Jardineiros ou carpinteiros?
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Jardineiros ou carpinteiros?

Para a psicóloga americana Alison Gopnik, pais e professores devem educar as crianças como jardineiros pacientes, que providenciam os cuidados básicos, o amor e a segurança para deixar a natureza seguir seu curso, não como carpinteiros, que trabalham a madeira bruta para que ela fique da forma desejada

Ana Maria Diniz

15 Dezembro 2016 | 08h45

Seguir recomendações, conselhos e regras sobre como educar as crianças para que eles se tornem adultos bem-sucedidos, ou entupi-las de atividades extracurriculares na tentativa de acelerar o aprendizado dos pequenos, pode ser uma enorme perda de tempo. Ou pior: pode ter o efeito reverso.

shutterstock_160256126 (1)

Essa é a opinião da psicóloga americana Alison Gopnik, da Universidade de Berkeley, na Califórnia, uma das maiores especialistas do mundo em desenvolvimento infantil e aprendizagem. “Tentar talhar nossas crianças para se tornarem um tipo específico de pessoa é tão inútil quanto perigoso”, escreve Gopnik em The Gardener and The Carpenter (O Jardineiro e o Carpinteiro, em tradução livre), seu mais recente livro, lançado em agosto.

A noção comumente aceita de que há coisas que pais e professores podem fazer para que a criança cresça de determinada maneira é totalmente equivocada, diz Gopnik. Do ponto de vista da evolução e da psicologia, principalmente nos primeiros anos de vida, apenas garantir um ambiente seguro, estável e acolhedor já é suficiente para que a criança tenha a chance de inventar, imaginar e aprender tudo o que precisa para desenvolver seus potenciais, escreve a psicóloga.

No livro, ainda sem previsão de lançamento no Brasil, Gopnik reúne os resultados de décadas de pesquisa sobre o processo evolutivo e o funcionamento do cérebro na primeira infância para respaldar a sua crença de que crianças são aprendizes natos: diferentes entre si, imprevisíveis, inquietas, distraídas, mas sempre processando informações, solucionando problemas e inovando.

“A infância humana, bem mais longa do que a de outros animais, existe, do ponto de vista evolutivo, para que as crianças exercitem a criatividade e busquem diferentes soluções para diferentes circunstâncias. Essa liberdade para criar a partir da experiência e das brincadeiras é fundamental para o desenvolvimento cognitivo e emocional. Foi isso levou nossa espécie adiante”, explica Gopnik.

Como o título do livro sugere, o melhor que pais e educadores podem fazer não é tentar agir como carpinteiros, que trabalham a madeira bruta para que, ao final, ela fique da forma desejada, mas sim como jardineiros pacientes, que providenciam os cuidados, o amor e a segurança para deixar a natureza seguir seu curso.

Crianças devem florescer e a única coisa que os adultos podem fazer é criar um ambiente propício para isso!