar! Elas precisam trabalhar para descobrir no que cada aluno é bom, ajudá-los no aprimoramento de seus talentos e prepará-los para uma vida de propósito e de contribuição.

Apesar de ainda tímido, esse movimento já começa a acontecer em algumas escolas mundo afora. São instituições que oferecem uma aprendizagem mais imersiva, na qual os alunos experimentam a realidade do local onde estão inseridos e ajudam a criar soluções para os problemas do lugar fazendo aquilo o que mais gostam e que mais sabem.  Isso não só desperta nos estudantes o senso de pertencimento, mas também faz eles perceberem que são úteis e importantes.

Em 1965, em um artigo para a revista Horizon, que o escritor americano Alvin Toffler usou o termo “choque do futuro” para descrever a tensão e a desorientação quase incapacitantes das pessoas e das instituições diante de um mundo cada vez mais volátil. Essa condição nos paralisa, nos prende ao passado, impede a quebra de paradigmas e a mudança de mindset.

É isso o que está acontecendo com a Educação. Queremos reinventar a escola, mas continuamos amarrados à ideia de que ela serve para preparar as crianças e os jovens exclusivamente para o vestibular, para a faculdade e para o mercado de trabalho. Isso, definitivamente, não faz mais sentido no mundo de hoje.

Se queremos que a Educação evolua temos que pensar o agora e para frente. Precisamos sintonizá-la com o espírito do nosso tempo. E só vamos fazer isso tornando o aprendizado se torna mais envolvente, mais proposital e mais impactante!

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