Impulsiona: crianças ativas, ágeis e com conhecimento do seu corpo nas escolas brasileiras
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Impulsiona: crianças ativas, ágeis e com conhecimento do seu corpo nas escolas brasileiras

A prática esportiva nas escolas brasileiras sempre foi relegada à mais ínfima importância e são raríssimas as instituições que entendem o esporte como um instrumento pedagógico fundamental para o desenvolvimento intelectual, emocional e social das crianças e jovens

Ana Maria Diniz

08 Junho 2017 | 11h38

Que as atividades físicas trazem inúmeros benefícios para a saúde do corpo, ninguém mais duvida. O que pouca gente sabe é que se movimentar de forma rotineira, seja em situações cotidianas, de lazer ou durante a prática de algum esporte, também contribui para o aprimoramento da mente.

Nas últimas duas décadas, munidos de aparelhos cada vez mais modernos de neuroimagem, os cientistas detectaram mudanças significativas em diferentes regiões do cérebro de pessoas ativas. E constataram: exercitar-se com frequência faz pensar com mais clareza, melhora a atenção, o raciocínio e a memória, possibilita o equilíbrio emocional e – o o que mais interessa aos leitores deste blog – proporciona ganhos enormes no aprendizado e no desempenho acadêmico de crianças e jovens.

Tais descobertas, comprovadas por centenas de pesquisas e estudos sérios, levaram especialistas de Educação do mundo inteiro a repensar o esporte no contexto escolar. Afinal, se o movimento é tão importante para o desenvolvimento intelectual e emocional dos alunos, por que deixamos nossas crianças passarem tanto tempo sentadas dentro de uma sala de aula?

Surgia assim, nos anos 90, a partir desse questionamento, o conceito de escolas ativas. Diferentemente das escolas tradicionais às quais estamos acostumados, instituições típicas do século passado e do anterior, numa escola ativa o movimento não se restringe a uma ou duas aulas de Educação Física por semana, que muitos alunos preferem não frequentar.

Pelo contrário. Na escola ativa o movimento é incorporado ao dia a dia, ganha relevância e status de ferramenta pedagógica imprescindível para o desenvolvimento integral dos estudantes durante a fase escolar e também depois dela, pois induz a um estilo de vida saudável por toda a vida.

Infelizmente, no Brasil, são raríssimas as escolas que entendem a prática esportiva ou o simples “movimentar” dessa maneira.

É o que mostram os resultados preliminares de um estudo realizado desde 2014 pelo Programa das Nações Unidos para o Desenvolvimento (PNUD) sobre a prática de atividades físicas nas escolas brasileiras, que já avaliou 600 instituições das redes pública e privada de todas as regiões do Brasil.

Outros dados corroboram as conclusões prévias do estudo do PNUD: segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense) de 2015, do IBGE, 70% dos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental são insuficientemente ativos ou totalmente inativos.

Trata-se de um índice alarmante. Em breve, esses jovens, e vários outros que não aparecem nas estatísticas do Pense, não só perderão a chance de se desenvolver ainda mais mental e intelectualmente por meio do esporte. Eles também terão probabilidades altíssimas de se somar à legião de brasileiros sedentários (46% da população adulta) e acima do peso (82 milhões de brasileiros), segundo dados do IBGE, que desfruta de menos saúde e qualidade de vida – um grupo que, infelizmente, só faz crescer.

Diante deste cenário, e por entender que o esporte agrega um valor inestimável à Educação, o Instituto Península (IP), braço social da minha família, acaba de lançar o Impulsiona, um programa que incentiva a prática de atividades físicas nas escolas de ensino básico de todo país, oferecendo treinamento e capacitação de coordenadores pedagógicos e professores por meio de cursos online, oficinas esportivas e conteúdo digital gratuito.

Nós, do IP, acreditamos que todas as crianças brasileiras devem ter a oportunidade da descoberta, do saber e da escolha para atingir sua plenitude. Neste sentido, uma Educação de qualidade, que percebe o esporte como um instrumento pedagógico fundamental, é o melhor, ou talvez o único, caminho a se seguir.