Meninas, o mundo é de vocês!
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Meninas, o mundo é de vocês!

Assegurar que todas as nossas meninas tenham acesso a uma Educação de qualidade e oferecer uma melhor formação para as nossas docentes são passos fundamentais para transformar positivamente suas trajetórias individuais e também o rumo do Brasil

Ana Maria Diniz

08 Março 2018 | 11h57

Na cerimônia do Oscar 2018, no último domingo, as mulheres roubaram a cena. E, dessa vez, para muito além do tapete vermelho. O debate sobre igualdade de gênero, um assunto até então tabu em Hollywood, deu o tom da noite e inspirou discursos e reações emocionadas. “Lembro-me de um tempo em que os estúdios não acreditavam que uma mulher poderia estrelar um filme de super-heróis – e me lembro porque esse tempo foi março passado”, disse o apresentador Jimmy Kimmel, em referência a Mulher Maravilha, em sua fala de abertura. Em 90 anos de Oscar, cinco mulheres foram indicadas ao prêmio de melhor direção e uma levou a estatueta.

Essa falta de reconhecimento e de espaço para as mulheres não é exclusiva da indústria do cinema. Está por toda a parte – e só faz aumentar. Depois de uma década de progresso lento, as disparidades entre homens e mulheres voltaram a crescer em vários aspectos e setores, como revela o Relatório de Desigualdade de Gênero Global 2017, do Fórum Econômico Mundial, divulgado em novembro. Houve piora nos quatro pilares analisados na maioria dos 144 países analisados: acesso à Educação, saúde, participação política, trabalho e oportunidade econômica. As mulheres ocupam hoje só 5% dos cargos de CEO no mundo, mostra outro estudo, da PWC. E apenas 11% delas integram conselhos de grandes empresas globais, segundo uma pesquisa da revista Fortune.

Em nenhuma área essa distância entre os sexos se faz tão evidente quanto nas ciências. Só 16% das estudantes do mundo formam-se em cursos STEM. No Brasil, elas são 3,7% dos matriculados em Física e Matemática e 5% dos inscritos em Engenharia, aponta um levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Diminuir essa discrepância não é só uma questão de justiça. No mundo atual, pautado pela inovação e cheio de problemas complexos, precisamos de cada vez mais pessoas com grandes ideias e capacidade de executá-las. Como escreveu Mary Snapp, executiva da Microsoft, não incentivar meninas a serem cientistas é um desperdício de cérebros, que poderá comprometer as sociedades e as economias num futuro próximo.

O Elas nas Exatas, uma parceria entre o Instituto Unibanco, o Fundo de Investimento Elas e a Fundação Carlos Chagas, busca reverter esse quadro. O programa tem como foco o incentivo e a premiação de propostas educacionais com potencial para envolver alunas do Ensino Médio das escolas públicas brasileiras com as ciências exatas. No ano passado, foram selecionados 10 entre os 113 projetos inscritos na segunda edição do prêmio. As iniciativas escolhidas visam o ensino de programação, capacitação em robótica, construção de protótipos de geração de energia elétrica, observações astronômicas, desenvolvimento de games, além de aulas e debates sobre a história de mulheres cientistas. Cada um receberá R$ 35.000,00 e apoio técnico para implementar a ideia.

Do total de professores da Educação básica no Brasil, 81,5% são mulheres. Elas são maioria absoluta nas salas de aula do país em todos os níveis dessa etapa – no ensino infantil somam impressionantes 97,9%. Essse contingente é poderosíssimo e tem um poder de transformação gigantesco.  Assegurar que todas as nossas meninas tenham acesso a uma Educação de qualidade, desde pequenas, e oferecer uma melhor formação para as nossas docentes são passos fundamentais que poderão impactar positivamente não só suas trajetórias individuais, mas também, e principalmente, o rumo do Brasil.

 Meninas, vamos abraçar o mundo! Ele é nosso!