Lifelong learning: aprendizado ao longo da vida
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Lifelong learning: aprendizado ao longo da vida

A única maneira de enfrentar os desafios constantes e voláteis da era digital é compreender a Educação não como uma tarefa a ser realizada e concluída em um número determinado de anos, mas como um projeto de longo prazo, sem data para acabar

Ana Maria Diniz

26 Janeiro 2017 | 14h49

A tecnologia evolui a passos larguíssimos desde meados do século passado. Mas foi na virada milênio, com a popularização da internet, que os avanços tecnológicos ganharam ritmo, intensidade e abrangência inimagináveis, transformando radicalmente as relações, o consumo, o trabalho, enfim, o nosso jeito de viver. Outras mudanças, ainda mais velozes e disruptivas, estão por vir.

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Como afirmou recentemente o engenheiro americano Peter Diamandis, criador da Singularity University, a era de transformações exponenciais está apenas começando.

Diante desse cenário, só nos resta uma certeza: educar uma pessoa desde cedo e por apenas parte da sua vida para que ela exerça uma função específica durante o  resto a sua existência não faz o menor sentido.  O modelo de ensino tecnicista do século 20 que predomina até hoje, definitivamente, não prepara ninguém para o trabalho e para a vida no século 21.

Mas qual é o modelo que funciona?

Na verdade, nenhum. Tentar achar um padrão que sirva para todos e para todas a situações é um esforço em vão. Vivemos tempos exponenciais,  mas nosso pensamento continua linear. Continuamos atrás da fórmula perfeita, da receita de bolo  que nos garantirá o sucesso. Precisamos mudar nosso modelo mental!

A única maneira de se preparar para os desafios constantes e voláteis decorrentes da revolução digital  é romper com as amarras das convenções e passar a compreender a aprendizagem não como uma tarefa que deve ser realizada em um número determinado de anos, durante uma fase específica da nossa vida, mas como um projeto de longo prazo que começa na primeira infância e não tem data para acabar.

O lifelong learning, ou aprendizado ao longo da vida, nome que se dá a esse processo, se tornou um imperativo dos novos tempos, como bem mostra a revista The Economist na capa de 12 de janeiro.

Adquirir novas habilidades para substituir as que se tornam obsoletas virou uma obsessão entre empregados e empregadores, o que tem aumentado a procura por cursos de extensão ou aprimoramento, com destaque para os MOOCs (Massive Online Open Courses), como o Khan Academy e o Coursera. Em muitos casos, isso se faz necessário. Mas, para muitos profissionais, isso não basta.

Muitas das competências valorizadas e exigidas nos dias de hoje, porém, não estão disponíveis em cursos de extensão, de pós graduação ou de formação continuada. Nem em outra faculdade ou numa nova carreira, tais como criatividade, facilidade em resolução de problemas, empatia, curiosidade e vontade de aprender. São os chamados soft skills, ou competências sócio emocionais cada vez mais relevantes para a vida e o trabalho neste século.

Melhor do que tentar adquirir essas habilidades na vida adulta é estimulá-las nas crianças desde cedo. Isso pode ser feito nas escolas por meio de estratégias e práticas já testadas e comprovadas. Aprendizado por projetos, tutoria em projeto de vida, mentalidade de crescimento e meta cognição (o aprender a aprender) são algumas delas.

A  preparação para os novos tempos pode – e deve –  começar na sala de aula. O quanto antes.

O mais importante é os alunos e, principalmente, os educadores de hoje terem a consciência de que para produzirmos pessoas bem sucedidas, realizadas e capazes  de criar e co-criar no mundo atual todos nós – crianças, jovens e adultos – teremos que estudar a vida inteira. Dessa forma, o aprender a aprender passa a ser imprescindível. Porque não vivemos só uma época de mudanças, mas uma mudança de época!