Mudanças à vista
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Mudanças à vista

O provável superministério da Educação, Esporte e Cultura só dará certo se tiver um gestor altamente capacitado e com visão para produzir resultados que valorizem as três áreas e promovam o desenvolvimento do país

Ana Maria Diniz

08 Novembro 2018 | 18h19

Tem aparecido na imprensa relatos de que o próximo governo estuda unir os ministérios da Educação, do Esporte e da Cultura. Não está claro ainda se e como isso vai acontecer, portanto escrevo aqui sobre o que penso do tema e não sobre o que a nova gestão pretende fazer. Eu, conceitualmente, não sou contra. Acho, pelo contrário, que isso pode fazer bastante sentido se pensarmos em uma Educação como tem que ser, integral e holística. Também entendo que as áreas de Esporte e Cultura ganhariam ao serem desenvolvidas desde cedo nas crianças e se as crianças, desde o início da vida, aprendessem a valorizá-las e a amá-las.

O Esporte é, sabidamente, uma ferramenta que potencializa o aprendizado. Por meio da prática esportiva é possível desenvolver hábitos e rotinas que levam as crianças a usar de forma mais eficiente seu intelecto e sua criatividade. O Esporte também aumenta a motivação, o engajamento e o bem-estar emocional, promove a cooperação, a determinação e a resiliência. Ter a capacidade de falhar, de se reerguer e de encontrar novos caminhos para transpor problemas e desafios no processo de aprendizagem é fundamental para se dar bem na tanto na escola como ao longo da vida.

Neste sentido, é claríssimo como essas duas áreas, juntamente com a Educação, podem ajudar no desenvolvimento humano e da sociedade. O que não é claro é como integrar e valorizar essas três vertentes, já que elas têm questões em si que precisam ser endereçadas. Tanto o Esporte como a Cultura precisam ganhar relevância. O Esporte, um dos focos principais do Instituto Península e área sobre a qual tenho um maior conhecimento, precisa se profissionalizar, amadurecer e ser levado a sério pela sociedade.

Ao contrário do que vem sendo dito, essa junção de Educação, Esporte e Cultura não é uma invencionice sem sentido e só existe na Guiné-Bissau ou na Venezuela (onde, na verdade, há um ministério para cada uma dessas três áreas). A reunião dessas três pastas é um modelo que já foi adotado em países como Espanha e Japão. Temos que aprender com eles, com aquilo que já deu certo e com os erros que cometeram, não tentar reinventar a roda.

Pensando dessa forma, essa fusão pode ser ótima – ou péssima. Isso dependerá, mais uma vez, de como a ideia for executada. Tudo vai depender da capacidade de gestão e visão de quem for dirigir esse superministério para produzir resultados que valorizem as três áreas e promovam o desenvolvimento do nosso país.

A preocupação com a forma com que esses setores serão conduzidos com a junção das pastas é pertinente e a discussão está apenas no começo. Devemos avançar nesse entendimento e planejamento o mais fundo possível, sempre lembrando que um prédio exclusivo para a Educação, outro para o Esporte e mais um para a Cultura na Esplanada, em Brasília, não vão garantir o sucesso de nenhuma política pública.